PCO e Carlos Guida
O PCO em Volta Redonda, é também uma denúncia contra a privatização, a exemplo da destruição operada com a entrega da CSN por Collor, dando mostra do triste destino.
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Carlos, panfletagem das eleições em Volta Redonda. | Diretório VR

Na entrevista de hoje, apresentamos o candidato Carlos Guida, que concorre pelo PCO, ao cargo de vereador da cidade de Volta Redonda, do interior do Estado do Rio de Janeiro. Guida, como é comumente tratado, é militante no partido desde 2017. Atualmente faz parte do Diário Causa Operária como um dos vários redatores, além de participar da COTV, onde colabora com vinhetas e coisas do gênero.

Diz ele que o profissionalismo da organização no sentido de levar ao público uma imprensa operária, sempre atualizada e afinada com a visão marxista, esta ótica tão especial e precisa, é um diferencial que justifica todo o esforço e dedicação do partido, e um legado inestimável, servido de um acervo de notícias, que registrou e continua registrando, a história do Brasil e do mundo, pelo menos desde 1979, quando surgiu o jornal impresso, o Jornal Causa Operária.

DCO: Como você conheceu o PCO?

Carlos Guida: Sempre tive um envolvimento com a política, com muita simpatia pelo PT, mas sem assumir uma militância, concentrava minha preocupação no ganho financeiro. Tive uma passagem próxima do sindicalismo, no setor da educação, e depois como assessor do PV, trabalhei na Câmara Legislativa. Mas, até esse momento, não tinha nenhum compromisso com a luta de classes. Foi assim até 2013.

Depois de 2013, as coisas foram mudando. A mobilização nacional acabou me afetando. Em Volta Redonda, houve uma crescente onda de mobilizações e greve que avançavam com o setor da Educação mesmo depois de 2013. Tanto o Município quanto o Estado, não davam a mínima para o funcionalismo público. Minha esposa fez parte da mobilização. Já aproximando da aposentadoria, contando 25 anos trabalhando como professora do município, ela se lamentava muito de ganhar salário mínimo, e de ter que se aposentar com ele.

Com a pauta da educação e as questões da aposentadoria, cresceu minha necessidade de estar mais presente nas questões políticas, e de forma mais direta. Foi quando decidi estudar o marxismo para entender melhor.

Durante a faculdade de Direito, conheci o casal Eliane e João Catta Preta com quem convivi, e convivo até hoje. Através deles, busquei a literatura revolucionária do marxismo. Foi quando conheci os escritos do partido, cursos em vídeo do companheiro Rui, e me aproximei da história do PCO em Volta Redonda, até então pouco conhecida por mim.

Nossos laços foram se estreitando, e acabei trabalhando junto com a Eliane e o João Catta Preta, ambos advogados. Daí em diante, o interesse pela política se transformou em um necessidade de buscar o partido e a filiação. E foi o que fiz, acho que foi no final de 2016.

DCO: Qual a sua a sua área de trabalho?

Carlos Guida: No direito, atuei muito na trabalhista. Hoje sofro um pouco por conta da reforma trabalhista que contribuiu bastante para diminuição de casos no escritório. Por isso tive que me voltar para outras áreas. Com a destruição da CLT, o trabalhador ficou muito exposto na justiça do trabalho, e isso trouxe muita desistências de reclamações trabalhistas.

DCO: Como se sente representando o PCO nas eleições de Volta Redonda?

Carlos Guida: É uma honra para mim. Carregar o nome do partido é um privilégio que tenho, e uma responsabilidade imensa da qual me esforço por merecer. A princípio aprimorando a leitura, e participando dos cursos que o partido oferece, e, é claro, buscando uma militância imbricada com os movimentos sociais da cidade, dos quais, o sindicalismo tem se destacado, principalmente do setor metalúrgico.

O trabalho por ocasião das eleições representa uma pequena parcela do que fazemos em Volta Redonda, cujo esforço tem sido o de organizar os operários do setor metal-mecânico, que é o mais expressivo que temos. Outros como os Correios, o pessoal da Saúde, e da Educação, não tem recebido tanto a atenção que temos dado ao metal-mecânico, mas não passam despercebidos. Como não temos um núcleo bem formado com vários militantes, somos em 4 somente, não conseguimos ter condições de abraçar muitas tarefas.

Ao lado delas, também temos as tarefas do partido, os atos, a panfletagem e a venda do jornal, onde buscamos motivar os trabalhadores a se organizarem e se centrarem pelo partido. São as tarefas de costumes, junto com as bases, e que temos a certeza de ser o único caminho para alcançar uma real mobilização dos vários setores.

Nas eleições divulgamos o nome do partido, e pedimos um voto de confiança na nossa política. O  Fora Bolsonaro, e a frente de esquerda para resgatar os direitos políticos de Lula, para conduzi-lo à presidência em 2022, tem sido uma luta contra os políticos carreirista, e o clientelismo do toma lá dá cá que envolve a todos por aqui, mesmo com os da esquerda. Se preocupam com quem tem chance de ser eleito, ao que eu tenho respondido como de costume, que não vai haver nenhuma mudança significativa pela via institucional e isso inclui o parlamento, mesmo que elejam a esquerda. Mas eles dizem: temos que ocupar os espaços. E eu pergunto; negociando com a direita?! Por que o parlamento é da direita. E, em cidades como a nossa, temos uma subserviência à CSN. Não só da prefeitura e da Câmara, como também do Sindicato. O que evidencia ainda mais a necessidade de um trabalho com as bases, e do acerto de buscar a solução contra o aprofundamento do golpe de 16, com uma política de âmbito nacional.

