Não é meramente eleitoral
A luta pela independência de classe dos trabalhadores passa pela mobilização pelo direito de Lula ser candidato, contra a vontade da direita golpista e a frente ampla
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Eleição sem Lula é fraude
A fraude eleitoral contra Lula é o fator mais escandaloso do golpe | Arquivo.

O PCO e outros setores da esquerda levantaram a palavra de ordem de “Lula ou nada” nas eleições de 2018. Agora, o PCO lançou a campanha pela candidatura de Lula em 2022.

A maior parte da esquerda se recusa a enxergar o óbvio sobre o que aconteceu em 2018 nas eleições presidenciais. A vitória de Bolsonaro é resultado de uma fraude. Uma fraude escancarada que retirou o candidato popular do pleito, colocando-o na cadeia por acusações falsas.

Mesmo diante dessa fraude eleitoral intensa, ninguém da esquerda denuncia nada, o que mostra a completa adaptação à política da direita. Não faz parte do clubinho de bem pensantes da classe média atacar a fraude. Os bem pensantes são aqueles que seguem à risca as orientações da burguesia, em particular sua ala mais poderosa, o imperialismo. Toda a esquerda deixa passar a fraude, não abre a boca para denunciar e desmascarar o que acontece, legitimando assim o processo fraudulento e golpista.

Prova dessa adaptação da esquerda bem pensante é que diante da eleição na Venezuela, vários setores esquerdistas seguiram a política do imperialismo criticando uma suposta falta de democracia no País, ao mesmo tempo em que fecham os olhos para a falta de democracia no Brasil. Boulos, por exemplo, afirmou que a Venezuela “não é um modelo de democracia”. Criticar a Venezuela faz parte das ideias dos bem pensantes educados pela revista Veja, Folha de S. Paulo e rede Globo.

Ao contrário, a esquerda ignora o golpe de Estado e prefere colocar a culpa no povo ou atribuir o resultado a determinados aspectos secundários – como o caso das chamadas “fake news”. Essa consideração fez com que a esquerda demorasse para chamar o fora Bolsonaro – e em certo sentido até hoje não leve adiante seriamente tal política – legitimando o processo fraudulento.

O próprio PT cometeu o erro de aceitar a fraude e fazer a vontade da direita golpista não levando adiante até o fim a candidatura de Lula, o que abriria uma crise nas eleições e no regime político. O Partido abandonou a palavra de ordem de “Lula ou nada” – que se mostrou mero discurso – e lançou Fernando Haddad.

A mesma fraude escandalosa está sendo preparada para 2022. Pelo desenrolar da situação, parte da esquerda se prepara para mais uma vez capitular diante dos golpistas. As manobras da frente ampla tem como objetivo central isolar Lula e assim novamente entregar a eleição para a direita, seja apoiando diretamente um candidato golpista, seja substituindo Lula por um nome que obviamente não tem a popularidade do ex-presidente e seria apenas escolhido para perder e reconhecer a vitória da direita, como em 2018.

A fraude de 2022 está anunciada. O principal candidato está, até o momento, impedido de participar da eleição pelas mesmas medidas fraudulentas de 2018, processos forjados para impedir a candidatura e a eleição de Lula.

Em primeiro lugar, concordando ou não com a política de Lula, é obrigação de qualquer um que se diz de esquerda ou minimamente progressista defender seu direito político. Mas a coisa vai além disso. Defender o direito de Lula ser candidato é parte de um enfrentamento necessário contra o regime golpista.

O PCO lançou oficialmente a campanha pela candidatura de Lula em 2022. É preciso explicar um problema essencial: não se trata da eleição em si, ou seja, não é um problema eleitoral como tende a pensar a esquerda, acostumada com uma política institucional.

Ao defender a candidatura de Lula, o que está em jogo é uma luta entre as forças populares, de um lado contra a burguesia golpista e o imperialismo, de outro. Trata-se de opor ao bloco golpista uma saída popular para as eleições, que a burguesia não quer aceitar e que portanto coloca naturalmente as forças populares em conflito com o regime.

É preciso desmascarar o que está acontecendo no País. Denunciar a fraude contra Lula e contra o povo. Até agora, no entanto, a esquerda quando fala de Lula não passa da demagogia, de frases soltas, enquanto articula uma “alternativa” diante da ofensiva da burguesia contra o ex-presidente.

Diferente do que acredita a esquerda pequeno-burguesa institucional, a eleição não é decisiva. No entanto, se o povo se mobilizar contra uma fraude eleitoral tão absurda, é possível ter uma alavanca para uma mobilização maior contra o regime. O resultado, até mesmo eleitoral, só pode ser conseguido por meio da mobilização.

Ao lançar a política de Lula candidato, o que a esquerda deve pretender é uma luta concreta, uma luta real contra o golpe de Estado que é obra do conjunto da burguesia.

A eleição presidencial é a manifestação mais escandalosa do golpe de Estado. À medida que se desenvolve a situação, a perseguição contra Lula fica ainda mais evidente. Chamar as organizações populares e o povo a defender a candidatura de Lula é chamar a se insurgir contra o golpe.

A esquerda está muito preocupada com as eleições. Jogou-se nas eleições municipais mesmo diante da evidente fraude e manipulação da direita golpista. O resultado catastrófico não foi o suficiente para a esquerda acordar. Na realidade, setores como PSOL estão acreditando na propaganda da burguesia de que ele seria o substituto de PT e Lula. Fica claro que a intenção da burguesia é deixar Lula de fora das eleições com o apoio da esquerda.

Mesmo diante da escandalosa manipulação, a esquerda começa a se articular para 2022, sem levar em conta a fraude, como se o problema fosse apresentar o “melhor candidato” e não mobilizar o povo. Essa política segue o caminho apresentado em todas as questões cruciais da situação política: ficar a reboque da direita. No caso do coronavírus, na luta contra Bolsonaro, nas arbitrariedades do regime político, agora nas eleições do Congresso Nacional. A esquerda em todas essas questões se coloca a reboque dos golpistas e parte dela, os que defendem a frente ampla, quer levar os golpistas ao poder em nome de que seriam democráticos, o que seria desastroso para os trabalhadores brasileiros, justamente porque anula a esquerda e a independência de classe.

A luta pelos direitos políticos de Lula e sua candidatura, aliada obviamente à luta pela derrubada de Bolsonaro e todos os golpistas é o caminho possível para essa independência de classe. A candidatura de Lula e a luta por seus direitos devem servir como uma alavanca para impulsionar a mobilização do povo.

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