Uma política da direita
A esquerda precisa urgentemente sair às ruas contra todos os golpistas, usando seus métodos tradicionais de mobilização
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Carreata em Natal. | Silas Lima.
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Carreata em Natal. | Silas Lima.

Foram chamadas pelas redes sociais, para o fim de semana que passou, carreatas contra Bolsonaro. Dias atrás, também foram chamados panelaços para protestar contra o governo. Os chamados ganharam publicidade da imprensa golpista e contaram com a participação da direita.

A esquerda pequeno-burguesa, para variar, entrou de cabeça no chamado da direita. Quem esteve durante quase todo o ano de 2020 em casa, desmobilizado, com os sindicatos e organizações fechados, se agitou em torno das carreatas como sendo a máxima realização contra o governo Bolsonaro.

O comportamento da esquerda deixa bem claro o problema. Ela está abrindo mão de ter uma política própria e está se anulando na situação política.

Tanto as carreatas como os panelaços são manifestações que favorecem a direita que nesse momento está interessada ao mesmo tempo em pressionar o governo Bolsonaro e desgastá-lo, com vistas a 2022, não derrubá-lo.

A esquerda está agindo como torcedora. Ela não joga o jogo, apenas fica torcendo para que a direita, liderada pelo PSDB, faça alguma coisa contra Bolsonaro. Mas a sua nulidade é tão grande que nem chega a ser aquele torcedor que vai ao estádio e, de um jeito ou de outro, tenta influir na partida, ela é mera espectadora.

O problema é que o PSDB e a direita não estão de fato dispostos a derrubar Bolsonaro. Pelo menos não até terem confiança de que terão alguém para colocar no lugar. Na realidade, estão principalmente preparando esse substituto para as eleições de 2022.

Pior ainda, como fez em 2018, essa direita vai apoiar Bolsonaro novamente se não encontrar esse substituto. E olha que a esquerda está ajudando a promover os possíveis substitutos com a propaganda em torno de João Doria.

As carreatas e panelaços são, portanto, uma maneira da direita canalizar a insatisfação contra Bolsonaro – que de fato existe – num terreno favorável para ela. A direita golpista mantém, assim, a luta sob controle. Para quem tem dúvida e pouca memória, é bom lembrar que os panelaços e as carreatas foram exatamente os métodos usados pela direita para derrubar Dilma.

A esquerda deveria rejeitar essa aliança com os aliados de Bolsonaro que agora querem aparecer como seus adversários e convocar manifestações com seus próprios métodos de luta. É preciso urgentemente ir para as ruas em atos de verdade, chamar o povo a se mobilizar.

E essa mobilização não deve ser apenas contra Bolsonaro, deve ser contra todos os golpistas, que são tão inimigos do povo ou até piores do que Bolsonaro.

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