No pico da pandemia
A flexibilização da quarentena nesse momento mostra a farsa da política dos governadores da direita “científica” e “civilizada”
Cerimonia de posse do presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano. Montezano defendeu o alinhamento “total” da nova direção do banco com o governo federal, afirmou que a instituição buscará ajudar nos processos de desestatização, abrirá sua “caixa-preta” (promessa de campanha do presidente) e devolverá recursos ao Tesouro Nacional. Brasilia, 16-07-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Bolsonaro e Guedes, burguesia unificada pelo genocídio do povo. | Arquivo.

O Brasil já ultrapassa o milhão de casos de coronavírus e as 50 mil mortes pela doença. Nesse momento, o País já é recordista disparado em número de mortes em 24 horas, mais de mil por dia. Isso tudo, levando-se em conta os dados oficiais que são comprovadamente subnotificados. A situação é portanto muito mais grave.

É justamente nesse momento que os governadores da direita, em particular aqueles que foram elogiados, inclusive por setores da esquerda pequeno-burguesa, por serem “científicos” e “civilizados”, como João Doria e Wilson Witzel, decidem reabrir o funcionamento das cidades.

Esses governadores, no início da pandemia, decidiram fazer um isolamento social de maneira precária. Na realidade, conforme ficava claro, era em grande medida uma jogada de propaganda para aparecer como combatentes da pandemia ao mesmo tempo em que procuravam controlar a doença nos meios da classe média, como forma inclusive de evitar um caos generalizado em sua principal base de apoio.

Enquanto isso, o que sempre aconteceu foi que a população pobre não podia fazer um isolamento social de verdade e a maior parte nunca parou em casa. Grande parte dos empregos continuaram funcionando: fábricas, transportes, construção civil, Correios, limpeza, supermercados etc.

Essa política de aparência servia ainda como propaganda contra Bolsonaro, que desde o início insistia na política de continuar normalmente as atividades sociais. A esquerda pequeno-burguesa embarcou nessa farsa e passou inclusive a elogiar esses governadores da direita.

Agora, em pleno pico da pandemia, o que se vê é que a burguesia está unificada em torno da política inicial de Bolsonaro. Mais precisamente devemos afirmar que a política de Bolsonaro sempre foi a política central da burguesia, mas setores mais poderosos dos capitalistas bancaram a propaganda inicial do isolamento social pois entendiam a importância de conter o caos principalmente entre as camadas mais altas da população.

A insistência de Bolsonaro em manter as atividades era uma política para forçar esse acordo que agora está feito. Em pleno pico da pandemia, as cidades começam a retomar suas atividades.

Fica claro que nem Bolsonaro nem os governadores “científicos” estão salvando vidas. A doença está totalmente fora de controle. Não há nenhuma medida real de combate ao vírus: testes, leitos de UTI, instrumentos, como respiradores, etc.

Tudo isso era previsível: concretizou-se uma unidade em torno da política de Bolsonaro.

O elogio absurdo por parte de setores da esquerda a essa direita era na realidade uma política de preparação para a frente ampla, criando uma imagem falsificada desses governadores para justificar a aliança com PSDB, DEM, MDB, Globo.

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