Burguesia usa os filhos recém nascidos para rebaixar salários das mulheres

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00Para as mulheres trabalhadoras ter filhos é um sacrifício diário, acumulando duplas e triplas jornadas de trabalho para cuidar da família e da casa. O trabalho doméstico e os salários mais baixos ainda obriga as mulheres a dependerem dos maridos e as aprisiona ao lar, ou à rotina “trabalho/casa”, impossibilitando sua liberdade social e política.

No mundo do trabalho além dos salários rebaixados, as mulheres ainda passam por assédios, chantagens e desvalorização. 47% das mulheres sentem que foram rejeitadas para algum emprego por serem mães ou quererem engravidar. Para as que já são mães se soma o assédio quando as mulheres precisam de um tempo para resolver problemas relacionados aos filhos, como questões escolares e médicas, 46% relataram casos como esses, como aponta uma pesquisa feita com 1 mil profissionais pela empresa MindMiners.

Outro estudo, publicado pelo Census Bureau, é um dos vários trabalhos recentes que mostram que os filhos são responsáveis por grande parte das diferenças salariais. Isso porque há uma maior probabilidade de que as mães trabalhadoras reduzam suas horas de trabalho, tirem dias livres, recusem uma promoção ou larguem o emprego para cuidar da família. Ou seja, a burguesia usa os filhos para rebaixar salários das mulheres trabalhadoras.

O direito a maternidade, portanto, é negado e condenado, num momento onde a mulher mais precisaria de estabilidade financeira e tempo para se dedicar ao seu filho. Há também uma pressão exercida pelos patrões para que elas não engravidem, uma contradição extrema com a moral conservadora que criminaliza o aborto.

Esse cenário de menosprezo e discriminação às mães trabalhadoras só tende a piorar, pois com a reforma trabalhista esse direito a maternidade será mais atacado, chegando ao absurdo de obrigar as mulheres grávidas a trabalharem em locais insalubres.

Nesse contexto, a luta das mulheres é a exigência de que o Estado garanta todo o trabalho doméstico, que legalize o aborto e garanta a real independência financeira feminina. Porém, só é possível essas conquistas por via de uma dura luta contra o capitalismo e os patrões. Assim para libertar realmente a mulher é preciso acabar com o capitalismo e construir uma outra sociedade livre do lucro, da propriedade privada e da exploração.