Câmeras, biometria e drones: Estado policial é um perigo contra toda a sociedade

Drones

O Brasil caminha rapidamente em direção a um estado policial. O regime político em vigor no país, que nunca foi além de uma “democracia” puramente formal e de aparências, vem assumindo, sem qualquer disfarce, uma fisionomia cada vez mais policialesca.

O golpe de estado de 2016, que destituiu arbitrariamente o governo eleito pelo sufrágio popular, fez aflorar todas as tendências autoritárias e ditatoriais do regime político burguês, colocando em relêvo a incapacidade da burguesia e do imperialismo em conviver até mesmo com uma democracia de fachada.

A evolução dos regimes políticos semidemocráticos dos países atrasados e semicoloniais  em direção a uma ditadura policial aberta e ostensiva se coloca para a burguesia e o imperialismo como uma necessidade imperiosa diante do aprofundamento da crise de conjunto do capitalismo internacional. A convivência com os regimes políticos de aparência democrática desses países só foi possível durante um determinado período de estabilidade, e se tornou, neste momento, impraticável diante da crise. A liquidação até mesmo das aparências se coloca hoje como um desfecho inevitável diante da verdadeira rebelião das massas empobrecidas situadas na periferia do sistema, que estão em pé de guerra contra os governos burgueses submissos aos ditames do imperialismo.

Esta é, portanto, a motivação principal dos golpes de estado que proliferam na maioria dos países oprimidos, em particular, no último período, no continente latino americano, onde se localizam um enorme contingente populacional submetidos à miséria, ao atraso e à pobreza.

No Brasil, o aumento exponencial da repressão e da vigilância policial é parte da guerra que o imperialismo, a burguesia e a extrema-direita levam adiante contra as massas populares, frontalmente atacadas pela política de terra arrasada dos golpistas, que buscam cortar fundo na carne da população, suprimindo direitos e conquistas dos trabalhadores e do conjunto dos explorados.

O enorme aparato policial sob o qual a população vem sendo submetida é um indicador claro de que uma ditadura parte às portas do país. Todos as instituições que compõem o aparato de repressão do estado foram ou estão sendo fortalecidas com tecnologia sofisticada e de última geração. Os volumosos investimentos, que não têm outro objetivo senão submeter a população a um permanente estado de terror, estão sendo destinados às instituições e aos agentes de repressão do estado.

Fazem parte dessa inovação tecnológica a serviço da repressão e do terror contra as massas populares a identificação biométrica, os drones e as centenas de milhares de câmeras espalhadas por todos os cantos do país, além de inúmeros outros recursos que o regime golpista dispõe para intimidar e esmagar a reação dos explorados diante do criminoso assalto que vem sendo perpetrado pela burguesia e a direita contra a população pobre e explorada do país.

A intervenção militar no segundo Estado mais importante do País; as operações da polícia federal invadindo gabinetes de parlamentares; a ação cada vez mais ousada e criminosa dos grupos paramilitares; os ataques dos fascistas contra a caravana do ex-presidente Lula; os atentados contra os acampamentos de apoiadores  de Lula em Curitiba indicam, inequivocamente, a escalada da violência estatal e paraestatal contra a sociedade, mas em particular contra os trabalhadores.

A sociedade e os trabalhadores devem responder a esta ameaça organizando sua autodefesa, ao mesmo tempo que devem exigir o armamento da população como única forma de se contrapor ao avanço da ditadura e da crescente fascistização do estado.