Politica de cotas sob ameaça
Burguesia quer acabar com política de cotas e usa tribunal racial para isso. A alegação: fraudes no acesso
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Lennon Corezomaé será o primeiro indígena a cursar mestrado na UFSCar | Foto: Lidiane Volpi/UFSCar

Desde as primeiras políticas de cotas, implementadas no país, o número de estudantes indígenas e negros ampliou gradativamente nas universidades públicas. Um fenômeno importante que trouxe novas perspectivas e projetos de trajetória pessoal e  de vida a descendentes de um modelo colonialista engessado; herdado da escravização negra e indígena.
Essa novidade gerou incomodo a setores da burguesia que querem acabar com o sistema de cotas alegando haver nele a presença de muitas fraudes. Acusação que parte dos maiores ladrões e exploradores geracionais que golpearam um governo legítimo e eleito pelos brasileiros!
Há fraude no sistema de cotas? Provavelmente sim. Porém, isso não apaga a importância dessa política pública para estabelecer um mínimo de equidade de acesso à formação de nível superior em um país que pouco ou nada fez para dirimir suas mazelas de desigualdade ao longo de 500 anos. E onde a formação superior, de certo modo, sempre foi um dado utilizado para segregar e reforçar as desigualdades históricas entre a própria população.

As políticas de Ações Afirmativas, popularmente referidas como “cotas”, é uma medida de reparação histórica e de acesso para estudantes oriundos da escola pública, negros e indígenas e pessoas com deficiência.
Embora a lei de cotas, dentro do espectro das políticas de Ações afirmativas, seja uma demanda dos movimentos sociais e, teoricamente, venha ao encontro do desenvolvimento e melhoria da qualificação dos trabalhadores, ela tem sofrido ataque constante, além de muitas críticas da parte de segmentos burgueses da sociedade.

O que sempre foi evidente dentro do espaço das universidades foi o seu aspecto elitizado e prática vergonhosa de reserva racial a pessoas brancas filhas da burguesia. Porém não há notícias de inconformidade dessas pessoas com a politica de cotas para filhos de ruralistas através da Lei do Boi!

Os ataques contra cotas para estudantes negros e indígenas agora tomaram o caminho da deslegitimação, através da acusação de fraude. Uma pauta hipócrita e um desserviço à tentativa de inclusão, pois o que deixa de ser discutido é a existência de fraudes em praticamente todos os setores no Brasil. Assim como a corrupção é inerente ao sistema capitalista, as fraudes existem e isso se deve unicamente à tremenda desigualdade social presente em países como o nosso.

Desse modo, a burguesia, quer estabelecer tribunais raciais. Através de mecanismos de “comissões”, nos moldes dos tribunais inquisitoriais, a burguesia não visa objetivamente combater a fraudes, pois o único meio correto de deixar de existir fraudes seria abrir o acesso à universidade pública e gratuita a todos e a todas. Acabar com o modelo segregacionista do vestibular deve ser a providencia justa, se há verdadeiro interesse em evitar fraudes.
Essas espécies de tribunais raciais visam, na realidade, a dar mais poderes para à burocracia universitária; expulsando e punindo a quem de fato deveria ter o direito de entrar em uma universidade. Ou seja; todos os cidadãos do país. Entrar em uma universidade, goste a burguesia ou não, é um direito básico de todos.
Na verdade o que a direita pretende é acabar com as cotas. Ou ainda, na melhor das hipóteses, submeter o sistema à avaliação estabelecida por ela própria, com seus próprios critérios de admissão.
Desse modo o que ocorre é a inutilização das cotas; pois a cota passa imediatamente a ser algo que não se destina a facilitar o ingresso dos explorados, passando a ter, mais uma vez, o filtro da burguesia. Lembrando muito bem que; o filtro da burguesia  sempre será um filtro de classe!

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