moro bigode
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Passados os primeiros dias da posse do fascista Jair Bolsonaro, que prometeu dentre muitas loucuras metralhar ‘petralhas’ e a favela da Rocinha, uma movimentação asquerosa tem se alastrado sorrateiramente no interior dos partidos de esquerda. Trata-se de uma política de conciliação com o governo Bolsonaro, a direita golpista, e os seus representantes regionais.

Dentro do PT, o maior partido de esquerda do país, uma das principais alas que procuram esse entendimento com os bolsonaristas é a composta pelos governadores eleitos. Uma figura de destaque nessa manobra é o atual governador do Ceará, Camilo Santana. Camilo é ligado aos Gomes e estava articulado em torno da campanha de Ciro no interior do PT. Com a ‘vitória’ de Bolsonaro, agora Santana estabelece de público relações de proximidade com uma das figuras mais execráveis deste governo e do golpe: o super ministro Sérgio “Mussolini de Maringá” Moro, personagem central do processo que levou à derrubada de Dilma Rousseff, a prisão de Lula e consequentemente, a eleição fraudulenta de Jair Bolsonaro.

Em entrevista concedida e publicada pelo portal UOL, Camilo Santana rasga a fantasia e expõe a sua política oportunista e em última instância, suicida. O título da entrevista dá o tom da sinfonia. Santana afirma que “Moro é aliado contra crime organizado no Ceará”!

Sim, ele mesmo, o Mussolini de Maringá, que praticou inúmeras arbitrariedades, torturando prisioneiros de modo a arrancar as delações desejadas, prendendo pessoas a torto e à direita, que chegou a grampear ilegalmente a presidenta Dilma em conversa telefônica com Lula, que é notoriamente um serviçal do imperialismo norte-americano cuja única missão é destruir o PT e os adversários políticos dos Estados Unidos no Brasil e que, após prender e retirar Lula da disputa eleitoral, pavimentou a estrada para a eleição de Bolsonaro. Como recompensa pelo serviço sujo prestado, Moro foi premiado com um cargo de super ministro, que vai permitir a ele desferir um ataque de enormes proporções aos sindicatos nacionais.

Se a própria entrevista não deixasse claro que Camilo é um governador petista, o leitor não teria condições de distingui-lo de um governador bolsonarista. É uma verdadeira orientação da extrema direita. De acordo com as informações noticiadas pela imprensa direitista, as ações violentas no Ceará seriam decorrentes de uma mudança na política prisional do estado. A partir de decisão deliberada pelo próprio governo Camilo, os presos não seriam mais divididos de acordo com as suas facções. Não é difícil imaginar o que acontecerá como consequência dessa mudança, mesmo para os que pouco conhecem o funcionamento dos presídios no país. Uma verdadeira carnificina tende a se desenvolver.

Camilo elogiou ainda a prontidão com que Moro despachou tropas da Força Nacional para o Ceará. Devemos lembrar que o Mussolini de Maringá é um cão de guarda que está sempre a postos para perseguir e reprimir conforme os seus interesses políticos. Elogiar a diligência de Sérgio Moro no que tange a política repressiva é, mais uma vez, característico dos bolsonaristas, que sempre defenderam por princípio uma duríssima campanha de repressão e de defesa da polícia.

Na entrevista, Camilo acaba revelando que mantém um diálogo profundo e permanente com Moro. Quando perguntado pelo UOL se considerava que as tropas enviadas dariam conta do recado, Camilo respondeu “Tem sido muito importante o apoio do governo federal. Os ministros Sergio Moro, da Justiça e Segurança, e general Fernando Azevedo, da Defesa, têm sido importantes aliados. Tenho conversado de forma permanente, especialmente com o ministro Moro. Tudo o que for necessário será feito.”.

O governador assumiu explicitamente que além de aliado de Moro, tem conversado de forma permanente com ele, o carrasco implacável do maior líder popular do Brasil e do seu próprio partido, o PT!

Mais adiante, Camilo Santana faz mais uma declaração digna de Bolsonaro. Ele afirma: “Tratamos criminosos como criminosos. O endurecimento será contra todos que atentarem contra a sociedade. Para isso temos a força do estado, que não é só o governo, mas também a Justiça, Ministério Público e o Poder Legislativo.”.

Neste parágrafo, Santana mostra explicitamente que ele é um lacaio, um indivíduo que está disposto a tudo para defender o regime político golpista brasileiro, que só vem se aprofundando. A afirmação feita pelo governador inclusive abre margem para a perseguição aos comunistas e revolucionários, afinal qual é a função de um revolucionário senão atentar contra a sociedade capitalista?

Na entrevista, o governador revela ainda o quanto investiu no aparato repressivo, quer dizer, na PM, em seu primeiro governo. São dados assustadores, que mostram que Santana não mediu esforços para reprimir o povo do Ceará e que se prepara para uma verdadeira guerra contra a população.

A entrevista também cita o atual secretário da Administração penitênciária, um homem chamado Mauro Albuquerque, um direitista que tem no currículo a atuação na crise penitenciária no Rio Grande do Norte, no início de 2017. A ideia de unir as facções criminosas nas penitenciárias vem deste secretário, e de acordo com rumores citados na entrevista do UOL, essa ação teria provocado o efeito contrário de unir as facções.

Camilo Santana revela inclusive que criou este ano uma Secretaria específica para a administração penitenciária, que anteriormente ficava sob o comando da Secretaria de Justiça, com a função explícita de aprofundar uma política de repressão nos presídios cearenses, conseguindo piorar ainda mais as condições de vida degradantes do que já podemos chamar de um inferno na terra, que são as prisões brasileiras.

Não é possível apoiar ou tampouco dialogar com um setor da “esquerda” que na realidade tem uma política bolsonarista. A esquerda não pode jamais defender o aumento da repressão contra o povo, desejada fervorosamente por Bolsonaro e seus seguidores da extrema direita. Os militantes das bases do PT devem denunciar fortemente essa aliança de setores do PT com a extrema direita e o atual presidente fascista e se organizar para expulsar do partido as lideranças que buscam uma conciliação com Bolsonaro.

 

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