Uma figura política ambígua
Imprensa golpista promove a figura política de Caetano Veloso, confusa na época da ditadura como agora
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Caetano com figuras da direita e "globais" | Arquivo

No último dia 12 de setembro, uma coluna assinada por Lucas Pedretti na Folha de S. Paulo sobre o documentário “Narcísio em Férias”, que trata sobre a prisão de Caetano Veloso na ditadura militar, traz o seguinte título: “Caetano de batom desafiou mais a ditadura do que a militância crua”.

O autor defende a ideia de que “para os regimes e presidentes autoritários, o subversivo moral é até mais perigoso que o dissidente político”. Uma ideia que apresenta o problema da ditadura de maneira invertida.

Não é verdade o que diz a coluna da Folha de S. Paulo. Quanto maior o regime ditatorial, maior é a repressão e mais a fundo ela ingressa na vida da população. A repressão ao comportamento é um aspecto e serve como forma de controle social. Mas é a política a determinante de tudo.

Quando falamos política estamos fundamentalmente falando de luta pelo poder. Quanto maior é o poder de uma ditadura, maior é seu controle sobre todos os aspectos da vida social e comportamental. Nesse sentido, a única maneira eficaz de enfrentar um determinado regime é a luta política e é ela o perigo para a ditadura.

Do mais, a afirmação do colunista da Folha contraria a própria história. Entre a esmagadora maioria de presos, torturados, mortos e desaparecidos pelo regime militar não se encontram os “subversivos do costume” mas os militantes políticos da esquerda.

Sem a luta pelo poder contra o atual estado de coisas, a classe que se apoderou do Estado terá cada vez mais força para impor os seus interesses contra a maioria da população.

Essa explicação inicial serve como uma advertência ao debate em questão. Na realidade, ao apresentar um Caetano Veloso como um “revolucionário dos costumes” contra a “militância crua” a burguesia tem um interesse muito definido.

Agora, no Brasil do golpe de 2016 e de Bolsonaro, como na ditadura militar, Caetano Veloso cumpre um papel de confusão diante do cenário político. Antes como agora a figura de Caetano Veloso é ambígua. O mesmo Caetano que foi preso pelos militares é o que entrava em conflito com a “militância crua”. O mesmo Caetano que aparece como opositor dos bolsonaristas é o que aparece apoiando figuras da direita como o juiz Marcelo Bretas.

A coluna de Lucas Pedretti tem o mérito de ligar o Caetano de ontem e de hoje e descobrirmos que esses dois Caetanos são apenas um e podem cumprir a mesma função política.

Por isso Caetano aparece em pleno programa da rede Globo do direitista Pedro Bial, afirmando que ficou “menos liberalóide” depois de ser apresentado por Jones Manoel ao autor stalinista Domenico Losurdo. Acreditar que tal declaração na rede Globo, em um programa editado que poderia ter cortado tal trecho, é um espontaneidade de Caetano é no mínimo ingênuo.

Qual exatamente o interesse de Caetano Veloso em divulgar um stalinista? Ainda não sabemos. Mas parece bastante interessante que Stalin, talvez o maior conciliador de classes que o movimento operário já viu, seja levantado por um nome que embora apareça como um esquerdista, tem ligações políticas com setores da direita golpista, da frente ampla, tem uma posição ambígua em relação a Lula e o PT etc.

Um setor da esquerda impressionado com a propaganda da imprensa golpista, passou a divulgar a declaração de Caetano como um espécie de conversão religiosa dele ao stalinismo. Na realidade, no melhor estilo ambíguo de ser, Caetano apenas afirmou que ficou “menos liberal” do que antes e admitiu que nunca foi simpático aos regime comunistas.

Se Caetano Veloso de batom foi mais perigoso para a ditadura do que os militantes da esquerda, o Caetano Veloso “pseudo stalinista” e da frente ampla é mais perigoso para o golpe e Bolsonaro do que uma unidade da esquerda? Não era verdade lá e não é verdade aqui.

O papel político de Caetano Veloso – não nos cabe nesse momento nenhuma análise do artista Caetano Veloso – nos anos 60 como agora é gerar uma confusão política no meio da esquerda.

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