Apoiar e mobilizar
É tarefa de todos sindicatos e da CUT se pronunciaram em defesa do apoio à mobilização geral dos caminhoneiros, como parte da construção de um dia nacional de lutas
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Greve de 2018 | Foto: Michel Dantastelasljo/Câmara dos Deputados/AFP
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Greve de 2018 | Foto: Michel Dantastelasljo/Câmara dos Deputados/AFP

Em mensagens nas redes sociais e comunicados oficiais de algumas das muitas entidades dos caminhoneiros, está sendo anunciada uma greve nacional no dia próximo dia 1.

Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontavam – no final de 2019 – que a frota brasileira de caminhões era de quase 2 milhões de unidades. Desse total, segundo a ANTT, mais de 700 mil veículos eram de caminhoneiros autônomos e apenas 26 mil de cooperados.

No mesmo ano – antes, portanto, da devastadora crise de 2020 – a CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgou pesquisa em que apontava que, após ter ouvido 70% de trabalhadores autogiros e 30% de empregados de frota, teria traçado o seguinte perfil da categoria:

“99,5% desses profissionais são homens e a média de idade deles é de 44,8 anos. Além disso, eles ganham cerca de R$ 4.600 por mês e trabalham há 18,8 anos. Outro dado relevante é que os caminhões utilizados por eles têm, em média, 15,2 anos. No universo dos autônomos, 47% adquiriram seus veículos por meio de financiamento. Os caminhoneiros também estão cada vez mais conectados e preocupados com a saúde: 87,7% usam a internet, e 42,6% procuram profissionais de saúde para prevenção”.

Sobre a rotina dos caminhoneiros, a pesquisa apontou que :

“Eles chegam a rodar mais de 9 mil km por mês e a trabalhar 11,5 horas por dia e 5,7 dias por semana. Sobre o mercado, a pesquisa revela que 62,9% desses profissionais consideram que a demanda pelos serviços reduziu em 2018. Entre os pontos negativos da profissão, estão o fato de ela ser perigosa/insegura (65,1%) e desgastante (31,4%) e de o convívio familiar estar comprometido (28,9%)”.

Ainda de acordo com a pesquisa, já naquele momento,

“a queda no preço dos combustíveis continua a ser o maior pleito dos caminhoneiros. No total, 51,3% consideram essa a maior demanda da categoria. Em segundo lugar, está a necessidade de mais segurança nas rodovias (38,3%), seguida de financiamentos oficiais a juros mais baixos para a compra de veículos (27,4%) e do aumento do valor do frete (26,2%)”.

A entidade revelou também que o estudo apontou que

“a maioria dos caminhoneiros de todo o país (65,3%) participou da paralisação de maio de 2018. Segundo os dados da Confederação, 64,4% deles foram informados sobre a greve via WhatsApp. Outras informações relevantes: 74,7% dos profissionais conheciam a pauta em questão, e 56% não ficaram satisfeitos com as conquistas da paralisação”.

É bom lembrar que a greve de 2018 foi entregue pelas direções pelegas da categoria – que se espalharam por dezenas de entidades burocráticas (nacionais e nacionais), com a maioria dos dirigentes tendo se colocado do lado do golpe de Estado e do então candidato fascista, Jair Bolsonaro, que não cumpriu nenhum de suas promessas com a categoria.

Sob o pretexto inválido e indevido de que as direções do movimento eram bolsonaristas, a maioria das direções autistas deixaram de prestar apoio e solidariedade ativa à greve e propor uma mobilização comum na defesa das reivindicações dos caminhoneiros e de todo o povo (como é o caso da redução dos preços dos combustíveis e dos pedágios).

Como acontece com toda a classe trabalhadora, a situação – que já era ruim – só piorou para os caminhoneiros ao longo do último ano. A crise econômica e a desindustrialização aprofundados pela política de destruição da economia nacional imposta pelo golpe de Estado (2016) se aprofundaram e foram impulsionadas pela pandemia e milhares de trabalhadores perderam seus empregos ou não conseguiram manter o pagamento de seus caminhões e manter suas atividades.

Além disso, a categoria se viu duramente atacada pelos sucessivos aumentos dos combustíveis e de outros custos do seu trabalho, sem a contrapartida nos salários e tabelas de frete.

Agora, a diretoria do CNTRC – Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas, divulgou deliberação aprovada na restrita Assembleia Geral Extraordinária – AGE de seu Conselho de Representantes realizada no último dia 15 de

“APOIAR a ordem de paralisação dos Transportadores Rodoviários de Cargas programada para 01/02/2021 aderindo a seguinte pauta de reivindicações:

Pauta de reivindicações:

– PISO MÍNIMO DE FRETE DO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO RODOVIÁRIO DE CARGAS;
– CIOT PARA TODOS;
– PL BR DO MAR;
– PPI – POLÍTICA DE PREÇO DE PARIDADE DE IMPORTAÇÃO APLICADO PELA PETROBRÁS AO CONSUMIDOR NACIONAL;
– CONTRATAÇÃO DIRETA DO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO RODOVIÁRIO DE CARGAS;
– APOSENTADORIA ESPECIAL DO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO RODOVIÁRIO DE CARGAS;
– MARCO REGULATÓRIO DO TRANSPORTE;
– JORNADA DE TRABALHO DO TRABALHADOR (TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS EMPREGADO/AUTÔNOMO);
– RESOLUÇÕES CONTRAN 701/2020 E 499/2014;
– FISCALIZAÇÃO MAIS ATUANTE DA ANTT”.

Segundo  Plínio Dias, presidente do CNTRC e do Sindicato dos Caminhoneiros de São José dos Pinhais (PR), está prevista para uma reunião em Brasília no dia 26 para que o ministro Tarcísio de Freitas ouça as reivindicações.

“A repercussão está tão grande que tem muitos caminhoneiros que querem estar em Brasília no dia 26. Compareçam lá. A pauta é de vocês. Espero que o ministério arrume um auditório para nos receber”

(conforme mensagem em vídeo que circula por grupos de WhatsApp de caminhoneiros), como no caso dos preços combustíveis)

O encontro ainda não teria sido sequer confirmado pelo Ministério da Infraestrutura. No entanto, a decisão de paralisação estaria mantida. Nela se expressa, inclusive, a crescente desilusão de setores da categoria com o governo Bolsonaro, como também a divisão entre os sindicalistas, conforme assinala o mesmo dirigente, em outro vídeo:

Apesar da pauta de reivindicações vaga apresentada pelos sindicalistas, dos caminhoneiros levantam questões comuns ao conjunto da classe trabalhadora e podem ser a ponta de lança de uma necessária mobilização da classe trabalhadora frente ao avanço da crise e enorme degradação das condições de vida dos trabalhadores.

Alguns setores do movimento operário, como petroleiros e lideranças dos trabalhadores de aplicativos, se pronunciaram em apoio à mobilização.

É tarefa de todos sindicatos e da CUT se pronunciaram em defesa do apoio à mobilização geral dos caminhoneiros, como parte da construção de um dia nacional de luta em defesa das reivindicações dos trabalhadores do transporte e do conjunto da classe trabalhadora contra a ofensiva dos patrões e da direita.

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