Carneiros na pele de lobos

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Carneiros na pele de lobos:

A “luta” da esquerda pequeno burguesa contra a Reforma da previdência.

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou no último dia 4 de julho o texto do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) para  Proposta de Emenda à Constituição (PEC 006/2019) que desmonta o sistema previdenciário brasileiro, significando caso aprovada no Congresso Nacional  um espetacular roubo dos trabalhadores da história do País.

A disposição dos trabalhadores para lutar contra a destruição desse fundamental direito social e contra o governo Bolsonaro no seu conjunto foi demostrada na vitoriosa Greve Geral de 14 de junho. Entretanto, a política levada a frente pelas direções majoritárias do movimento sindical não potencializou a predisposição para luta demostrada nas mobilizações, muito pelo contrário, acabou por representar um importante freio.

Uma questão elementar é que não se organizou a continuidade mais que necessária das mobilizações após o dia 14 de junho, e em geral procurou-se disfarçar a paralisia, com muito discurso contra a Reforma da Previdência, apresentada como a “ centralidade”, colocando-se inclusive em oposição a luta pelo Fora Bolsonaro e a luta pela liberdade para Lula. Como não poderia deixar de ser os métodos de ação ou melhor de inação demostraram-se completamente ineficazes como “ encher a caixa postal dos deputados” e vigílias em aeroportos.

De todos os partidos e organizações sindicais, os agrupamentos e as lideranças da esquerda pequeno burguesa procuram de maneira ainda mais ruidosa disfarçar a paralisia, na verdade uma profunda capitulação para os golpistas e seus ataques. Dessa forma, os parlamentares do PSOL produzem os discursos mais inflamados, mas inócuos. Além disso, a burocracia sindical vinculada a “ central” do PSTU apresentam a fábula que são os mais “ combativos”.

Se considerarmos a “ mobilização” realizada pelos sindicalistas da CSP para pressionar os deputados e as propostas de “ lutas” proclamadas pelo ex-candidato à Presidência da República pelo PSOL, Guilherme Boulos podemos afirmar sem medo de errar, que a esquerda pequeno burguesa cria para si própria uma fantasia de “luta” e “ combatividade” para escamotear não somente a sua inoperância mas o caráter conciliador da sua política.

Nem mesmo o fracasso da política de pressão sobre os parlamentares na votação do relatório na Comissão Especial da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 006/2019) serviu para alertar Boulos da necessidade de mudar a “ ação”. Assim em um evento realizado em Osasco( SP) com a deputada federal Samia Bomfim ( PSOL-SP) no dia seguinte da votação do parecer, Boulos declarou que agora “ não existe trégua” e que não pode “ haver espaço para pessimismo”, e que os “deputados não vão votar impunimente na Reforma”, pois agora é “ trabalho de base” e no seu clichê tradicional “ vamos colocar os pés no barro” e mobilizar pelo “ Vira voto” ou seja o mais do menos do lobismo de quinta categoria tradicional da esquerda reformista. ( vídeo disponível no perfil de Guilherme Boulos no facebook)

Por sua vez, os sindicalistas da CSP Conlutas tiveram o disparate de afirmar que “ lutam” contra a Reforma da Previdência, pois na madrugada do dia da votação do parecer na Comissão Especial “ pressionaram” os deputados para votarem a votar contra.

“Em vários aeroportos do país, na madrugada desta terça-feira (2), deputados que embarcaram rumo a Brasília foram recepcionados por manifestações que cobraram que os congressistas votem contra a Reforma da Previdência. Com faixas e cartazes, os manifestantes alertaram para os graves ataques da reforma e abordavam os parlamentares.” http://cspconlutas.org.br/2019/07/csp-conlutas-participa-de-mobilizacao-nos-aeroportos-para-pressionar-deputados-a-votar-contra-a-reforma-da-previdencia/

É importante destacar que a esquerda pequeno burguesa “ radical” não representa uma alternativa política real a esquerda reformista, sendo tão somente uma variante da colaboração de classe, apesar da retórica “revolucionária” contra a colaboração de classe. Do ponto de vista dos objetivos políticas, partidos como o PSOL busca seu lugar ao sol ( desculpe o trocadilho) no condomínio institucional do regime burguês. Por isso, a “ luta” proclamada não tem  uma efetividade como politica revolucionária, sendo tão somente uma busca desesperada por cargos em aparatos sindicais e mandatos nos parlamentos.

Partindo dessas considerações, podemos entender o verdadeiro caráter das propostas de “ Luta” de Boulos e atuação “ radical” nos aeroportos dos sindicalistas da CSP Conlutas. Trata-se de um jogo de cena e não de uma luta real, no fundamental o lobismo de Boulos com a inócua campanha “ Vira voto” e a “ pressão” nos aeroportos pelos sindicalistas representam nem mesmo um lobismo, sendo uma mera encenação de luta e combatividade.

No livro A Sagrada Família ou A crítica da Crítica crítica Marx ridiculariza os representantes da chamada Esquerda Hegeliana, demostrando o caráter inoperante da critica critica, que se apresentava como muito radical e destruidora dos mitos e dos poderes, em especial das concepções religiosas absolutistas, mas no fundo era completamente inofensiva.

Do ponto de vista filosófico, mas sobretudo do ponto de vista político, a critica da critica critica visava demostrar a miséria intelectual e pratica de intelectuais que representavam a própria miséria da luta politica na Alemanha na época, ou seja a incapacidade da oposição burguesa e da pequeno burguesia em lutar efetivamente contra a estruturação de dominação vigente. Por isso, para esconder seu caráter inofensivo, os jovens hegelianos apresentavam-se como terríveis, ou seja  ao contrario da fábula do “ Lobo em pele de carneiro”, nos temos  “ carneiros com pele de lobos”.

Essa análise de Marx pode nos ajudar a entender que o “terrível” Boulos e os “ combativos” da CSP/PSTU, como em geral toda a esquerda pequeno burguesa, nada mais são do que uma esquerda domesticada que finge radicalidade, mas não passam de “ carneiros na pele de lobo”.