Campanha verde e amarela de Boulos: cretinismo eleitoral

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Poucas semanas depois de, primeiro, se lançar pré-candidato à presidência da República com o apoio de elementos “globais” como Caetano Veloso (que há um ano, também declarou apoio a Ciro Gomes, ex-PDS, PSDB.PPS etc. e, hoje no PDT; na eleição de 2014 apoiou a golpista Marina, da Rede etc.) e, depois, se filiar a  um partido, o PSOL, que – mais uma vez – se oferece como “barriga de aluguel” ou como incubadora de projetos políticos de terceiros – o filósofo e psicanalista Guilherme Boulos, dirigente dirigente do MTST e do “seu” movimento político “Vamos” vai aos poucos mostrando uma certa personalidade política de sua campanha. Uma campanha que nesse momento serve claramente à causa da direita golpista de procurar dar alguma legitimidade ao processo eleitoral que procuram organizar com o  ex-presidente Lula na cadeia e o controle do judiciário e da venal imprensa burguesa golpistas sobre as eleições.

Deixando de lado até mesmo o vermelho, reivindicado por setores do PSOL que gostariam que o partido e “seu” candidato dessem certa aparência “radical”, apesar das propostas muito reacionárias por eles defendidas, o candidato do “Vamos” assumiu em sua campanha, até mesmo as cores comuns à direita golpista, o “verde-amarelo”, com as quais buscam aparentar alguma identidade com os interesses nacionais, quando estão submetidos “até o pescoço” com a vontade do grande capital imperialista, principalmente norte-americano, verdadeiro dono do golpe de Estado, como mostra – entre outros – a foto de sua página oficial no facebook (na capa acima).

Mas o cretinismo eleitoral, tão comum à direita que reacionária e inimiga dos interesses do povo, financiada pelo grande capital, mas que sempre busca se apresentar como “moralista”, “defensora do povo” etc., não está presente na campanha de Boulos apenas nas cores e na cobertura pseudo esquerdista da farsa eleitoral. Também nas propostas se mostra claramente na forma de demagogia de apresentar “soluções” irreais e inúteis para os problemas nacionais.

De forma semelhante a Ciro Gomes que, depois de atuar no partido criado pela ditadura, o PDS, e no partido dos tucanos neoliberais, o PSDB, trabalhar para os golpistas, como o vice-presidente da FIESP, Aarão Steinbruch, quer se passar por “nacionalista” e “progressista” para tentar capturar o voto da esquerda, enquanto elogia a rapidez da justiça em julgar Lula e apoia a intervenção militar no Rio de Janeiro.

Como os demais candidatos-abutres que, fingindo apoiarem a liberdade de Lula, realizam atos demonstrativos que lhes renda alguma evidência na imprensa capitalista, sem propor, nem mesmo apoiar nenhuma mobilização real contra a sua prisão, antes, e pela sua liberdade, agora, Boulos se apresenta procurando validar o processo eleitoral, “vendendo” a ideia de que nas eleições fraudulentas armadas pela burguesia golpista, que podem não ocorrer, estaria em disputa “projetos”, diante do que procura se apresentar como defensor de “um projeto de mudança profunda no país, que vai enfrentar as desigualdades e democratizar o sistema político“. Isso tudo nas urnas.

Mesmo tendo – no melhor dos casos – 1% de intenção de votos nas pesquisas que apontam claramente que a maioria do povo brasileiro quer Lula na presidência da República, Boulos não denuncia a farsa e ainda ataca de promessas: “se nós ganharmos as eleições, nós vamos propor um plebiscito para que o povo brasileiro possa decidir se quer manter ou revogar as medidas tomadas por esse governo ilegítimo“; como se a direita que deu o golpe e impôs as “reformas” estivesse disposta a ceder sem uma mobilização revolucionária.

Mostrando profunda identidade com os setores da esquerda que gostariam de ser o “plano B” diante da prisão de Lula e da falta de candidatos com algum apoio popular nos principais partidos da burguesia, o filósofo candidato do “Vamos”, defende a “frente ampla”, a pretexto de “defender a democracia”, justamente com setores como o PDT e o PSB, que votaram majoritariamente pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff e/ou a favor da intervenção militar no Rio de Janeiro e não moveram uma palha contra a prisão de Lula.

O “radical” candidato, adotou também a postura de negar a luta contra a direita, pelos meios que sejam necessários, defendendo que “não se faz política com intolerância”, sem atacar a direita e os golpistas como responsáveis pelo regime de terror, massacre do povo, cassação direitos democráticos do povo etc.

Nessas condições, o candidato e o partido que alguns setores muito confusos e pequeno burgueses da esquerda procuram apresentar como a “alternativa” à política demagógica e de conciliação de classes do PT, não tem nada a apresentar que não seja generalidades, tão comuns aos candidatos petistas e até mesmo de outros partidos da esquerda burguesa como a “fazer plebiscito para o povo dizer se quer manter ou revogar os retrocessos do governo Michel Temer”, “enfrentar a desigualdade… com uma reforma tributária progressiva” e “criar um sistema em que a participação das pessoas não se limite ao dia da eleição”; questões apontadas pelo candidato verde-amarelo como suas “três iniciativas principais“.