Aulas sem vacina: genocídio
A farsa do “fique em casa” cai por terra à medida que governos admitem a volta das aulas presenciais sem terem vacinado profissionais da educação e nem alunos
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Escolas brasileiras não estão em condições de retorno em meio a pandemia do novo coronavírus | Foto: Ernesto Faria
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Escolas brasileiras não estão em condições de retorno em meio a pandemia do novo coronavírus | Foto: Ernesto Faria

Que os professores, a docência e a educação pública são, historicamente, sucateados e vilipendiados pelo poder público brasileiro, já não é nenhuma novidade. A novidade agora é a desfaçatez de diversos governos e prefeituras que autorizaram o retorno das atividades presenciais nas escolas brasileiras sem terem vacinado professores, outros funcionários e muito menos os alunos, sem o fim da pandemia. Em outras palavras, fizeram as contas e concluíram: a vida de professores e alunos, principalmente da rede pública, não vale nada e é um bom preço a ser pago pelo retorno das atividades econômicas no país.

Inúmeras matérias nesse jornal denunciam a política torpe, demagógica, arbitrária e reacionária do poder público brasileiro frente o debate do retorno das aulas presenciais no país. De norte a sul do país, o discurso fajuto do “fica em casa” foi sendo substituído pela logística real do “morra quem morrer”. Agora, essa política genocida ganha novos contornos, evidenciando o total descaso das autoridades com a vida humana.

Chegamos a mais de 225 mil mortos pelo novo coronavírus, com as taxas de contágio em pleno recrudescimento, portanto, cabe a pergunta: o que se alterou no quadro político, social e econômico brasileiro que determinaria uma possível retomada das atividades presenciais nas escolas brasileiras? Tendo em vista que a pandemia do novo coronavírus parece estar pior agora do que quando atingiu o Brasil, ainda em meados de março do ano passado, paralisando as atividades escolares no país.

Entre os principais argumentos utilizados pelos que defendem o retorno das aulas presenciais, alguns se destacam, dentre eles, um que dita que as crianças não sofrem consequências mais graves ao serem expostas ao novo coronavírus. Ora, essas crianças vivem sozinhas? Não se relacionam com seus pais, avós, tios? Outro argumento, também falaciosos é que seguindo os protocolos sanitários, as escolas seriam capazes de conter o avanço do vírus em seus respectivos ambientes. Só que aqui cabe um questionamento: como manter protocolos sanitários se só em São Paulo, 82% das escolas não possuem mais de dois banheiros destinados ao uso dos estudantes, 48% não possuem sanitários adequados para deficientes físicos, 13% não possuem quadra e 11% não podem realizar atividades ao ar livre, por não terem pátios em suas dependências? Ademais, com medidas restritivas de livre circulação, com a vacinação ainda em fase inicial, sem nenhuma perspectiva concreta de imunização para os profissionais da educação, o que justificaria essa política tão afoita?

Escondida nas entrelinhas dessa política autoritária, se encontra além do lobby feito pela classe patronal do setor educacional privado brasileiro, todo um impulso pela retomada geral das atividades econômicas no país. Nesse sentido, diversas matérias jornalísticas aplaudem o retorno das atividades acadêmicas adotando a perspectiva de movimentos de pais da elite econômica, principalmente, de São Paulo. O que por si só configura um completo despautério, já que as condições das escolas frequentadas pelos filhos da burguesia brasileira distam, e muito, das realidades vividas pela classe operária brasileira.

As incongruências entre discursos e ações são tantas que poderíamos escrever um livro sobre o retumbante fracasso das ações governamentais perante a pandemia. Bradando aos quatro ventos meros discursos eleitoreiros, se passando por democratas, científicos e até mesmo, moderados […] diversos fascistas inveterados agora mostram o que realmente são: representantes do mais legítimo interesse burguês e alheios a toda dor e sofrimento daqueles que sofrem as consequências nefastas dessa pandemia.

Acreditar que seres como João Dória, Eduardo Paes, Bruno Covas, Cláudio Castro, entre outros políticos da direita tradicional e bolsonarista, nessa altura do campeonato, depois de mais de 225 mil mortes, com o amplo apoio da imprensa burguesa que denuncia a necessidade do retorno das aulas presenciais mas cala e consente com o calamitoso transporte público dos grandes centros urbanos, teriam, mesmo que um mínimo apreço pela vida dos operários da educação é fechar os olhos para a trajetória política de rapina, autoritarismo e mentiras da direita brasileira, que de civilizada, não tem absolutamente nada, sendo bárbara até o último fio de cabelo.

Apenas a mobilização dos trabalhadores da educação e dos jovens podem solapar as intenções espúrias da corja política brasileira. Liminares e ordens judiciais, nada disso vai diminuir o ímpeto do poder público e da burguesia brasileira, ambos parecem não satisfeitos com os tristes números dessa pandemia.

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