Candidato à presidência do Andes pela chapa 1 recusa-se a participar dos comitês contra o golpe

Nos debates realizados entre as chapas concorrentes para a direção do Andes( alguns disponíveis nas redes sociais), o candidato a presidente da Chapa 1 “Andes-SN Autônomo e de Luta”, Antonio Gonçalves (UFMA) questionado sobre a carta aberta da chapa 2 “Renova ANDES” ´afirmou que apesar da Chapa 1 reconhecer que houve golpe no país, ( bem verdade num sentido peculiar uma vez que coloca a vítima do golpe como principal responsável pelo golpe) indicou que a chapa 1 não impulsionara nem integrará os comitês de luta contra o golpe.

Este posicionamento é uma demonstração cabal de que as forças políticas da esquerda pequeno burguesa, que compõe o grupo majoritário da direção do Andes e constitui a chapa 1 apenas esboça uma alteração da política capituladora diante dos golpistas. Como se diz, mudou, Pero non mucho!

O desdobramento do golpe de estado no Brasil, com a retirada dos direitos sociais e democráticos, aumento da repressão e do cerceamento da liberdade expressão, indicam uma intensificação do caráter reacionário do golpe. Para Melhor dimensionar esse processo continuo de aprofundamento do golpe, a intervenção militar no Rio de Janeiro, a execução da vereadora Marielle Franco e a prisão do ex-presidente Lula, são indicadores seguros desse processo.

A envergadura dos ataques contra os direitos individuais e coletivos pode ser observado de maneira bastante evidente na perseguição continua e completamente ilegal dos golpistas contra a principal liderança política do país, o ex-presidente Lula. A prisão de Lula, sem nenhuma prova é a evidência da quebra dos direitos democráticos elementares, na medida em que é jogada na lata do lixo, a causa pétrea da constituição nacional, da presunção de inocência e que o cumprimento da pena, somente acontece depois do devido processo legal, quando transitado e julgado. Por outro lado, a prisão de Lula tem um claro objetivo político, impedir que o povo possa se manifestar democraticamente nas eleições presidenciais inicialmente marcadas para este ano.

A conduta do aparato do judiciário, com a violação dos direitos mais elementares levou ao desenvolvimento de amplo repúdio popular contra a prisão de Lula. Existe uma convergência de vários movimentos sociais, partidos de esquerda e setores sociais em defesa da democracia e contra o golpe.

Essa situação extremamente grave, que diz respeito não somente a prisão de Lula, mas como efetivamente enfrentar e derrotar o golpe, tem propiciado a proliferação e a retomada dos comitês de luta contra o golpe em todo país.

Neste contexto de extrema gravidade, a “central” do PSTU que o Andes é o principal sustentáculo lançou uma nota advogando a prisão de “todos” e recusando-se a defender Lula diante das arbitrariedades. Evidentemente, que essa nota no bom estilo coxinha da CSP provocou consternação, e muitos setores vinculadas a “central” foram obrigados pela pressão da base a pelo menos formalmente se manifestar contra a prisão de Lula. Foi o caso da diretoria do Andes e da chapa 1.

De qualquer forma, a crescente polarização política do país provocou um deslocamento das posições da esquerda pequeno burguesa, que tem expressão nas eleições do Andes. Assim, o posicionamento da chapa 1 contra a prisão de Lula representa uma mudança em relação a política adotada pela diretoria do Andes de negar o golpe e não defender a democracia no período anterior.

Entretanto, é importante ressaltar que a chapa 1 não apresentou uma crítica consistente da posição golpista da CSP. Adotou é verdade uma posição diferente, mas não criticou de maneira veemente a política de colaboração de classes com a direita golpista pela direção majoritária da CSP. A diretoria do Andes e a chapa 1 evitam tirar as conclusões necessárias sobre o significado político da recusa da CSP em lutar contra os golpistas e a apoiar a prisão de Lula. Tudo é apresentado como se fosse um “ mero equívoco” de uma nota intempestiva.

É importante frisar que esse posicionamento pró-direita da CSP não é nenhuma novidade. No Na abertura do 37 congresso do Andes, realizado em janeiro 2018, coincidindo com a semana em que foram rejeitados os recursos de Lula no TRF4, o representante da CSP defendeu de maneira pública e inequívoca que a “ central” do PSTU defendia a prisão de “todos”, em especial dos petistas.

Um outro aspecto a ser destacado, é o próprio fato da chapa 1 nem sequer ter respondido oficialmente a carta aberta da chapa 2 , o que por si só já é um indicador significativo que os grupos da esquerda pequeno burguesa (PSOL/PCB) não tem a consciência da necessidade da luta unitária contra os golpistas, colocando o jogo eleitoral acima dos interesses da luta em defesa da universidade e contra o golpe. Cadê a resposta da chapa 1 a carta aberta pela unidade?

Assim, a negativa em participar ativamente da luta contra o golpe pelo candidato da chapa 1 , expressa concretamente na sua recusa em participar dos comitês contra o golpe, ( o pretexto usado era que seriam comitês eleitorais de Lula) representa que é não séria a proposta de “barrar as contrarreformas do governo golpista” propalada pela campanha eleitoral da chapa 1, que por sinal continua usando a expressão golpe, entre aspas.

Não é consequente afirmar que é preciso “barrar as contrarreformas do governo golpista” , mas não participar dos comitês de luta contra o golpe. Uma coisa é certa, os golpistas não serão derrotados apenas com declarações e notas nas redes sociais como parecer ser a política adotada pela chapa 1.

De qualquer forma, o objetivo da crítica a recusa do candidato a presidência do Andes pela chapa 1 em participar dos comitês de luta contra o golpe não é apenas para demonstrar a inconsistência da chapa 1 , ou mesmo evidenciar que somente a chapa 2 é quem luta contra o golpe.

É fundamental a luta pela independência política na luta contra o golpe, promovendo a constituição de uma frente única na prática contra a direita golpista. Neste momento, expresso na luta pela liberdade para Lula.

Essa unidade não é uma adesão em abstrato a luta unitária, mas é a construção de um movimento coletivo, que passa evidente por um debate critico sobre as ilusões predominantes na esquerda, que ainda acha que pode derrotar os golpistas por dentro das instituições dominadas pelos golpistas, e hoje depositam todas as esperanças nas ” eleições” como fazem não somente setores do PT, como também o PCdoB e o PSOL.

A unidade é necessária e o chamado para luta conjunta no movimento docente continua em vigor. É preciso que os docentes que participem e apoiam a chapa 1 refletiam sobre a importância da participação nos comitês de luta contra o golpe.

Participar dos comitês de Luta é fundamental para construir praticamente um movimento efetivo contra os golpistas. É importante entender que os comitês é um terreno de luta cotidiana.

O movimento docente no seu conjunto ( tanto a chapa 1 quanto a chapa 2 no Andes, os sindicatos não filiados ao Andes, vinculados ou não Proifes) precisam construir um amplo movimento unitário contra o golpe. Neste sentido, Impulsionar os comitês de luta é um aspecto central na construção da unidade de ação eficaz contra o golpe.