Burguesia está tentando separar o destino de Trump do Partido Republicano

trump

A alternância de poder no governo dos Estados Unidos da América, entre o Partido Republicano e os Democratas, não representa para o mundo mudanças significativas no que diz respeito à paz e à agressiva política de dominação sobre a qual o império do Norte se sustenta. O número de conflitos produzidos e financiados por Washington sofrem pouca oscilação independente do partido no poder.

Há quem diga que Hillary Clinton, se tivesse ganhado a corrida presidencial de 2016, o mundo hoje estaria ainda mais inseguro e as intervenções se multiplicaram por todo lugar.

A verdade é que a política norte-americana é dominada pelo capital. O Congresso dos EUA é composto majoritariamente por milionários e super-milionários. De modo geral, então, a burguesia sempre se protege, sempre aprova o que quer. Foi assim que depois da crise de 2008, bancos embolsaram, a fundo perdido, quase 1 trilhão de dólares dos contribuintes americanos. Enquanto isso, milhares de cidadãos perderam suas casas por não poderem pagar suas hipotecas.

De toda forma, as contradições do sistema criaram uma situação que saiu do controle dos atores tradicionais da política. Foi assim que a favorita nas eleições de 2016, a democrata Hillary Clinton, perdeu as eleições para Donald Trump, considerado por muitos um desequilibrado, com discursos que beiram o fascismo. Ironicamente, no entanto, na prática, os democratas seriam muito mais perigosos para o mundo do que o atual presidente tuiteiro que ameaçou a Coreia do Norte, o Irã, a Síria, entre outros.

A verdade é que Donald Trump não era a primeira opção do Partido Republicano, um partido tido como austero, conservador por princípio, mas o empreiteiro Trump venceu as prévias de seu partido e como se mostrou viável na corrida eleitoral acabou por ser engolido pelos republicanos.

Mal ganhou as eleições, iniciaram movimentos para dar inicio a um processo de impeachment, com acusações de fraudes nas eleições, de interferência da Russia no processo. Trump se mantém firme e sempre confuso em sua política. A burguesia tem desesperadamente articulado modos de enquadrar o presidente que se mostra incontrolável, ou quase.

A classe média já promoveu dezenas de atos de protesto contra o presidente e suas propostas. A ultima manifestação ocorreu em Washington contra a indicação do conservador Brett Kavanaugh para vaga na Suprema Corte. Lembremos que a Suprema Corte é fundamental para qualquer presidente, pois ela tem, na prática, poder de veto para um amplo espectro de políticas. Dessa forma, a afinidade dos ministros da corte, democratas/liberais ou republicanos/conservadores, afeta a vida dos cidadãos de muitas maneiras, particularmente em questões de direitos individuais e políticas afirmativas.

Brett Kavanaugh é acusado de tentativa de estupro, quando ainda estudante, e de ter problemas com bebida. A classe média entrou em cena com seu #NotHim e uma bandeira bem ao gosto das feministas, de ’empoderamento’ das mulheres, de ‘respeito’ às mulheres, pedindo aos congressistas que não acatem a indicação de Trump.

O presidente americano é uma unanimidade em termos de rejeição, sendo esse apenas um entre tantos dos embates que a sociedade americana vem promovendo contra decisões de Trump.

A verdade é que a burguesia norte-americana tem medo de que a destituição do presidente trapalhão represente o fim ou um forte enfraquecimento do Partido Republicano. Por isso, contra a população, procura desesperadamente meios de segurar o republicano até o fim de seu mandato. Não conseguem, por mais que tentem, separar o destino de Donald Trump do destino do Partido Republicano.

Os americanos não vivem seu melhor momento, as contradições se revelam aos montes. Os democratas se veem confrontados internamente por membros mais à esquerda, vendo surgir jovens que se dizem socialistas inclusive. Os republicanos temem por seu futuro. A burguesia, que não se importa exatamente com que partido esteja na Casa Branca, apenas administra os conflitos para não arriscar perder o controle sobre o país. Pela composição do Congresso, não perderão, mas é fato que os cidadãos norte-americanos não apenas continuam insatisfeitos, como parecem determinados, graças a Trump, manter-se nas ruas e pressionando os políticos.

Ganhar as eleições presidenciais talvez tenha sido um tiro no pé do Partido Republicano e, portanto, um risco para o regime político do Império do Norte.