Tentativa de contenção
Temendo a rebelião dos negros e do povo, burguesia faz demagogia. É preciso intensificar as mobilizações!
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Manifestação em Porto Alegre após o assassinato de João Alberto | Foto: Reprodução

O assassinato brutal de mais um negro no Brasil, o trabalhador João Alberto de 40 anos, dentro do supermercado Carreofour em Porto Alegre, levando a inúmeros protestos em todo o País, deu origem também a uma onda demagogia por parte da imprensa golpista em relação à violência contra os negros. Neste domingo, por exemplo, dia 22, o programa Fantástico da Rede Globo golpista fez uma extensa reportagem relatando o caso, com depoimentos de pessoas que estavam no local, com o presidente nacional da empresa francesa, e se colocando ao fim “contra o racismo e a violência contra os negros”

Do mesmo modo os jornais golpistas procuram dar toda uma cobertura do caso, com depoimentos de testemunhas, apontando o abuso de violência cometido pelos seguranças da loja, abordando o racismo, etc. Trata-se é claro, como dissemos anteriormente, de uma política de cunho demagógico da imprensa capitalista e da própria burguesia, na tentativa de acalmar os ânimos da população, em particular dos negros, diante de mais um caso de violência brutal.

A mesma política fora adotada após o assassinato de George Floyd, também por asfixia, nos EUA em maio. Em plena rua, Floyd foi asfixiado por um policial branco e, assim como João Alberto, morreu no local. A morte de Floyd deu início a uma verdadeira insurreição dos negros, da juventude e da população norte-americana como um todo não apenas contra o racismo e a violência policial, mas contra o regime político.

Gigantescas manifestações foram organizadas, enfrentamentos com a polícia, delegacias e órgãos públicos incendiados, uma revolta generalizada.

Na tentativa de jogar água na chama, a burguesia imperialista passou a adotar a política identitária para conter a situação. Passados poucas semanas do ocorrido, bancos e grandes monopólios imperialistas iniciaram campanhas de contratação de pessoas negras, cursos contra o racismo, incentivos aos negros, etc.

Foi o caso, por exemplo, do banco JP Morgan, um dos principais responsáveis pela pilhagem econômica de vários países ao redor do mundo, pela situação de miséria e violência contra os negros, anunciou medidas de investimento em políticas de combate à discriminação racial.

Na mesma linha, o banco HSBC anunciou também que iria “aumentar” o número de negros nos cargos de chefia como uma forma de diminuir a discriminação. No Brasil, o Magazine Luiza estabeleceu um programa de trainess para os negros.

Isso se repete novamente após a morte de João Alberto, a própria direção do Carrefour já anunciou que irá estabelecer medidas para enfrentar o racismo no interior da empresa.

Para uma parte do movimento negro, dominado pela política identitária, esse demagógico compromisso por parte dos capitalistas já é mais do que suficiente. O que vale é a chamada conscientização de todos, inclusive dos capitalistas, inimigos mortais dos negros, de que não pode haver racismo, de que o negro tem que ter oportunidades dento do falido sistema capitalista que o massacra todos os dias.

É preciso se opor radicalmente a essa política farsante, demagógica e oportunista dos capitalistas e dos identitários, da esquerda pequeno-burguesa como um todo. O caminho a ser seguido é o caminho do enfrentamento direto dos negros e de toda a população contra o regime de opressão e violência, tal qual fizeram os negros nos EUA tomando as ruas, incendiando delegacias, tal qual foi feito no Brasil durante as primeiras manifestações, com saques nos supermercados.

A libertação dos negros e o fim da violência policial só virá com a luta nas ruas, pelos meios que forem necessários. É preciso intensificar as mobilizações e ter como eixo político a derrubada do regime golpista e o fim da polícia militar.

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