Atleta atingida pela censura
Carol Solberg, atualmente, se vê sem nenhum patrocínio e banca seus treinos e sua equipe do próprio bolso.
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Campeonato Mundial da FIVB de 2017 em Viena, Áustria. | Foto: Ailura

Num ato de indignação, a atleta Carol Solberg grita “Fora Bolsonaro!” em rede nacional. O fato ocorreu em 20/09/2020, após a disputa pela medalha de bronze na primeira etapa da temporada do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, durante transmissão do canal SporTV.

Desde então, a atleta sofre as consequências de enfrentar o governo fascista. Sua rotina de treinos e competições foi completamente alterada, além disso as perseguições e censura são constantes. Logo após a declaração da atleta, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) divulgou nota criticando seu comportamento, declarando que “Em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar. Aproveitamos ainda para demonstrar toda nossa tristeza e insatisfação”.

Após a nota de censura, foi aberto processo disciplinar e a 1ª Comissão Disciplinar da entidade aplicou uma advertência à atleta, não escondendo que se tratava de um órgão público a serviço da censura e perseguição política. A atleta foi ainda acusada de prejudicar intencionalmente a imagem da CBV e patrocinadores.

Em 16/11, o Tribunal Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) absolveu a atleta, por cinco votos a quatro e derrubou a advertência aplicada em primeira instância.

Mesmo após absolvição, a atleta declarou, em entrevista, que ainda sofria perseguições e ataques, temendo, inclusive, andar nas ruas sozinha.

Ela descreveu seu medo de represálias dizendo que andava nas ruas “com olhos nas costas” e “ligada”, afinal “Esse é um governo que apoia que as pessoas estejam armadas e luta por isso. Isso tudo me deu um medo real e me senti exposta”. Carol, que é atleta do vôlei de praia, teve sua rotina de treinos completamente destruída pelos ataques recebidos, passou a evitar praias e ambientes abertos, preferindo treinar num clube fechado e, consequentemente, prejudicando sua performance.

Vale ressaltar que o episódio não foi um desabafo pontual, a jogadora continua a se manifestar contra o governo e declarou recentemente:

“Temos um governo que trata as minorias sem qualquer política pública. O nosso presidente faz apologia a torturadores. Juntou tudo. Parecia-me muito estranho eu estar ali feliz, enquanto tantas pessoas estavam sofrendo, com o Pantanal em chamas, a Amazônia com recordes de incêndios. Ao longo de toda a competição, esse sentimento estava muito forte em mim. Na hora em que estava dando a entrevista, me veio um grito totalmente espontâneo de indignação e por tudo o que estamos vivendo.”

Por não ter se submetido a perseguição e interesses dos “donos” do voleibol brasileiro, hoje Carol Solberg se vê sem nenhum patrocínio e banca seus treinos e sua equipe do próprio bolso. Todas as empresas que a apoiavam rescindiram os contratos e a atleta não tem perspectivas de conseguir novos apoios.

O que Carol Solberg sofre é fruto do modus operandi comum do grupo no poder. Opositores são perseguidos e silenciados, a classe trabalhadora está alienada de seus direitos básicos, inclusive o de expressar suas opiniões. Além disso, a atleta foi usada por setores da direita, que querem se descolar do governo que elegeram e enganar a população, que usaram a imagem da atleta para “denunciar” a falta de liberdade de expressão, porém não moveram um dedo para apoiá-la.

É primordial a organização da autodefesa da classe trabalhadora. A saída contra a censura e a perseguição é a organização popular.

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