Se opor à direita
Esquerda defensora da frente ampla com a direita colabora com o objetivo central do imperialismo de atacar o PT para tentar impedir a participação política dos trabalhadores
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Presidential candidates (L-R) Ciro Gomes, Guilherme Boulos and Geraldo Alckmin are pictured ahead of a televised debate in Rio de Janeiro, Brazil October 4, 2018. REUTERS/Ricardo Moraes
Boulos e Ciro, à serviço da política do imperialismo contra o PT e os trabalhadores | Foto: Reprodução

As eleição municipal deste ano é a segunda do gênero depois do golpe de Estado de 2016, que alterou as relações políticas do País de maneira muito marcante em favor do imperialismo, o qual buscou com a onda golpista de impor uma profunda mudança na situação política em uma fase de verdadeira liquidação, de crise histórica de superprodução, em que os capitalistas já não conseguem  obter o nível de lucratividade que se tinha antes, por conta do excedente de produção.

As “saídas” da do imperialismo e da burguesia “nacional”, nestas condições, são a destruição de um parcela importantes das forças produtivas e uma ataque sem precedentes às condições de vida das massas. Uma situação que se vê agravada pela pandemia, que acelerou os aspectos mais negativos e decadentes dessa situação.

O oposto das promessas eleitorais

Bem diferente das promessas eleitorais que foram e ainda estão sendo apresentadas na campanha eleitoral, o que temos pela frente é um duro ataque no sentido de intensificar a destruição das condições de vida dos trabalhadores, o que implica que o gasto estatal será ainda mais dirigido ao capital.

O conjunto das manobras políticas, golpes de Estado etc. se dirigem a criar as condições para reintroduzir a famigerada política neoliberal adotada no período anterior, (no final do século passado) e que foi ampla mente repudiada pelos trabalhadores, em geral, e que na América Latina,  levou aos governos da esquerda nacionalista do período anterior.

É essa a questão fundamental que está em jogo para a burguesia e não um conjunto de disputas locais sobre quem tem a melhor proposta para governar cada uma das 5.570 cidades brasileiras.

Isso nada tem a ver com  aquilo que é apresentado por parte da esquerda que caracteriza a luta como uma luta da “burguesia civilizada” contra a “burguesia não-civilizada”. Não é verdade que Bolsonaro e os “moderados” têm planos diferentes. Nunca tiveram. As principais medidas impostas contra o povo no último período, por exemplo, foram aprovadas no Congresso Nacional com o voto majoritário dos partidos “civilizados” da burguesia, já que o bolsonarismo nunca teve votos suficientes para aprovar absolutamente nada.

Também não se trata, em lugar algum, de uma “luta contra o bolsonarismo” ou do “bem contra o mal”como procuram fazer crer alguns esquerdistas ingênuos ou espertalhões.Imagem

Como destacado no Informe Político apresentado à Conferência Nacional do Partido da Causa Operária, pelo companheiro Rui Costa Pimenta, no último fim de semana.

A luta fundamental do momento não é contra a extrema direita. A luta que está em jogo agora, antes e sempre, é a luta contra o imperialismo, contra a política de destruição do mundo, que só pode ser levada a cabo com métodos antidemocráticos e extremamente brutais. Não podemos perder de vista diante do espectro do bolsonarismo que o eixo fundamental da luta é a luta da classe operária num polo e o imperialismo no outro. E não é pouca coisa: é uma luta que envolve bilhões de pessoas.”

 

Uma política direitista da esquerda

No momento em que está colocada uma verdadeira guerra do imperialismo e dos seus súditos contra o povo brasileiro, não faz o menor sentido para os trabalhadores e suas organizações a posição de setores da esquerda de apoiar candidatos direitistas, dos partidos golpistas como o do DEM, no Rio de Janeiro, Eduardo Paes, um representante da política de Joe Biden, no Brasil. O mesmo vale para outras candidaturas patronais da esquerda burguesa como a do afilhado dos irmão Ciro e Cid “Coca-Cola” Gomes, em Fortaleza, que comemoraram o “Lula tá preso babaca!” e apoiaram a privatização da água, em favor das multinacionais, entre outras atrocidades.

Isso apenas evidencia o quanto a esquerda está desnorteada, perdeu (quem já teve) qualquer perspectiva de classe diante da situação. No governos, os “pais” de Bolsonaro – PSDB, MDB, DEM etc. – vão ser um sustentáculo da continuação do genocídio produzido por FHC, que os governos Temer e Bolsonaro apenas buscaram – sem sucesso – repetir. 

Os que os capitalistas querem realmente é destruir o que restou da saúde e educação públicas, jogar milhões na fome, no desemprego etc. O que, obviamente, não pode ser dito na campanha eleitoral, quando todos prometem “mundos e fundos” para aqueles que vão esfolar para defender os interesses daqueles que realmente representam.

Destruir o PT

Se está política é o “norte” do imperialismo para todo o Mundo, vale sob re maneira para o continente latino americano e, em especial, para o Brasil, a principal economia da região e uma das mais importantes dentre os países não imperialistas.

Por isso mesmo a burguesia golpista e o imperialismo fixaram como um dos principais objetivos da operação golpista, fazer retroceder e, se possível destruir a participação política dos trabalhadores, para o que é preciso – na etapa atual – destruir o PT e tirar Lula do panorama político.