E é com esse espírito que chegamos às eleições.

DCO: Quais os principais pontos do programa do PCO?

Carlos Guida – Nós somos de uma cidade que conhece os problemas pós privatização. Perdemos muito na cidade. A CSN veio para cá, e com ela uma cidade cresceu à sua volta, e foi concebida pelo fruto da revolução burguesa de 30 que se deu no país, e pelo esforço de milhões de trabalhadores que o empurraram Getúlio e uma política nacionalista ao Brasil.

Com a CSN, uma cidade pensada no trabalhador foi construída. Tínhamos, o Recreio, Clube dos Funcionários da CSN, tínhamos o Hospital da CSN, onde nasci, um Centro de Puericultura, tínhamos a Cooperativa da CSN, o mercado onde comprávamos os mantimentos, tínhamos a Cecisa, Imobiliária da CSN que construiu casas e apartamentos e financiou para o trabalhador de maneira que pudesse comprar. Tínhamos a Escola Técnica, que funcionava preparando o trabalhador para entrar na Usina. Hoje, com a privatização, os trabalhadores perderam isso tudo.

A Câmara Legislativa, inclusive, começou a trabalhar com a ideia de um plano diretor para a cidade, tirando de foco o setor metalúrgico, e se voltando para o crescimento do comércio, e a expansão da cidade em torno disso. Com isso, muitos funcionários da CSN, de bairros inteiros que foram sendo desempregados, foram perdendo a atenção do plano diretor, e sendo deixados de lado.

Isso faz com que tenhamos, na defesa da reestatização da CSN, ou a luta contra a privatização do SUS, dos Correios, e do Ensino Público, um retorno muito concreto diante da discussão sobre as consequências da privatização. Com a pandemia isso também ficou mais evidenciado.

Na saúde, a preocupação de buscar o atendimento e não ter teste para fazer, e ser empurrado para casa com a azitromicina, sem saber se estava ou não contaminado, foi e é um desastre. Os trabalhadores que não puderam parar ou fazer o isolamento, também sentiram quando as empresas começaram a demitir tirando, inclusive, o plano de saúde, ou, quando tinham que buscar o SUS, ou quando tinham que trabalhar sem as condições necessárias para isso.

Com o Ensino Público a mesma coisa. Os professores reclamam melhores condições, e o Município, tanto quanto o Estado, quer retomar as aulas presenciais, pressionado pelo capital que lucra com o setor, e o ensino privado. A categoria entrou em greve. E o partido tem se posicionado contra o EAD, que por um lado colocou o profissional numa jornada maluca de “youtuber”, com plataforma digital, sem equipamento ou internet oferecida para trabalho, e tendo que atender os pais e as diretoras direto pelo aplicativo de celular, sem sossego e descanso, e se dividindo entre tarefas da plataforma, e tarefas para os alunos que não têm computador ou internet. Por outro lado, o aluno, muitos que não tem o equipamento, recebem apostilas para aprender a matéria. Bom, no final das contas, o profissional não consegue ensinar, nem o aluno a aprender.  E todos querem ignorar isso, virando o ano com uma recuperação que não é nada mais do que uma desculpa para a volta às aulas, com a perspectiva de passar todo mundo mais para motivar o retorno, sem qualquer preocupação com o aprendizado ou a saúde.

O partido tem defendido que as aulas presenciais não podem voltar sem as vacinas, nem o EAD pode seguir dessa maneira.

Nós temos feito as panfletagens em feiras, e na porta da CSN, também de porta em porta, nos bairros que temos mais contato, e temos conversado com as pessoas sobre essa realidade, levando a política e divulgando o programa do partido. E a recepção é muito boa. Mas tem sempre a descrença de muitos que dizem que na época de eleição é assim, todo mundo aparece para pedir o voto, mas depois desaparece e não se vê promessa nenhuma cumprida.

Mas nós temos procurado combater isso falando a verdade e explicando, pelo viés político, como a gente pode fugir disso, com um plano de trabalho que envolva a comunidade, com a criação de comitês de bairro, podendo, inclusive, conjugar o trabalho com a associação do bairro ou não, quando ela for omissa, lutando por torná-la mais ativa, mas delimitando bem os problemas, principalmente os imediatos de falta de material para se higienizar contra a pandemia, mobilizando todos numa campanha para exigir do poder público a assistência devida.

DCO: Quais suas palavras finais?

Fiquei muito feliz por ter essa grata experiência de uma eleição centralizada pelo partido como estamos tendo, e se desenvolvendo com um fundo que patrocine a todos de forma igualitária; com uma voz dada ao partido e não ao candidato, fugindo do personalismo, de forma coerente com a política que o partido tem trazido no dia a dia, e que defende a mobilização da sociedade contra o parlamentarismo burguês, carreirista e clientelista. Só essa experiência pra mim já valeu muito! Valeu demais a participação nesse processo, e eu tenho muito orgulho de ter vivido isso com meu partido. Ela vem coroar toda a nossa prática que tem sido no sentido de criticar o sistema que aí está, corrompido e sem função alguma que traduza o esforço e a mobilização das pessoas para melhorar as suas vidas.

Sei que isso pegou muita gente de jeito, nova no partido, que já entrou nessa eleição como candidato. Mas, o partido é isso mesmo. Somos nós nos despindo das várias máscaras de pequenos burgueses que contamina a nossa vida e nos prende a valores dessa raça ruim que é a burguesia. É o partido nos educando e ensinando a olhar a realidade como ela é, e lutar pelos valores que só se aprende absorvendo o socialismo e o comunismo.

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