Pobres não merecem nem esmola
Articulista do jornal O Estado de S. Paulo demonstra que não dá dinheiro aos mais necessitados nem para fazer demagogia
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Ministro da economia, Paulo Guedes, junto com Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

O governo Bolsonaro, eleito ilegitimamente por meio de uma gigantesca fraude eleitoral, realiza diariamente diversos ataques contra a classe operária e a população de um modo geral. Entre esses ataques, podemos citar o total descontrole que ele teve da pandemia do coronavírus, além das reformas passadas que tiram direitos da população, isso sem falar em sua base política fascista, que procura intimidar e atacar os setores mais oprimidos da sociedade.

A burguesia, no entanto, não parece ver problemas nenhum com esses ataques. No que diz respeito ao genocídio da população pela pandemia e que agora tende a se aprofundar com a reabertura total da economia e a volta às aulas, essa classe está totalmente de acordo. Sem falar na retirada de direitos da classe trabalhadora, da qual a burguesia é a principal incentivadora. Com relação aos grupos fascistas, estão totalmente de acordo porque isso representa um maior controle da esquerda e das organizações populares, que podem vir a reivindicar seus direitos nas ruas e atrapalhar a rapina que fazem da economia nacional.

No entanto, a situação da população é cada vez pior. A miséria se aprofunda, o Brasil voltou a integrar o mapa da fome, somos o segundo colocado no número de mortes por Covid-19 – ainda que esses números sejam subnotificados – o desemprego bate recordes históricos e diversas outras mazelas recaem sobre o povo. Diante dessa situação, Bolsonaro e seu governo procuram apresentar medidas inócuas e demagógicas, apenas para aparentar que fazem algo contra essa situação.

Primeiro, apresentaram o auxílio emergencial de apenas R$600, que já era pouco e será cortado pela metade, com a finalidade de auxiliar a parcela da população que não conseguiu manter renda nenhuma durante a quarentena realizada contra o coronavírus. Quarentena essa que já vem se encerrando, apesar de o número de mortes estar cada vez mais alto. Agora, o governo Bolsonaro apresenta um novo projeto chamado “Renda Cidadã” (anteriormente, “Renda Brasil”), que procura oferecer uma renda mínima para os setores mais pobres e que também é de um valor baixíssimo (ainda não está definido, mas algo em torno dos R$300).

A tal “Renda Cidadã” não vai chegar nem perto de solucionar os problemas do povo brasileiro e sequer irá representar um gasto tão significativo para os cofres públicos, algo em torno de R$35 bilhões, o que não é nada perto dos trilhões dados aos banqueiros e capitalistas para conter a crise econômica gerada pela pandemia. Mesmo assim, a burguesia já demonstra sua extrema indisposição para com o programa.

Em editoriais do jornal O Estado de S. Paulo dos últimos dois dias (2 e 3 de outubro), seus articulistas relatam o quanto incomodou a burguesia o projeto da Renda Cidadã. Apesar de eles fazerem críticas a diversos aspectos do governo Bolsonaro, como as queimadas do Pantanal ou o descontrole com a pandemia, fica claro que estas críticas são apenas superficiais. O verdadeiro problema é essa proposta de transferência de renda que, segundo eles, tem uma clara intenção eleitoral e está sendo feita “sem cortes de gastos” e que, aparentemente, se configura como verdadeiro desastre fiscal para o país.

No Estado, chegam ao ponto de criticar o “superministro” Paulo Guedes, no qual botaram tanta fé e esperança, por não se posicionar abertamente contra os programas na solenidade de apresentação deste(!) Ainda fazem elogios aos ministros de Bolsonaro que conseguiram promover menores gastos em suas áreas. A burguesia demonstra, através de um de seus principais veículos de propaganda, que sua oposição com Bolsonaro não é, como acredita a parcela da esquerda que mergulha de cabeça na frente ampla, com a sua “falta de democracia”, mas sim com a sua incapacidade de ser ainda mais nocivo e ainda mais cruel em seus ataques à população.

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