Superar a política da burocracia estudantil e aprovar a greve por tempo indeterminado

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O ataque brutal do governo Bolsonaro à Educação levou estudantes de todo os cantos do País a se manifestarem contra os abusos que têm por finalidade estrangular a educação pública. Por meio dos cortes gigantescos de recursos, que inviabilizam as universidades públicas, os golpistas almejam entregar todo o ensino superior às privatizações e extinguir o desenvolvimento de pesquisas e tecnologia no país.

Diante dos cortes anunciados, assembléias estudantis foram convocadas, principalmente nas universidades federais, alvos das medidas, visando uma mobilização de caráter nacional contra Bolsonaro. Mas apesar da clara tendência à mobilização dos estudantes, a burocracia das instâncias universitárias toma seu lugar e se coloca como obstáculo à organização estudantil.

São muitas as denúncias de direções dos Diretórios Estudantis que tomaram medidas para impedir as greves nas universidades. Na UNIFAL, a chapa do Levante, que comanda o DCE, impediu a juventude do PCO de falar na assembléia, onde proporia a política do partido de greve estudantil. Na USP, universidade centro de históricas mobilizações, o DCE gerou uma crise na assembléia ao atropelar as discussões políticas das pautas de greve, estimulando assim setores oportunistas (como PSTU e POR) e findando a assembléia.

A política levada a frente pelos DCEs das universidades brasileiras assemelha-se muito a dos parlamentares e políticos de esquerda que evitam colocar-se em um embate direto com o governo federal. Criticando apenas através de discursos inflamados, verdadeiras propagandas eleitorais, esses políticos não tomam atitudes que visem a real mobilização dos trabalhadores para a derrubada do governo, preocupados apenas em conseguir uma coexistência com a extrema-direita através de acordos e barganhas.

Os DCEs, com as direções tomadas por partidos pequeno-burgueses, também estão barrando as greves estudantis utilizando-se das políticas identitárias. Mesmo na situação em que se encontram as universidades, as direções agem como quem está mais preocupado com os cargos que ocupam do que com os interesses dos estudantes, colocando como prioridade uma disputa de representação.

O caso mais explícito das consequências reacionárias que o identitarismo pode produzir foi o do DCE da UNIRIO, que depois de diversas manobras para conter a mobilização dos estudantes, usou a cartada do “lugar de fala” para impedir a aprovação da greve. Ao deturpar a fala do companheiro da AJR, acusaram-no de atacar uma estudante mulher e negra ao dizer que os estudantes não poderiam se acovardam diante do governo Bolsonaro. Ao dizerem que negros e mulheres resistem apenas por existir, confundiram e desmobilizaram os estudantes, boicotando a greve e votando apenas um calendário de mobilizações que em nada resultou.

Assim, mais uma vez, a política identitária desempenha seu papel de confundir, e setores da esquerda pequeno-burguesa que colocam como prioridade uma representatividade vazia, além de não obterem resultado concreto algum, apegam-se em demasia às instituições da democracia burguesa falida que afundam junto com o regime. As direções tomadas pelas siglas pequeno-burguesas das juventudes do PSOL, PCB, PCdoB, estão acovardadas e não tomam sua posição de impulsionamento das greves estudantis mesmo diante do pior cenário possível.

O movimento estudantil tem o caráter de vanguarda e um potencial explosivo de mobilização, podendo arrastar consigo não só outros setores da comunidade acadêmica, como também da sociedade que já estão extremamente insatisfeitos com o governo golpista. É de suma importância organizar para o ato do dia 15 e levantar como pauta principal a palavra de ordem de fora Bolsonaro, além de levar adiante as mobilizações para que se tornem de fato uma greve geral por tempo indeterminado.