Eleições 2020
a esquerda lança candidatos policiais e delegados imitando a direita
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Candidato a vice prefeito no Rio de Janeiro, coronel Ibis Pereira, ex-comandante geral da PM-RJ | arquivo

Nestas eleições municipais de 2020, de acordo com os dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aumentou em praticamente todas as regiões o número de candidaturas de policiais militares, civis e membros das Forças Armadas em relação aos dados da última eleição municipal, ocorrida em 2016. Agora, são 388 candidatos a prefeito contra os 188 de quatro anos atrás.

A direita e a extrema direita sempre falaram em “segurança pública”, que é, na realidade, a defesa da violência da polícia no suposto combate à “criminalidade” como mote para atrair o voto do desespero social, em especial das classes médias. Além disso, a bancada da bala, formada por policiais e agentes repressivos tem crescido na mesma proporção da crise social, não só no congresso nacional, mas nas câmaras legislativas em níveis estaduais e municipais. A maioria dos candidatos policiais é filiada aos partidos de direita. Entretanto, os partidos de esquerda têm nos últimos, após o golpe de Estado de 2016, apresentado inúmeros representantes da “segurança pública” como postulantes a cargos no legislativo e no executivo.

Em capitais importantes, o PT registrou candidatos representantes do aparato repressivo. Em Goiana, o partido apresenta a ex-delegada Adriana Accorsi para disputar a prefeitura. Deputada estadual pelo segundo mandato e filha do ex-prefeito Darci Accorsi (PT), na sua campanha acentua sua carreira como delegada ” Delegada Adriana”, “especialista em segurança pública e ciências criminais”.

Por sua vez, em Salvador, a candidata do PT é a major da PM Denice Santiago, que disputa a prefeitura da capital baiana com as bençãos do governador petista Rui Costa, que impôs ao partido uma candidatura ligada ao aparato repressivo.

Em Curitiba, o PT também apresentou um delegado da Polícia Civil, como vice do candidato Paulo Opuszka (PT). No site, o PT informou que o partido “recebeu com entusiasmo a filiação do delegado”. (Eleições municipais 2020: a aposta da esquerda em candidatos da polícia, Veja 31/set)

No Rio de janeiro, o PDT, com apoio do PSB, apresentou a candidatura da ex-delegada Martha Rocha.

Entretanto, o caso que mais chamou atenção foi a indicação do coronel da reserva da Polícia Militar, Ibis Pereira, como como candidato a vice prefeito na chapa do PSOL á Prefeitura do Rio de janeiro, justamente uma das cidades do país que tem uma polícia extremamente violenta. Como se sabe, a candidatura de Marcelo Freixo, apesar de bem pontuada nas pesquisas eleitorais, foi retirada para facilitar a frente ampla na capital carioca, e a apresentação de coronel, que inclusive já do comando geral da PM revela que a esquerda pequeno-burguesa apresenta uma política de integração geral ao sistema policial. isso justamente na cidade em que no ano passado a ex-deputada Mariene Franco foi brutalmente assinada pelas milícias, com o encobrimento policial.

Neste sentido, as candidaturas ligadas ao aparato militar indicam que o oportunismo eleitoral da esquerda não tem limites, a tônica é a imitação pura e simples da política da direita, e mesmo da extrema direita. O noção difundida é que a direita conseguiu ” eleger” Bolsonaro e outras figuras execráveis, devido o fato de pautarem mais repressão, e portanto, para a esquerda progredir eleitoralmente é preciso um ” programa de esquerda” para a ” segurança pública”, com uma ” polícia mais humana”, mais ” gentil”, etc, além disso é preciso a apresentação de seus próprios ” policiais do bem” como candidatos. Logicamente que essa política é profundamente oportunista, e de antemão fracassada, somente servindo para desmoralizar ainda mais a esquerda.

Um outro aspecto da questão, como o caso do PSOL no Rio de janeiro indica, é que o lançamento de candidaturas de policiais pela esquerda é parte de uma operação de frente ampla, ou seja, setores do PSOL, PT e PCdoB buscam uma aproximação com o próprio aparato repressivo, com políticos burgueses para supostamente disputar espaço com o bolsonarismo.

Se o aumento do número de candidatos ligados ao aparato repressivo já é importante para indicar de como a política está sendo cada vez mais um instrumento para aumentar a repressão, a participação dos partidos de esquerda nesta operação representa não somente um seguidismo oportunista a política da extrema direita como representa que de maneira assustadora setores da esquerda podem facilmente manipulados como sustentáculo  do Estado Burguês contra  o povo, demostrando uma perigosa integração da esquerda ao regime político, justamente quando o sistema político está mais repressivo.

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