Mais uma carta da frente ampla
A imprensa golpista nacional “cantou a pedra”: o Brasil precisaria de uma manipulação nos moldes dos EUA para eleger um candidato genuíno da burguesia
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Biden e Temer
Funcionários da burguesia, Biden e Temer, em visita oficial dos norte-americanos a Brasília | Foto: Reprodução.

As eleições nos Estados Unidos chegaram ao final, ao menos até o momento, com a eleição de Joe Biden, candidato do Partido Democrata. O resultado está sendo amplamente divulgado e comemorado pela grande imprensa burguesa, começando pelos monopólios da imprensa norte-americana como CNN, New York Times, ABC entre outras grandes redes.

Os acontecimentos desde o início da campanha, envolvendo aí as prévias dos partidos que escolheram os candidatos, e intensa disputa revelaram uma grande crise do centro político imperialista dos Estados Unidos. As maiores evidências da crise começam pela eleição em 2016 de Donald Trump, um candidato que não era, e continua não sendo, apoiado pelos setores mais poderosos da economia do país, mas sim, se desenvolveu a partir da crise do bloco majoritário imperialista e da crise econômica, para atender aos anseios de setores secundários da economia, mais voltados ao mercado interno, e a uma pequena-burguesia falida, desesperada e histérica, justificando, por exemplo, uma das suas maiores propagandas eleitorais “o candidato anti-sistema”.

A corrida eleitoral deste ano também apresentou a crise do regime quando do apoio de amplas camadas populares que se aglutinaram em torno da campanha do pré-candidato Bernie Sanders, uma figura indesejável para o bloco majoritário imperialista. As manobras internas para suprimir sua campanha e elevar um candidato devidamente alinhado ao bloco eram fundamentais, fazendo com que candidatos muito poderosos renunciassem como Michael Bloomberg, grande financista de Wall Street, Andrew Yang, empresário do setor de tecnologia representando as Bigtechs do Vale do Cilício, John Delaney, bilionário financista de Wall Street, Kamala Harris, Elizabeth Warren e Pete Buttigieg que tinham apoio popular muito superior ao “escolhido” Biden. Entretanto, teve mais impacto a “renúncia” de Sanders em favor de Biden, sendo que o apoio dos filiados era massivo e estranhamente este apoio não se refletia em todos os votos.

A finalização da campanha, início da votação e apuração das últimas semanas, mostrou novos fatos curiosos que realmente evidenciam sinais de uma grande crise no controle do regime pelos setores mais poderosos, como a discrepância entre os números informados em pesquisas no início do campanha e os números reais na apuração, onde mostravam o que parecia ser uma vitória folgada do candidato Joe Biden, que desde os primeiros momentos da apuração não ia se confirmando, mostrando uma disputa muito mais acirrada. Os comícios, praticamente vazios de Biden, em comparação aos megaeventos de 50 mil pessoas realizados pela campanha de Trump, já dava sinais desse acirramento.

Resultado e vitória do “bem contra o mal”

No último sábado (07) as autoridades eleitorais do país informaram terem segurança para afirmar Joe Biden como vencedor da disputa presidencial. Como comentado acima, a cobertura efusiva da grande imprensa burguesa passou a não só cobrir as eleições, mas também comemorar o resultado junto com os democratas nas ruas dos EUA. As justificativas são “a vitória da democracia sobre o autoritarismo”, “a vitória da civilização contra a barbárie” ou ainda “a vitória do bom senso contra a insanidade” e outros termos análogos. O plano de fundo destas afirmações, na verdade, é a defesa da união de setores da esquerda pequeno-burguesa até a direita tradicional, ao bloco majoritário da burguesia, que no caso dos Estados Unidos, é fortemente imperialista e responsável pela política externa mais agressiva do país contra os países oprimidos do mundo.

Toda a campanha feita de dentro do partido democrata, desde as prévias, serviu para conduzir todo o eleitorado que está sob a influência do partido. Isso inclui boa parte da esquerda pequeno-burguesa, amplos setores da burocracia sindical e de movimentos sociais (des)organizados que arrebatam, principalmente, um público de classe média progressista, para votarem no candidato da burguesia imperialista, aquela que, inclusive, é responsável pela grande insatisfação popular nas ruas do país nos últimos meses.

Importando o método para o Brasil

Mal acabaram as eleições na superpotência imperialista e já se colocam na imprensa burguesa as propostas para a aplicação da mesma “receita” no Brasil. Na última semana, por exemplo, um artigo na golpista revista Época propunha que “o Brasil precisaria de um Biden”, no sentido de que o país precisaria ter um presidente que recuperasse a democracia no país.

Em primeiro lugar é preciso afirmar que se trata de uma campanha da imprensa golpista e burguesa do país em defesa da política da frente ampla, que é a política no Brasil que encontra paralelo com a manobra realizada nos Estados Unidos, ou seja, apresentar um cenário de guerra entre “o bem e o mal”, apresentar um candidato “moderado” que pretensamente seria capaz de vencer o fascista Bolsonaro e, para gerar o mesmo resultado, a eleição de um candidato genuíno da burguesia brasileira, colocando a esquerda à reboque da direita.

É uma defesa descarada da frente ampla que tem feito com que partidos de esquerda, já nestas eleições de 2020, abdiquem de candidaturas próprias em favor de candidatos da direita. Essa também é a política que tem refreado todas as mobilizações dos setores mais organizados da classe trabalhadora como as greves dos petroleiros, a greve dos trabalhadores dos Correios, Servidores Públicos, bancários entre outras categorias, que estão sendo duramente atacadas pelo governo Bolsonaro e têm encontrado um grande obstáculo em vencer as direções da esquerda pequeno-burguesa que quer concentrar uma possível disputa contra o bolsonarismo somente nas eleições de 2022 e, pior, totalmente atrelada à direita.

Segundo, é preciso destacar exatamente que a política da frente ampla é uma política oportunista, reacionária e contrarrevolucionária, pois ao deslocar o plano da luta contra a burguesia golpista das ruas para o parlamento, para as eleições, realiza uma operação criminosa de refrear toda a tendência de mobilização da classe operária brasileira, que continua se intensificando na medida que aumentam os ataques da burguesia. Ou seja, a frente ampla não só desloca o enfrentamento ao bolsonarismo para 2022, como está permitindo que os governos da direita matem a população de fome e de doença, “atando as mãos” da organização da classe trabalhadora.

Terceiro, todo o movimento proporcionado por essa política, refreando o enfrentamento aos fascistas, permitindo o avanço da exploração dos trabalhadores, faz com que a população desacredite completamente de candidatos demagógicos e insossos da esquerda pequeno-burguesa, cenário que está propiciando o desenvolvimento dos candidatos da direita golpista, como já observamos nestas eleições de 2020, com uma enxurrada de candidatos direitistas nos partidos da esquerda e alianças esdrúxulas como PT e PSL, PCdoB e PP, PT e PSDB entre outros.

A “proposta” indecente, de um Biden brasileiro, precisaria também excluir da jogada o Partido dos Trabalhadores (PT), principalmente Lula e o setor mais esquerdista e popular do partido, com o qual a direita golpista não consegue conviver.

Logo, a cartada que está sendo apresentada pela imprensa venal e golpista é de uma ampla manobra eleitoral em 2022, que já está sendo preparada com a frente ampla, para excluir setores populares da eleição e fazer com que os eleitores não tenham opção a não ser votar no candidato da burguesia, haja vista que majoritariamente Bolsonaro segue sendo rejeitado.

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