Campanha de calúnias: direita francesa acusa coletes amarelos de racistas para conter mobilização

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Da redação – O imperialismo francês está se utilizando do caráter confuso e descentralizado das manifestações impulsionadas pelos coletes amarelos no país para atacar, com uma campanha de calúnias, o movimento.

Como se sabe bem, os coletes amarelos foram apoiados por diversos setores da população francesa, dentre eles os imigrantes africanos e árabes dos subúrbios franceses.

A direita francesa se utilizou de um acontecimento isolado ocorrido nas manifestações para partir para um ataque direto contra elas. Manifestantes foram vistos realizando o gesto da “Quenelle”, que é relacionado de forma totalmente caluniosa ao antisemitismo.

Os representantes do Governo Macron, como o primeiro-ministro Edouard Philippe, o porta-voz Benjamin Griveaux e o ministro do interior Cristophe Castaner saíram nas redes sociais para “denunciar” o gesto e, por isso, pedir o fim das manifestações, exigindo respeito às instituições.

O gesto, “La Quenelle”, entretanto, foi popularizado pelo importante comediante de origem camaronesa, Dieudonné M’bala M’bala, muito famoso nos meios imigrantes de Paris. A “Quenelle” foi utilizada por Dieudonné para satirizar uma situação em que alguém ou diversas pessoas estão em situação complicada. E por isso simboliza um braço inteiro enfiado dentro do orifício anal de alguém.

O comediante em si é alvo de uma intensa campanha de perseguição pelo imperialismo por conta de sua defesa dos povos árabes contra a opressão Israelita.

Acontece que no mundo, a questão do antisemitismo é confundida por conta da opressão de Israel sobre o povo Palestino. A campanha de confusão e despolitização do imperialismo fez com que muito setores da comunidade ou ligados à comunidade Árabe apoiem posições antisemitas em defesa dos povo árabes. E é nesse sentido que Dieudonné é relacionado pela direita tradicional ao “antisemitismo”, que na verdade é muito mais uma campanha do imperialismo que uma realidade.

Entretanto o gesto realizados e a cansão, também inventada por Dieudonné não têm nenhum caráter antisemita. Muito pelo contrário, é um forma de brincar com a situação complicada que se encontra a população francesa que estaria com o braço do governo francês enfiado até o ombro em seu anus. Já cansão é uma totalmente contra Macron: a população está ameaçando o presidente de realizar a “quenelle” contra ele.

As manifestações estão fazendo uma imensa oposição ao governo neoliberal de Macron e ao imperialismo europeu. Por isso qualquer tentativa de vincular as manifestações com a política nazista da extrema-direita e a uma campanha antisemita é uma campanha de calúnias.