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Antônio Carlos Silva

Olha a eleição, olha a fraude

Cara, cadê o meu voto?

Em 2020 se deu uma das mais fraudulentas eleições que o Brasil já teve, resultando em uma fraude aberta contra a esquerda

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Em comparação às eleições de 2016, o PCO, nestas eleições, teve quase 50% a menos dos votos registrados oficialmente, com mais campanha e mais candidatos (mais que o dobro), mesmo assim, menos votos.

É preciso dizer, ainda, que alguns casos são completamente misteriosos, como o do candidato Victor Assis, em Recife (PE), que, tendo constado na urna, não apareceu sequer em apuração. O mesmo aconteceu com Caio Túlio, candidato à prefeitura de Mauá (SP), também, embora em urna, fora da apuração. Ninguém sabe quantos votos eles tiveram, e ninguém sabe informar. 

Em uma ligação que fiz ao cartório eleitoral, fui informado que não tinha importância o número de votos, já que não teriam sido eleitos (!). O deboche e maus tratos nos cartórios eleitorais (em sua maioria) contra militantes do PCO foi uma tônica nestas eleições. Tivemos o caso de Maceió (AL), que a candidata Nina Tenório simplesmente não teve seu registro de candidatura aceito porque o cartório não quis. Já neste cartório, o funcionário bolsonarista disse “o PCO não existe aqui!”, em tom de ameaça.

Uma companheira, da região do ABC de São Paulo, me relatou, quando eu lhe disse que ela tinha recebido pouco mais de 60 votos: “Essa foi a numeração até 37% dos votos contados! Impossível não ter mais nenhum votinho!!! Juliano, o pessoal que votou em mim está indignado porque estavam acompanhando a contagem de votos!” Orientei juntar o pessoal e ir ao cartório eleitoral protestar.

Efetivamente, pelos números gerais, é perceptível que a fraude correu solta nas eleições. A gente fica por entender como funciona o detalhe do golpe, mas não é possível que tantas ocorrências sejam registradas e tão poucos votos no PCO e na esquerda como PCB e PSTU, que também tiveram quedas drásticas de votação de 2016 para cá.

A jogada é relativamente simples: amanhã ou depois, algum ministro biônico do Tribunal Superior Eleitoral irá dizer que esses partidos “não possuem representatividade”, e que não devem compor o leque dos partidos legais. O que vai resultar na cassação destas e outras agremiações políticas. Sem mencionar os direitos já cassados, como o tempo de rádio e televisão, além do fundo partidário, que tem como objetivo estrangular esses partidos.

A boa e velha máquina de eleição da burguesia volta a funcionar normalmente, mesmo com as centenas de leis de combate à corrupção, que só serviram para manter a direita no poder, com Bolsonaro, e o ex-presidente da República, Lula, preso.

Uma informação que tive, por exemplo, é que determinados candidatos da direita estavam oferecendo R$ 100,00 para pessoas carentes realizarem boca-de-urna no dia 15, pagando para que um terceiro enfrente o perigo de ser preso. 

Também fui informado que carros estavam sendo colocados à disposição para que as pessoas pudessem votar em tal ou qual candidato. Deve ter acontecido tudo que sempre acontece em eleição, e a fraude é uma das tradições das eleições burguesas. 

Tudo deve estar, evidentemente, dentro da lei, pois quem tem as contas fiscalizadas até o último centavo, é o PCO, mesmo que não tenham centavos a fiscalizar, como é o caso dos nossos candidatos, todos eles.

O eleitor do PCO, com ou sem o voto computado (e não dá para saber) deve, mesmo, se revoltar. 

Na verdade, deve aproveitar a raiva e se juntar a nós. Compor nossas fileiras de militantes, integrar nossas células, e aprofundar a luta pela derrubada dos golpistas, que estão em todos os lugares, especialmente na Justiça Eleitoral, que sequer é eleita.

Nesse sentido, o voto no PCO é, em si, um voto de partido, uma adesão a um programa de luta estabelecido e claro, e é esse aspecto que deve ser aproveitado para a luta do próximo período.

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