Volta às aulas é genocídio
Burguesia pede “volta às aulas” enquanto os hospitais estão lotados e mais de 1500 pessoas morrem por dia

Por: Redação do Diário Causa Operária

O país completou um ano de pandemia com mortes todos os dias. Há mais de um mês no mínimo morrem por dia 1000 pessoas. O País ultrapassou mais de 250 mil mortos em dados oficiais, que se sabem, subnotificados. Os hospitais estão lotados, faltam leitos e até mesmo oxigênio para os doentes. Apesar disso, a burguesia pressiona cada vez mais para o retorno às aulas presenciais. O movimento “Médicos Pró-Educação”, para defender o retorno às aulas, publicou uma carta aberta exigindo providências para que as escolas sejam reabertas em Belo Horizonte e demais cidades de Minas Gerais.

Como justificativa, irresponsável e perversa, para defender o retorno das atividades escolares presenciais, alegam serem testemunhas dos prejuízos cognitivos e à saúde, principalmente emocional, das crianças que chegam em seus consultórios. Para Renata Indelicato Zac, integrante dos Médicos Pró-Educação:

“Está quase tudo aberto [em Belo Horizonte]. A maioria dos adultos já está trabalhando ou não fica mais em casa. Então, não faz sentido só as escolas não reabriram.”

No entanto, o movimento dos “doutores” não considera as precárias condições de estrutura, material e pessoal nas escolas públicas de todo o Brasil. Se já eram ruins antes da pandemia, foram agravadas com as novas exigências sanitárias.

Ainda, desconsideram as muitas investidas forçadas em diversas regiões do país em retornar as aulas em escolas públicas e privadas e que, poucos dias depois, tiveram que voltar a fechar devido à contágios dentro do ambiente escolar.

Além disso, esses médicos desprezam o fato de que os estudantes tem familiares, muitos dos quais, como os avós, que são do grupo de risco. Mais, desconsideram que as crianças, devido às características da própria fase em que estão, tem muito mais dificuldade em manterem-se distantes, sempre de máscara e tomando todos os cuidados necessários. Já ficou comprovado que a abertura das escolas cria uma rede a mais de contágio de professores, funcionários, estudantes e todos os seus familiares.

Outra questão que não consideram é que a escola é lugar de afeto e proximidade, não apenas entre estudantes, mas com professores e demais profissionais da educação. Sendo que, naturalmente, para a realização de atividades de socialização e aprendizagem, como por exemplo o atendimento individualizado na mesa do estudante, os professores tem contato com os alunos.

A justificativa que apresentam de que todos estão na rua trabalhando deve-se ao fato de que sem medidas reais de proteção à vida, à segurança e aos empregos, que deveriam ser executadas pelos governos genocidas de Bolsonaro, os governadores e prefeitos “científicos”, a classe trabalhadora é obrigada a ir para rua trabalhar para garantir as mínimas condições de sustento de suas famílias.

A solução à crise sanitária, de saúde e os prejuízos que as crianças vem sofrendo com a pandemia não está no retorno às aulas. Mas sim na garantia de meios dignos para que os trabalhadores possam ficar em casa de forma segura e com suas necessidades básicas atendidas, com um auxílio emergencial que seja real e efetivo. A garantia de que aqueles que estão trabalhando formalmente não percam seus empregos e que os mais de 50 milhões de desempregados sejam atendidos pelo auxílio emergencial e programas de criação de postos de trabalho.

Outra face cruel dessa campanha da burguesia a favor da volta às aulas é impor à opinião pública de que os professores não estão trabalhando, o que é uma mentira, e que não querem trabalhar, pois são servidores públicos. Criando com isso justificativas e ambiente favoráveis à privatização das escolas e a reforma administrativa que quer acabar com os serviços públicos. A luta pela escola pública, gratuita e com amplo acesso, não importa para os médicos e demais burgueses, pois seus filhos estudam em escolas privadas, em que, muitas vezes, as mensalidades são muito acima do que uma família trabalhadora recebe em um ano de trabalho.

Por isso, é preciso que a categoria de trabalhadores em educação e toda a classe trabalhadora vá às ruas para impedir o genocídio decorrente do retorno às aulas e o completo desmonte da educação pública do país, que atende 80% das crianças e adolescentes em idade escolar, ou seja, os filhos da classe trabalhadora.

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