Trumpista Até o Fim
Único país a apoiar Trump contra a OMS, Brasil não consegue explicar o motivo
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Donald Trump recebe Bolsonaro e sua comitiva em Washington (2019) | Alan Santos/PR

Na semana passada, ocorreu o Terceiro Comitê da Assembleia Geral da ONU, onde foi votado uma resolução em apoio a OMS sobre “o fortalecimento nacional e internacional da resposta ao impacto da pandemia sobre mulheres e meninas”. Na oportunidade o governo Trump reafirmou sua determinação em romper com a entidade contrapondo-se ao texto da resolução.

O republicano apresentou proposta de emenda que retirava do texto original todo um parágrafo no qual os governos das nações membro reconheciam “o mandato constitucional da Organização Mundial da Saúde de agir como autoridade de direção e coordenação do trabalho internacional no domínio da saúde, e reconhecendo o seu papel-chave de liderança no âmbito da resposta mais vasta das Nações Unidas”.

A proposta de Washington foi rechaçada por 161 votos contra, 5 abstenções e apenas 1 voto de apoio, o voto do governo Bolsonaro. Mesmo outras nações historicamente ligadas ou dominadas pelos Estados Unidos se opuseram a proposta de Trump, o que não é surpresa, afinal nações como Israel, Japão e a União Europeia seguem os Estados Unidos nos interesses do imperialismo e não nos interesses de Trump. O presidente eleito, Joe Biden, já se comprometeu em levar os EUA de volta a OMS em 2021.

Para Bolsonaro, Trump é uma espécia de bússola ideológica que o guia, seu verdadeiro guru. Uma prova inconteste desta devoção é a posição assumida pelo Brasil como única nação do mundo a apoiar proposta dos Estados Unidos em rebaixar a importância da Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma liderança mundial no campo da saúde.

Bolsonaro e sua diplomacia ignoram tudo isso, para eles as questões de equilíbrio de forças geopolíticas que balizam as relações internacionais inexistem, e assim ficam presos a questões de preferencias personalistas sem nenhuma importância, como muito bem expressa o voto brasileiro e o não reconhecimento da derrota de Trump na eleição. Bolsonaro tem sido um papagaio dos discursos de Trump em várias questões, assumiu o papel de defensor da Cloroquina, atuou ativamente no golpe na Bolívia, defendeu a invasão da Venezuela e até hoje repercute o discurso de que a China é responsável pela pandemia.

Como poderíamos esperar, o Itamaraty não conseguiu explicar por que acompanhou o voto dos EUA e a luta do governo Trump contra a OMS e os setores da burguesia mais ligados ao imperialismo, o que demonstra que o voto é apenas uma demonstração da predileção de Bolsonaro por Trump e nada mais que isso.

A oposição de Trump e Bolsonaro à OMS não significa contudo, que esta entidade seja o expressão acabada dos interesses populares mundiais em questão de saúde, muito pelo contrário. A OMS é um dentre os muitos organismos do imperialismo internacional. Recentemente o diretor-geral da Federação Internacional da Indústria Farmacêutica, Thomas Cueni, afirmou que a OMS toma decisões com base em “considerações políticas”, uma espécie de confissão da indústria farmacêutica, que sempre apoiou a entidade, de que a atuação do organismo internacional é muito mais pautado na política do que em critérios científicos.

A transparência da OMS também foi questionada por Thomas Cueni, que acusou a entidade de manipular a auditoria realizada para apurar a sua atuação na pandemia de Covid. Segundo ele, o comitê independente formado para realizar o trabalho de auditoria foi escolhido pelo próprio diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

A atuação da OMS na crise do Covid-19 foi alvo de críticas de diversas nações como a China, países da América Latina e Europa que consideram a necessidade de reformas na entidade, apesar disso consideram importante o seu fortalecimento como norteadora de ações de saúde em âmbito planetário.

O naniquismo intelectual do bolsonarismo em geopolítica coloca em evidência a contradição entre o pseudomonadalismo e a subserviência aberta ao imperialismo de Bolsonaro, o que dificulta prevê como se dará a transição da relação de Brasília com Washington face a nova administração Biden no próximo período, neste quesito, a frente ampla tem uma posição muito mais definida, pois ao contrário de Bolsonaro, os golpistas, que são a cabeça oculta sob a máscara de esquerda da frente ampla, sabem muito bem a quem servem e por isso são muito mais nocivos aos interesses dos trabalhadores.

O problema da submissão do Brasil ao imperialismo portanto, só pode ser enfrentado por um enfrentamento direto ao bolsonarismo, não pela frente ampla, também conhecida como plano Biden, mas por uma frente de esquerda, popular, apoiada na insatisfação do povo e priorizando a movimentação das amplas massas de trabalhadores em greves e atos de protestos, este potencial está latente e precisa ser despertado.

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