“Cadeia ou exílio”: para combater Bolsonaro, é preciso formar comitês de autodefesa

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“A faxina agora será muito mais ampla, esses marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria. Petralhada…. vocês não terão mais vez em nossa pátria …. será uma limpeza nunca visto (sic) na história do Brasil. Bandido do MST, bandido do MTST, as ações de vocês serão tipificadas como terrorismo… Sem Folha de São Paulo…. imprensa vendida”

 

Essas são palavras do candidato fascista em um vídeo contra a esquerda, que foi retransmitido para um ato de intervencionistas e outros conservadores na Avenida Paulista. A técnica é conhecida:  ameaçar, mostrar-se no controle absoluto, firme, com uma postura e uma linguagem truculenta, com palavras ensaiadas em que a eliminação física do adversário (transformado em inimigo) é a tônica do discurso. Isso é parte de uma estratégia de guerra psicológica.

Não foi o único vídeo desse tipo que circulou nos últimos dias nas redes sociais. Há vários, incluindo o de um falso Coronel do Exercito, Carlos Alves, que desanda a xingar e atacar o Judiciário, em particular a presidenta do TSE, Ministra Rosa Weber, cujo adjetivo mais brando utilizado pelo militar fake foi ‘vagabundos’. Dias Toffoli é chamado de moleque, advogadozinho medíocre, corrupto, sem moral.  Lewandowski é acusado de estar mancomunado com o PT e que, ao conceder o direito de entrevista a Lula, teria provocado uma crise na cúpula do Exercito, motivo pelo qual um certo general, não nomeado, esteve a ponto de dar voz de prisão ‘ao STF’.

Nos dois casos, são coisas ensaiadas, cheias de frases de efeitos, construídas para alimentar uma visão negativa, demonizada, dos adversários e daqueles que eles consideram um empecilho para seu plano de tomada de poder, como, ironicamente, os golpistas STF e  TSE, instituições de suporte ao golpe.

O que importa chamar a atenção nesse momento é para essa técnica comum e afirmar que as bravatas são apenas bravatas mesmo que, ocasionalmente, existam alguns apoiadores reais, concretos dentro das Forças Armadas, por exemplo, dispostos a levar a cabo as bobagens fascistoides.  Fazer  com que abaixemos a cabeça é exatamente o que os fascistas almejam. Por isso, é necessário mantermos-nos altivos e firmes, mobilizados, para enfrentar os covardes bravateiros.

          Greve Geral de 1917 (São Paulo)

A extrema-direita é violenta, de certo, mas eles não são o povo, nem a maioria, apenas têm apoio em momentos de crise, porque a burguesia alinha-se a qualquer um para não perder poder e dinheiro.

Sendo assim, não é apostando em campanha, com a passividade eleitoral,  que vamos derrotar a extrema-direita. Apenas com a mobilização revolucionária dos trabalhadores, com o povo na rua, com a organização dos comitês de luta contra o golpe e com a formação de comitês de autodefesa é que alcançaremos a vitória.

Sabemos que a extrema-direita atua com o irracional, ela não entende e não se importa com discussões, com diálogo, apenas a força dos trabalhadores é que pode derrotar essa política ditatorial de ataque.

Antes mesmo de ser eleito, o fascista ameaça os que não o apoiam de serem presos ou de serem banidos. Então, não é hora de perder tempo e as ilusões, a auto-defesa é uma exigência, formar comitês é a unica ação concreta para enfrentar esse momento.

Veja abaixo o momento em que o fascista fala em fazer uma faxina no país.