Soberania ameaçada
Presidente da Reforest’Action tenta legitimar interesse do imperialismo francês sobre a Amazônia através de argumentos moralistas
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Imagem de satélite da Floresta Amazônica | Foto: Inpe

O presidente da Reforest’Action, Stéphane Hallaire, nesta quinta-feira (6), na sua coluna no jornal Les Échos, afirma que as empresas podem salvar a Amazônia. A afirmativa dá a impressão de que a Amazônia está sendo desmatada por uma força alheia ao capitalismo e que, portanto, os capitalistas devem “salvá-la”.

Deve-se denunciar a tentativa fajuta do porta-voz dos capitalistas franceses de colocar a culpa do desmatamento na incapacidade do Estado brasileiro, pois sabe-se bem que o Estado brasileiro é, históricamente, subserviente aos interesses do imperialismo, o francês incluído. Seria como pedir ajuda dos chefes de organização criminosa para lidar com os peões que ele mesmo controla.

O desmatamento da Amazônia ocorre por causa do capitalismo e dos capitalistas. Portanto, trata-se de cinismo puro querer que as empresas “salvem” a Amazônia. O autor diz, com as mesmas boas intenções as quais o inferno está cheio, que as empresas têm a capacidade, interesse e responsabilidade histórica para financiarem o reflorestamento da Amazônia.

Que as empresas têm a capacidade financeira para reflorestar não só a Amazônia, como boa parte do planeta, isto não é mentira. Todavia, que elas têm interesse altruísta em fazê-lo é, se não, o que há de mais falso. Ainda mais que este altruísmo esteja pautado em razões somente moralistas como uma dita “responsabilidade histórica”. Moralismos estes só servem como propaganda para o acadelamento de setores pequeno-burgueses iludidos pelo “conto do vigário” propagandeado pela burguesia, algo do mesmo quilate do conhecido “as instituições democráticas estão funcionando”.

A literatura de Marx e Engels é rica em demonstrar que os capitalistas, a burguesia, são um caso excepcional na história justamente por rejeitarem os moralismos vigentes em troca do lucro. Para a burguesia, o único interesse é o acúmulo de capital. Portanto, é uma contradição esperar que, de uma hora para outra, haverá interesse algum em cumprir uma “responsabilidade histórica”. Esta responsabilidade só será cumprida se acompanhada de algum lucro ou de redução de perdas que justifique o investimento. Qualquer coisa fora disto é ficção barata ou má-fé em larga escala.

Também é utilizado o argumento do aquecimento global para dar um aspecto “científico” a intervenção do capitalismo na Amazônia. Porém, logo fica claro todo viés ideológico por trás ao dizer que as riquezas são criadas pelas empresas e que os Estados utilizam estas riquezas através de impostos. Porém, as tais riquezas são criadas pelos trabalhadores, tendo as empresas papel de expropriá-las através do controle dos meios de produção. Os impostos coletados pelo Estado são, no fim das contas, migalhas derrubadas das mesas fartas dos capitalistas e não um sequestro destas riquezas.

O que a coluna do presidente da Reforest’Action significa é que há interesse – econômico, sempre – do imperialismo francês em controlar, em todo ou em parte, a Amazônia. Para isto, tentarão, como fica claro no texto, legitimar a sua intervenção utilizando-se dos mais falsos argumentos e apelando para o sentimentalismo, o moralismo e a “ciência”.

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