Coletivo João Cândido
Série de entrevistas com mestres e capoeiristas faz parte da campanha do coletivo de negros do PCO em defesa da capoeira.
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Mestre Limãozinho no 1º Encontro da Capoeira no Samba de Roda em SP | Foto: Reprodução
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Mestre Limãozinho no 1º Encontro da Capoeira no Samba de Roda em SP | Foto: Reprodução

O Coletivo João Cândido iniciou o ano com uma campanha em torna da defesa da capoeira. O coletivo fará uma série de entrevistas, artigos e inúmeras atividades em torno da divulgação e estimulo da prática da capoeira como uma luta fundamental para a autodefesa da população.

Leia abaixo

Mestre Limãozinho, conte-nos sobre você?

Salve a todos e a todas
Nasci em Salvador, no bairro do Rio Vermelho no Hospital Anita Costa hoje não existente.
Meu nome é José Carlos do Santos, nome dado na pia batismal em Santo Amaro da Purificação. Nasci em 15 de Setembro de 1957.

Como a capoeira passou a fazer parte da sua vida. De onde vem seu apelido Mestre Limãozinho?

Iniciei na capoeira com oito anos de idade. Levado pelo meu Mestre Paulo Limão a ensinar essa grande e maravilhosa arte que é a Capoeira de Angola.
Por ser seu discípulo, tenho o apelido de Limãozinho que foi dado pelo meu Mestre, que se chamava Paulo Limão.

Desde então, como a capoeira está presente na sua vida?

A capoeira na minha vida é tudo. A capoeira foi que me deu meus aprendizados. A capoeira foi que me deu minha família. A capoeira que me deu a minha profissão.
A minha primeira profissão, é de motorista profissional. A minha segunda profissão é: Educador e Mestre de Capoeira. Fui formado no ano de 1972, no dia 3 de dezembro.

Você tem o seu próprio grupo, como estão as atividades hoje?

Formei meu primeiro grupo através de meu Mestre Paulo Limão e dei o nome de Capoeira Quilombinho. Depois com o passar do tempo, estagiando e aprendendo a maestria eu criei o grupo TOCA Terreiro Original de Capoeira Angola Centro de Cultura e Arte.
Onde sigo desenvolvendo meu trabalho ao longo desses anos, mostrando a grandeza que é a Capoeira; socializando jovens crianças e adultos.
Tenho trabalho num órgão chamado Fábrica de Cultura. É um órgão governamental onde sou registrado como Mestre de Capoeira no atelier da Fábrica de Cultura do Capão Redondo. Também dentro da minha capacitação de estudo e aprimoramento, estou no segundo ano de curso de educação física, pela Faculdade Paulistana em São Paulo.

São muitos anos como capoeirista, como é no dia a dia?

Trago a capoeira como a minha filosofia de vida. Trago a capoeira como meus estudos, a capoeira foi pra mim minha grande faculdade, minha grande escola. Eu aprendi a ler e escrever dentro da capoeira. Aprendi a caminhar dentro da capoeira, aprendendo e ensinando.
Nos ensinamentos da capoeira angola e dentro da cultura afro brasileira tive a oportunidade de viajar para a Europa. Na Espanha, em Barcelona ministrando aula de capoeira e samba de roda em um evento chamado de Diálogos do Grupo Banzo Senzala.
Através dos trabalhos fui contemplado com o prêmio Berimbau de Ouro 2020 considerado o Oscar da Capoeira um reconhecimento pelos trabalhos de acolhimento aos jovens da periferia de São Paulo no bairro do Capão Redondo. Ensinando a Capoeira Angola, Samba de Roda, Maculelê e artesanato Afro Brasileiro nessas disciplinas.

Nós sabemos que muito da história da capoeira não está nos livros. O mestre tem algum momento marcante pra compartilhar com a gente? 

Tem uma história  bonita dentro da capoeira, foi uma passagem com um grande mestre, chamado Mestre Francisco Quarenta e Cinco. Num evento eu vi a palavra dele dentro do jogo capoeira. Ao qual ele num piscar de olhos, numa rapidez tremenda que meus olhos não conseguiam acompanhar. Ele sacou, puxou uma navalha e mostrou no jogo. Depois, mostrando falou  para o adversário que jogava com ele: “ Você é uma jóia pra mim, jamais vou te ferir. Você só precisa ser lapidado.”Aquilo me deixou muito curioso. Fiquei extasiado com aquela rapidez. Ver aquele mestre fazer aquilo com uma rapidez total! Sem ninguém saber de onde tirou!? Mostrando qual é o perigo que tem na capoeira e a beleza que tem a capoeira sabendo usar.

Como você vê o futuro da capoeira? Deixe sua mensagem para futuras gerações de capoeiristas.

 Vejo um grande futuro pra capoeira. Pra esses jovens que estão aí que estão labutando pra capoeira. Estão aí transitando nesse território mostrando seus saberes que aprendeu com seus mestres. Só espero que levem a frente a capoeira como muitos vem levando aqui. Espero que cuidem bem da capoeira e cuidem bem de todos os mestres também. Principalmente dos mestres mais velhos. Porque eles são o baú da sabedoria.  São eles as mentes sabias para poder passar os ensinamentos.

Deixo aqui uma grande mensagem pra vocês jovens, discípulos que vem dando seus ensinamentos dentro da capoeira: 

“Traga o berimbau como uma caneta

Traga a roda de capoeira como um livro, porque  nele você vai escrever suas historias”

Um grande abraço e um grande axe para todos vocês!

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É mestre, capoeirista e quer conhecer e participar do Coletivo João Cândido? Entre em contato pelo (11) 952088335

 

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