Cabo eleitoral: Marina chama voto “útil” em Alckmin

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Os donos do golpe continuam a sua intensa campanha em prol de levar o seu candidato predileto, Geraldo Alckmin, ao segundo turno das eleições desse ano. Após impulsionar a campanha #elenão, contra o candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro, utilizando para tanto, uma política demagógica em defesa das mulheres, da democracia contra o fascismo, os setores mais abertamente golpistas agora passaram a utilizar de seus cabos eleitorais dentro das eleições para tentar transferir votos para Alckmin.

Desde o início da campanha eleitoral vimos denunciando o caráter artificial das candidaturas de Marina Silva, Henrique Meirelles, João Amoedo, Alvaro Dias, além do abutre Ciro Gomes. Tais candidaturas poderiam cumprir um papel de dividir os votos do eleitor e transferir, em dado momento, os votos para o candidato principal do golpe.

Tal fator ficou comprovado na última segunda-feira, 1,  após uma entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, pela candidata da Rede, Marina Silva. Na entrevista a candidata da Rede atacou a crescente polarização política que existe no país. Para Marina, tanto Bolsonaro, quanto Fernando Haddad do PT, se fossem eleitos levariam o país a uma “ruína”, de que é preciso uma “união” entre os diversos setores para o bem do país. Marina atacou o caráter autoritário da candidatura de Bolsonaro e, sobre o PT, estabeleceu a crítica mais comum da direita ao Partido dos Trabalhadores, a de que o partido é super corrupto.

As declarações de Marina revelam quais são os planos dos donos do golpe, eles querem acabar com a polarização política existente no país após o golpe de estado. Para tanto, buscam desfazer os dois campos que hoje polarizam as eleições, Bolsonaro do PSL, da extrema direita e Fernando Haddad, o candidato de Lula, pelo PT. Os ataques ao PT são inúmeros. Na ultima segunda-feira, o juiz golpista Sérgio Moro, decidiu participar das eleições e protocolou mais uma denúncia sem provas contra as campanhas eleitorais petistas. Não por acaso, o Tribunal Superior Eleitoral cassou mais de 3 milhões de títulos de eleitores em todo o pais, a maior parte no nordeste, sob o pretexto de que não haviam feito a biometria.

Mesmo sem chamar voto abertamente para Alckmin, a declaração de Marina, de que é preciso despolarizar o país, promover uma união entre coxinhas e a esquerda, apenas favorece o candidato do PSDB, que neste momento tem apoio do imperialismo e vem também fazendo uma campanha demagógica contra Bolsonaro, o caráter fascista de sua candidatura, sendo que ele, Alckmin, é um fascista de carteirinha e de longa data.

A direita utiliza-se das suas candidaturas artificias para tentar impulsionar a sua candidatura principal, do PSDB. A fala de Marina Silva vai nesse sentido. O ataque à polarização política, ao aprofundamento da divisão social e política na sociedade, feito por Marina Silva e outros candidatos, ou seja, a critica a Bolsonaro e ao PT, só pode ter como resultado prático o fortalecimento de Alckmin.

É preciso ter claro que o inimigo principal da população é o golpe de Estado. Nesse sentido, participar de uma campanha demagógica e confusa, contra Bolsonaro, como vem fazendo toda a esquerda nacional, campanha essa que acaba fortalecendo os setores centrais do golpe, é se colocar do lado do imperialismo e daqueles que pretendem impor uma política de terra arrasada e de terror contra toda a população.

A única saída é organizar e mobilizar a população contra o golpe de estado e em defesa da liberdade do ex-presidente Lula. Somente a mobilização popular contra todos os golpistas poderá impor uma derrota à direita.