Campanha assassina
Porta-voz da burguesia, Viviane Senna vai à Folha de S. Paulo fazer campanha pela reabertura das escolas
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Viviane Senna, propagandista da volta às aulas | Foto: Reprodução

Em entrevista publicada na última terça-feira (15) no jornal Folha de S. Paulo, com o título “Está claro que a reabertura das escolas não agrava a pandemia”, a empresária Viviane Senna declarou que “as pesquisas, os dados e as experiência em outros países mostram que é seguro reabrir as escolas”.

A entrevista se inscreve na ampla campanha que a burguesia tem feito no país com o objetivo de reabrir as escolas e retomar as aulas, colocando milhões de estudantes, professores, funcionários, assim como seus parentes, em risco de se infectar com a doença Covid-19.

Viviane apela a uma argumentação rasteira, dizendo que as escolas estão fechadas porque a educação não seria uma prioridade no Brasil. Supostamente amparada em muitos estudos (Quais? Feitos por quem? Com que finalidade?), Viviane diz que o fechamento das escolas se deve à preocupação com a “contaminação das crianças, com o óbito e com a transmissão aos adultos”, mas que segundo “pesquisas e dados”, “esses riscos são pouquíssimo relevantes”.

A reportagem diz, com base em porcentagens gerais de casos em crianças (que ninguém sabe de onde vieram, pois não há fonte citada), que as crianças não seriam suscetíveis à Covid-19, e que a gripe seria pior que a Covid-19. Para Viviane Senna, a Covid-19 não seria apenas “uma gripezinha”, como seria também muito mais inofensiva, mataria menos,  que uma gripe.

Outro argumento levantado por Viviane é o de que ir à escola causa sérios danos emocionais, psicológicos e até físicos às crianças. Para isso, cita a questão da merenda, do isolamento social, da violência doméstica. Com certeza essa questões são válidas, mas devemos aqui atentar para o seguinte: com que finalidade Viviane levanta essas questões? Para propor auxílio alimentar às crianças? Para exigir medidas contra a violência doméstica? Não. O único intuito aqui é forçar a reabertura das escolas, seja como for.

Ao ser perguntada se o Brasil seria o último país a reabrir as escolas, assim como os demais países latino americanos, Viviane responde com uma estranha ironia, dizendo: “exatamente, campeões em educação, que podem se dar ao luxo de manter escolas fechadas por tanto tempo, diferentemente de Bélgica, Alemanha…”. Para além do esnobismo burguês de Viviane, que menospreza o Brasil diante de países centrais do capitalismo, o impressionante é que em momento algum Viviane se refere ao fato de o Brasil ser o segundo pior caso mundial da pandemia, atrás dos Estados Unidos. Para ela parece que essa situação simplesmente não existe.

Viviane dá um exemplo formidável da posição da burguesia diante do problema: utiliza uma retórica que poderia ser considerada “bolsonarista” (a gripe é pior que a Covid-19, a imprensa é paranoica, devemos pressionar os prefeitos, ignora absolutamente 4,5 milhões de infectados e 135 mil mortos) mas arremata tudo isso com o “elogio da ciência”, dizendo que “precisamos trazer dados”e que “não podemos ser aconselhados pelo medo e pelo ódio, mas pela ciência”.

Burguesia e Educação

Uma rápida palavra sobre quem é essa figura. Viviane Senna, irmã do famoso automobilista Ayrton Senna, preside a Ayrton Senna Foundation, com sede em Londres, e o Instituto Ayrton Senna, com sede em São Paulo. Viviane transformou seu falecido irmão em um lucrativo negócio através do personagem Senninha, estampado em bicicletas, calçados e até em batatas fritas. É uma agente certificada da burguesia, ganhadora do Grand Prix 2012 do banco francês BNP Paribas (8º maior banco do mundo) por sua “ação filantrópica” e eleita “Líder do Novo Milênio” pelos monopólios de mídias Times e CNN.

A burguesia nacional, em convênio com o imperialismo, há mais de 20 anos tem articulado uma série de instituições privadas com o intuito de controlar a educação brasileira, tanto em suas organizações quanto na política de educação, na tentativa de substituir a verdadeira comunidade educacional por tecnocratas formados ideologicamente pela burguesia. Se inscrevem nessa articulação a Associação Todos Pela Educação, a Fundação Lemann, Itaú Social, Fundação Bradesco, assim como o próprio Instituto Ayrton Senna.

Dessa forma, fica claro que Viviane Senna é uma porta-voz orgânica da burguesia, ligada diretamente aos grandes bancos nacionais e internacionais, e portanto vocaliza um programa de classe, levando adiante os interesses da burguesia na atual situação.

Educação e Economia

O verdadeiro motivo para a campanha da burguesia de reabertura das escolas, como sempre, reside em seus interesses econômicos.

De acordo com um relatório publicado pelo banco Goldman Sachs, um dos maiores do planeta, o fato das escolas estarem fechadas impede que 15% da força de trabalho retorne a seus postos de trabalho. Como as crianças ficam em casa, muitos pais não podem sair para trabalhar.

Outro estudo, do professor Ludger Woessmann, da Universidade de Munique, divulgado pela OCDE, revela que o retardamento da entrada dos estudantes no mercado de trabalho, causado pela desorganização do ano letivo, assim como o défict de aprendizado, representará uma perda de 1,5% do PIB mundial pelo resto do século.

Além disso, há a queda da atividade econômica indireta gerada pelas escolas, como o consumo de produtos de limpeza e higiene, papelaria, transporte, alimentação, etc. O funcionamento da escola em si constitui um pólo dinamizador da economia, consumidor de produtos e serviços.

Para evitar todas essas perdas econômicas, a burguesia, articulada principalmente pelo setor financeiro, está levando adiante a campanha de volta às aulas, para forçar uma retomada econômica às custas da saúde e da vida de milhões de pessoas.

Organizar a Juventude e os Professores: Contra a Volta às Aulas!

Para impedir o descalabro da retomada das atividades escolares em meio à pandemia, ainda mais no país que apresenta os piores índices de contágio e mortes do mundo, deve haver uma imensa mobilização da comunidade escolar contra os planos da burguesia de reabertura.

Os professores devem marcar posição contra a volta às aulas, recusando-se a retomar as atividades, fazendo greve e piquetes se preciso. Os estudantes, parcela mais combativa da comunidade escolar, também devem se posicionar contra o retorno às escolas e o morticínio que será causado por essa medida.

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