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O golpe encontra um aliado
Camilo Santana (PT) pede lei antiterrorismo
Em nome do suposto combate a violência, o governador do Ceará abre caminho para a extrema-direita perseguir os trabalhadores que lutarem por seus direitos e reivindicações
camilo santana
O golpe encontra um aliado
Camilo Santana (PT) pede lei antiterrorismo
Em nome do suposto combate a violência, o governador do Ceará abre caminho para a extrema-direita perseguir os trabalhadores que lutarem por seus direitos e reivindicações
Camilo Santana. Foto : Carlos Gibaja/Governo do Estado do Ceará.
camilo santana
Camilo Santana. Foto : Carlos Gibaja/Governo do Estado do Ceará.

Uma nova onda de ataques contra ônibus e prédios públicos em várias cidades do estado do Ceará, inclusive na capital, Fortaleza, supostamente cometidos sob ordens de líderes de uma facção criminosa conhecida como Guardiões do Estado (GDE) de dentro dos próprios presídios cearenses, foi o pretexto para o governador do Estado, Camilo Santana (PT), defender em entrevista ao sítio UOL, a tipificarão desses ataques como “atentados terroristas”.

Em outros termos, Camilo Santana, defende a ampliação da lei de antiterrorismo que encontra-se em tramitação no Senado Federal. Segundo o governador, é preciso que “que essas ações sejam consideradas, tipificadas como terrorismo” ou, ainda, “Tipificá-la como terrorismo garante que as pessoas estarão presas e punidas de forma mais rigorosa”.

A defesa de Santana em trazer para primeiro plano da discussão política uma lei que é um dos objetivos centrais do governo Bolsonaro é muito grave. Fazendo coro com a burguesia, tudo se resume a um problema de prender e punir. Aumentar exponencialmente a população carcerária de país. Esse seria o caminho para resolver o caos social do país.

Pouco tempo atrás, o País assistiu estarrecido o que são esses verdadeiros depósitos de “lixo” humano que são as penitenciárias brasileiras com o massacre de quase 60 presos em Altamira no Pará por uma facção rival, ao que tudo indica, acobertada pelas milícias fascistas ligadas à polícia, que estão em disputa nas favelas das cidades do Pará pelo controle do tráfico de drogas e “serviços” cobrados das comunidades.

No Estado do Ceará, apenas neste ano, já é a segunda vez que ocorrem ondas de atentados semelhantes. Tanto no início do ano como agora, o que teria desencadeado o movimento é o tratamento dado aos presidiários pelo governo do Estado, com denúncias de maus tratos e tortura  e a imposição do fim da divisão de facções rivais dentro dos presídios. Ou seja, um convite à barbarizarão do que já é bárbaro. As penitenciárias cearenses, assim como em todo o País, são barris de pólvora prestes a explodir e a política “social” de um governo que se diz de esquerda não parece em nada se diferenciar da direita e da extrema direita que têm o lema de que “bandido bom é bandido morto”.

A posição adotada por Camilo Santana para tratar a violência no Estado não é nova, digamos apenas que evolui mais à direita. No início do ano, quando Bolsonaro e os bolsonaristas alardeavam que o novo governo iria metralhar os “petralhas” e a “favela da Rocinha”, Santana, recém reeleito, em uma notória aliança com os irmãos Gomes, não se furtou em “pedir socorro” ao novo ministro da Justiça, nada mais, nada menos que o chefe da Lava-Jato, Sérgio Moro, responsável pela criminosa operação Lava-Jato, essa, sem dúvidas, incomparavelmente mais nociva ao País do que os mais de 800 mil presidiários brasileiros.

Moro foi prestimoso com seu “opositor”. Enviou a Força de Segurança Nacional que em menos de dois meses barbarizou junto com a polícia cearense. Nada menos do que 400 prisões de “suspeitos” em cerca de 40 dias. O governo cearense também tem se notabilizado pelo incremento dos gastos com a segurança pública. Segundo dados oficiais, o orçamento da área já é praticamente igual ao da educação.

O que será que Camilo Santana espera da lei antiterrorista? Só pode ser o aumento do terror do Estado contra a população pobre, mas o resultado vai muito além, negue ou não Camilo: “Muitas pessoas do meu partido ou da esquerda acham que isso pode punir algumas questões de movimentos sociais. Acho equivocada essa interpretação”, declarou.

De fato, essa não é a posição do PT, pelo menos de uma grande parcela do Partido, como declarou o então senador Lindeberg Farias (PT) no anos passado, “Em cima desse texto, podem prender militantes de movimentos estudantis, movimentos sindicais, estamos criminalizando o MST”.

Esse é o real propósito da lei antiterrorista defendida por Camilo Santana. O objetivo do golpe, exposto de maneira muito clara pelo fascista Bolsonaro em sua posse, “é acabar com o socialismo no Brasil”. Essa não é uma política simplesmente da extrema-direita, mas do conjunto das forças políticas que derrubaram a presidenta Dilma e perserguiram e prenderam Lula. A fim de impor a política de rapinagem do país e de todos os direitos e conquistas dos trabalhadores, os golpistas precisam de “leis” para conter a reação que fatalmente virá.

Camilo Santana, com uma política absolutamente contrária aos interesses populares, presta um grande serviço ao golpe e a extrema-direita, pois  a Lei antiterrorismo está aí para perseguir os trabalhadores que ousem se organizar e lutar em partidos, sindicatos ou movimentos sociais.