Por omissão da esquerda, burguesia tem toda a iniciativa diante da crise do governo
MOURÃO
Por omissão da esquerda, burguesia tem toda a iniciativa diante da crise do governo
MOURÃO

O governo Bolsonaro está em uma profunda crise desde o início. A essa altura, todo o espectro político nacional reconhece essa crise. O presidente golpista convocou atos para tentar se defender. Mas não chegou nem perto de fazer frente aos atos contra o governo, que aconteceram nos últimos dias 15 e 30. Ao mesmo tempo, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, conspira abertamente para tomar o lugar de Bolsonaro na presidência.

De fora do governo, outros setores da direita também comentam a crise e assim a alimentam. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), declarou recentemente que “sem reformas” o Brasil estaria à beira de um “colapso social”. Tasso Jereissati, em entrevista à revista Exame, afirmou que a “inexperiência” de Bolsonaro está levando a uma “crise institucional”.

A direita já está se preparando para a eventualidade de ter que substituir Bolsonaro para contornar a crise política. Isso é um perigo para os trabalhadores, porque a direita poderia sair da crise consolidando o governo golpista, que está em crise desde 2016, no momento em que conseguir apaziguar suas contradições internas. As intervenções da direita na crise mostram que a direita mantém a iniciativa diante da crise.

E como a esquerda poderia tomar a iniciativa diante da crise do governo? A situação é favorável para a mobilização popular contra a direita golpista e contra o programa da direita. No entanto, a mobilização pode se dispersar e até fazer parte das manobras da burguesia em sua própria política. Para evitar isso, o movimento popular precisa colocar sua própria política e suas próprias palavras de ordem, de modo que seja capaz de se antecipar aos capitalistas e suas manobras para resolver a crise por cima.

Portanto, é preciso ter um conjunto de reivindicações que possam servir de eixo político para concentrar a luta contra o governo e para derrotar a direita golpista. E apresentar para o País uma saída para a crise política. Por isso é preciso exigir: Fora Bolsonaro! E, além disso, apresentar a saída para a crise: eleições gerais já! E, para que as eleições não sejam uma fraude novamente, que Lula esteja solto para poder participar das eleições e para que a população possa, dessa vez, votar em quem quiser.