Candidato de esquerda vence no México: resta saber se ele continuará de esquerda

Obrador

O ex-prefeito da Cidade do México, Andrés Manuel Lopéz Obrador foi eleito presidente do México. Obrador pertence ao Movimento Regeneração Nacional (MORENA) e a previsão é que ao final da apuração obtenha cerca de 53% dos votos.

Obrador que começou sua carreira no Partido Revolucionário Institucional (PRI) é considerado como político de esquerda. Já concorreu à presidência por duas vezes, em 2006 e 2012. Na primeira perdeu por 0,58%, resultado altamente duvidoso que não foi aceito pelo candidato e culminou com protestos de massa na capital mexicana com a ocupação do Paseo de la Reforma e do Zócalo que duraram vários meses. Seu partido atual, MORENA, foi fundado por ele em 2014.

Embora durante a campanha eleitoral a vitória tenha gerado apreensão entre a oligarquia mexicana e esperança entre a população em geral nada indica que Obrador venha trazer mudanças estruturais no México. Entre seus aliados encontram-se membros da burguesia mexicana a qual o novo presidente já disse que governará para ricos e pobres (nessa ordem). Sua campanha teve como foco principal a corrupção. Quanto às relações com os Estados Unidos, apesar dos insultos dirigidos contra o México pelo Presidente Donald Trump, Obrador tem se mostrado conciliador e prometeu tentar reaver vantagens por ele suprimidas dentro do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA). A Petróleos Mexicanos (PEMEX) que detinha o monopólio nos negócios de petróleo no país, inclusive na distribuição de derivados, encontra-se arruinada mas o novo dirigente nunca acenou com a restauração do papel da estatal.

A esquerda brasileira lança acusações de corrupção e subserviência ao PRI sem atentar que foi após a saída dele do poder que o México caiu plenamente nos braços do imperialismo estadunidense. A esquerda ignora que durante por mais de vinte anos (entre a década de 60 e 80) o México sob o golverno do PRI foi o único país da América Latina a ter uma política externa independente e que não aderiu ao bloqueio a Cuba imposto pelos Estados Unidos. Mais ainda o México recebeu muitos refugiados políticos brasileiros. Foram os militares mexicanos que impediram que um avião com prisioneiros políticos brasileiros a bordo que seriam asilados no México fosse trazido de volta ao Brasil.

Esperar que a vitória de Obrador vá causar uma guinada na onda de governos direitistas na América Latina é otimismo infundado. Apesar de até agora não ter renegado algumas de suas promessas “mais radicais” como anistia para pôr fim à guerra às drogas ele é sabedor do que espera governos latino americanos que ousam se afastar um milímetro das ordenações neoliberais. O novo presidente mexicano não tem demonstrado ânimo algum de se contrapor às regras emanadas de Washington portanto é no mínimo cedo demais para se soltar foguetes.

O resultado, entretanto, constitui uma clara demonstração da total falta de apoio popular da política neoliberal e golpistas dos partidos preferidos pelo imperialismo, no México e em toda a América Latina. Evidencia, uma vez mais, porque essas forças reacionárias tem como política fundamental para a região e para quase todo o mundo, os golpes de estado, já que não encontram cada vez mais enormes dificuldades de saírem vitoriosos em processos eleitorais, a não ser quando esses são realizados como parte de uma fraude brutal, como a direita quer realizar no Brasil, deixando Lula preso e fora das eleições.

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