Cai homem de confiança de Merkel no Parlamento: a crise se aprofunda na Alemanha

Merkel Meets With Mayors Over Air Pollution

Assim como a maioria dos governos europeus, o governo alemão de Ângela Merkel está muito fraco, em uma crise que se reflete na desintegração do atual regime. A grande coalizão formada por partidos da esquerda e da direita dos grandes partidos tradicionais da burguesia, como a própria Democracia Cristã, de Merkel, os Social-Cristãos e os Social-Democratas.

O governo de Merkel está sendo noticiado pelas grandes intrigas, rompimentos e renúncias que vêm acontecendo. É o resultado da própria crise econômica do regime europeu, que tem seu principal sustento nos bancos alemães. A contradição entre os diversos setores da burguesia, que estão representados nestes partidos que formam a coalisão, vem se acentuando de maneira em que eles não estão conseguindo ter unidade de ação – levando a desintegração progressiva do governo; quase um ano depois das últimas eleições, a Alemanha já se encaminha para novas eleições, já que Merkel perdeu a maioria no parlamento.

Segundo o site Deutsche Welle, do imperialismo alemão, “o afastamento por voto de Volker Kauder, o chefe da bancada conservadora e homem de confiança da premiê há tantos anos, é uma revolução palaciana que só pode terminar em um cenário: novas eleições sem Angela Merkel, a qual durante 13 anos marcou de forma decisiva os destinos da Alemanha e da Europa”.

Na mesma matéria o DW demonstra toda a preocupação do imperialismo com a crise do atual governo. “Muitos dos deputados do atual Parlamento alemão parecem não ter reconhecido a seriedade da situação. Eles foram eleitos pelas cidadãs e cidadãos para se engajar pelo bem do país, não para atacar o governo semanas a fio, para brigar por mesquinharias e questões pessoais, e assim seguir fortalecendo ninguém mais do que a populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD)”.

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) é um partido de extrema-direita, de tradição nazista, que vem crescendo exponencialmente nos últimos anos. Não se trata, entretanto, de um fato isolado. Em toda a Europa, os regimes burgueses tradicionais estão tendo de enfrentar o crescimento dos fascistas, de forma que em alguns países, como na Suécia e na Itália, a extrema-direita já é um fato fundamental do desenvolvimento político do país.

“Os deputados da União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU) não só depuseram Volker Kauder, mas também puxaram publicamente o tapete da chefe de governo, nesta época tão instável. Assim, a questão não é se o fim de Merkel está próximo, mas sim quão rápido ele vai chegar.

Isso é muito curioso. Até porque quem está super feliz é a AfD e Donald Trump.” (DW)

O fato de a extrema-direita estar crescendo no país, e em toda a Europa, se dá diante da inexistência de um partido revolucionário e operário, quer dizer, um partido que tenha um programa combativo contra a burguesia e que se sustente pela força conjunta dos trabalhadores. A única maneira de fazer um contraponto ao fascismo, que surge na situação política como uma resposta à crise do sistema imperialista mundial, é fazendo um contraponto com uma política revolucionária, que se apoie no povo para colocar o fascismo contra a parede. A tática da esquerda alemã é de usar as velhas e ruinosas instituições “democráticas” burguesas para tentar segurar os cães raivosos do imperialismo.