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Carta Capital, apoiadora de Ciro, admite que candidato quer vice golpista
Carta Capital, apoiadora de Ciro, admite que candidato quer vice golpista

A revista Carta Capital publicou em seu site na última terça uma matéria intitulada A aposta desenvolvimentista de Ciro Gomes, em que louva o convite do pedetista ao empresário golpista Benjamin Steinbruch para o cargo de vice em sua chapa nas eleições presidenciais de 2018.

A relação de Ciro Gomes com Steinbruch é antiga. Desde a década de 1990, o empresário à frente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) figurava na base de apoio do político cearense. A bilionária família de Steinbruch é proprietária do Grupo Vicunha de indústrias têxteis. Benjamin adquiriu a CSN quando a antiga estatal, criada em 1941, foi privatizada durante o governo de Itamar Franco (1992-1995) em um leilão fraudulento que entregou a estatal por um milésimo do valor de suas reservas minerais.

Não exercendo nenhum cargo público, em 2014, a convite do empresário, Ciro foi presidente da Transnordestina, subsidiária da CSN, entre fevereiro de 2015 e maio de 2016. Justamente durante um dos momentos decisivos do golpe de estado, quando se urdiu o impeachment de Dilma Rousseff.

À época, Steinbruch já era vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) – cargo que ocupa até hoje. A Fiesp foi uma das patrocinadoras do golpe, financiando inclusive a famosa campanha Não vou pagar o pato, que acabou se tornando um dos ícones dos movimentos de direita no Brasil. A ideia era que os empresários que haviam gozado de amplas isenções de impostos durante os governos do PT não poderiam ter sua carga tributária normalizada durante a política de austeridade destinada ao pagamento de juros aos banqueiros internacionais.

Desde o início de sua campanha, Ciro vinha mantendo sua base empresarial junto de si, afirmando que seu vice seria preferentemente “alguém de produção ligado ao sudeste do País”. Em maio, foi revelado que Steinbruch – o empresário mais próximo do pedetista – havia se filiado ao PP (antigo PDS, e antigo Arena, partido da ditadura militar), e que poderia ser ele mesmo o “alguém de produção”. Com o convite efetivo ao empresário para compor a chapa, revela-se definitivamente o caráter golpista da candidatura de Ciro.

A política é um jogo de forças que independe da vontade pessoal ou do discurso de seus atores. Lideranças agem não de acordo com suas convicções individuais, mas de acordo com a correlação de forças sociais que os mantêm no poder. Do ponto de vista da luta de classes, a base fundamental de apoio a Ciro é a burguesia nacional, e é a ela que o político responde primordialmente, como suas ações vêm demonstrando.

Se o golpe foi desferido pelo imperialismo e pela burguesia nacional sobre a classe trabalhadora brasileira, esses grupos sociais desejam qualquer coisa menos entregar o poder a uma liderança que tenha movimentos populares legítimos em sua base, capazes de pressionar diretamente as instituições. Por isso, Ciro jamais teve por intenção atrair o apoio formal do PT à sua candidatura. Este candidato golpista pretende apenas atrair o eleitorado centrista do PT com uma promessa de desenvolvimentismo supostamente de esquerda. Para tanto, lança mão de todas as armas tradicionais da burguesia: a contratação de um exército de comentaristas de redes sociais, a difusão de notícias falsas e a compra da imprensa hegemônica. Trata-se apenas de mais um candidato abutre, que disputa com voracidade o que acredita serem os despojos políticos do PT.

A revista Carta Capital vinha passando por dificuldades financeiras desde 2017, com o corte dos patrocínios federais. Aparentemente, encontrou uma tábua de salvação na campanha de Ciro Gomes. A última edição impressa da revista trazia uma foto do candidato na capa, acompanhada com o slogan: Ciro vem chegando. Era a capitulação final da revista ao golpismo. O episódio mostra com clareza que a imprensa dos trabalhadores não pode ter financiamento da burguesia. A verdadeira imprensa revolucionária deve ser escrita, editada, impressa e distribuída com os recursos dos próprios trabalhadores organizados.

A candidatura de Ciro pode se travestir de qualquer rótulo: trabalhismo ou desenvolvimentismo. Sua ligação umbilical com a burguesia e sua falta de apoio na classe trabalhadora a torna apenas mais uma alternativa do golpismo internacional, que certamente aprofundará os ataques à população do país, ao seu estado, ao seu patrimônio. Até Merval Pereira, porta-voz da Rede Globo, já anunciou seu apoio a Ciro Steinbutre Gomes.

Não há por isso qualquer alternativa viável para a esquerda senão a unificação resoluta da esquerda em uma mobilização em torno à campanha pela liberdade de Lula e pelo seu direito de concorrer nas eleições de outubro. Sem Lula, o processo eleitoral como um todo é só mais um passo rumo ao aprofundamento do golpe.