Carmen Lúcia tem tempo para jantar com a Shell mas não para receber advogado de Lula

O advogado do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no STF (Supremo Tribunal Federal) , Sepúlveda Pertence, pediu há vários dias audiência à presidente daquela instância, Cármen Lúcia e, segundo a imprensa burguesa, divulgou nesta semana, na obteve resposta até  momento.

Pertence tenta agendar uma audiência para argumentar em favor de que o pedido de habeas corpus de Lula seja levado ao plenário do STF.

A demora frusta expectativas do PT que contratou o ex-presidente do STF para a defesa, na expectativa de que este consiga agilizar a tramitação da defesa do ex-presidente, entre outros motivos, pelo fato de que o mesmo é apontado como elemento com amplo acesso junto aos ministros daquela corte, particularmente com a sua presidenta, que tomou posse como ministra, em maio de 2006, apadrinhada pelo ministro Sepúlveda Pertence, que teria alguma proximidade com o então presidente Lula, de quem foi advogado na década de 80, ainda durante a ditadura militar.

Segunda a colunista da golpista Folha de S. Paulo, Monica Bergamo, o PT “acreditava que a corte poderia julgar o caso com rapidez e garantir que o ex-presidente não fosse preso depois do julgamento de seus embargos pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que deve ocorrer em março”.

A pressa da defesa de Lula decorre do fato de que no próximo dia 6 termina o prazo para que o Ministério Público Federal apresente a defesa da condenação de Lula, em resposta aos embargos dos advogados. A partir daí, o TRF-4 pode manter a condenação fraudulenta tal como foi provada e determinar a prisão de Lula, passando por cima da Constituição,  que determina em clausula pétrea, que só haja prisão após sentença final e esgotamento dos recursos da defesa.

A crença de que  a perseguição ao ex-presidente possa ser paralisada pela ação da defesa e por um entendimento de uma maioria – ou pelo menos 50% dos votos do plenário do STF, que tem 11 membros – em muito se assemelha à crença existente à época da deposição golpista da presidenta Dilma Rousseff quando muitos setores da direção petista disseminaram a ideia de que seria possível parar o golpe por meio de um convencimento de uma maioria de deputados e, depois, até dos senadores). Mesmo com a evolução golpista da situação com a atuação cada vez mais reacionária e articulada do judiciário em favor do golpe, ainda persiste em setores da esquerda a ideia de que a criminosa ofensiva golpista e, particularmente, a perseguição à Lula possam ser paralisadas por meio de uma decisão judicial, garantindo-se, desta forma, o direito de Lula ser candidato e a possibilidade de sua eleição, com o consentimento – ainda que a contragosto – de setores fundamentais da direita golpista, como é  caso do próprio judiciário, das forças armadas etc.

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Tempo de sobra: Carmen Lúcia jantando com executivos da Shell, da Coca-Cola e da Globo

A ministra Carmem Lúcia que  “não tem tempo” para receber o ilustre advogado de Lula, é mesma que encontrou tempo para atacar, semanas atrás,  a possibilidade de que o Supremo Tribunal Federal (STF) rever a prisão após condenação em segunda instância depois da condenação do ex-presidente Lula no TRF-4, quando participava de jantar no qual estavam presentes alguns representantes das principais empresas patrocinadoras do golpe de estado como os executivos André Araújo (presidente da Shell no Brasil), André Clark (presidente da Siemens no Brasil), Camilla Tápias (vice-presidente de Assuntos Corporativos da Telefônica Vivo), Victor Bicca (diretor de Relações Governamentais da Coca-Cola Brasil), Júlia Ivantes e Delcio Sandi (Relações Institucionais da Souza Cruz).

Na oportunidade, a presidenta do STF golpista declarou não saber  “por que um caso específico geraria uma pauta diferente. Seria realmente apequenar muito o Supremo. Não conversei sobre isso com ninguém”.