Por isso o empenho da direita contra o PT, no que são amplamente acompanhados pela esquerda burguesa e pequeno burguesa que, deste as primeiras fases do golpe buscaram “crescer” sobre os escombros do PT, apoiando os aspectos centrais da política da burguesia (campanha do “mensalão”, operação lava jato, lutar contra os ajustes do PT e não contra o golpe etc. esperar um “julgamento justo de Lula” por parte do ultra reacionário judiciário ou até mesmo defender a prisão de Lula e não lutar pela sua liberdade).

Precisam para isso, contar com a rendição de setores da esquerda (inclusive do próprio PT), para eliminar o “concorrente” ou transformar o PT em uma esquerda dócil como a uruguaia ou chilena, dominadas pela frente ampla com setores direitistas.

É isso que explica toda as manobras, manipulações e fraudes para tirar o PT das eleições em cidades fundamentais como São Palo e Rio de Janeiro.

Em São Paulo, Guilherme Boulos (apresentado como “fenômeno” pela reacionária revista Veja e saudado por todos os setores da imprensa golpista) foi conduzido ao segundo turno com os votos do PT [A imprensa burguesa fez a campanha no sentido de que o PT não tinha chances, mas Boulos sim.]. Uma situação em que o resultado das eleições não pode ser outro do que a vitória de um representante da frente ampla, da política de aniquilação do PT e de Lula, seja da sua ala direita (Covas), seja d essa ala esquerda (Boulos, PDT, PCdoB etc.).

Da mesma foram, no Rio de Janeiro, a deputada Benedita da Silva (PT) foi colocada para fora do páreo bem antes do primeiro turno, pela campanha da imprensa e da esquerda de que ela não  tinha condições de ir ao segundo turno, mas sim a  ex-chefe de Polícia do governo Cabral, Marta Rocha, do PDT.  Como parte de uma operação que serviu para dar a vitória ao candidato do DEM, Eduardo Paes. Par ao que não falto a participação do PSOL, com a renuncia do deputado Marcelo Freixo (PSOL) à sua pré-candidatura, seja com a campanha de setores que apoiaram Boulos (como Caetano Veloso) fazendo campanha pelo “voto útil” na delegada do PDT.

Nestes e noutros casos, a direita tratou de dar conta de seus objetivos centrais: isolar Bolsonaro e o PT, isto é, isolar “os extremos”, o que deixa o caminho aberto para os “moderados”. Com isso abriu-se o caminho para  um deslocamento muito forte para a direita, para o uso de métodos duros contra a classe operária para controlar a situação. Seja com um governo fascista, seja com um governo de extrema direita com aparência institucional, como é o caso – dentre outros – do governo de João Dória (PSDB) e o controle que o PSDB tem sobre o estado de São Paulo.

A frente de esquerda é contra o PT

Por isso mesmo a “unidade” da esquerda liderada pelos seus setores mais reacionários, defensores Segundo Estadão, Ciro Gomes vai declarar apoio a Manuela e Boulos | O Cafezinhoda frente ampla, só tiveram serventia para reforçar as candidaturas de partidos como PSOL, PCdoB e PDT (ou mesmo aliados da direita golpista).

Isso fica claro em vários locais. Destacadamente, em Recife onde PDT e PCdoB se uniram ao candidato do golpista PSB, João Campos,, contra a candidata do PT, Marília Arraes. Em Fortaleza, atacaram duramente a candidata petista, Luizianne Lins. E, desta vez, Ciro Gomes não foi viajar para o exterior, como fez no segundo turno em 2018 – para não apoiar Haddad, porque  apoiar Boulos é um aspecto fundamental da mesma política de atacar o PT de “Lula tá preso babaca!”.

Boulos é o centro de toda a manobra para construir a esquerda que a direita gosta no Brasil. Pretendem, com Boulos, substituir todas as lideranças do PT, em primeiro lugar, o próprio Lula.

Como exaltou o Editorial do reacionário O Estado de S. Paulo, do último dia 22:

Guilherme Boulos, do PSOL, mostrou-se amadurecido. Deixou de lado o figurino de agitador que marcou sua carreira como líder dos sem-teto de São Paulo para agregar apoio a seu projeto político, o que foi suficiente para se viabilizar como um candidato de esquerda competitivo numa cidade que desde as eleições de 2016 repudia fortemente o PT e tudo o que o lulopetismo representa… certamente será, assim, um nome forte da esquerda em disputas futuras, despontando como líder de uma reorganização dos partidos que até há pouco orbitavam o PT e Lula da Silva“.

 

Por isso mesmo o PCO decidiu não oferecer qualquer apoio à essa política reacionária, e deliberou não votar nos candidatos da esquerda pequeno burguesa pois não estão ligados à classe operária, não representam seus interesses diante do necessário enfrentamento com a direita.

Reafirmou que sua posição tradicional de que o voto que não é definido com base na ideologia, mas sim em relações concretas, explicando que um partido operário pode chamar a votar em um candidato que não tenha a sua ideologia, se o candidato fizer avançar o desenvolvimento da luta de classes da classe operária.

O voto nas candidaturas pequeno-burguesas indica que a pequena burguesia tem o direito e o privilégio de controlar politicamente a classe operária, o que não pode ser apoiado, por um partido operário e pelo ativismo classista.

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