Esquerda tolerável
A política da frente ampla é uma medida da burguesia para controlar as manifestações e o descontentamento da população diante dos ataques da direita contra o povo
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Burguesia usa os mesmo métodos para derrubar governos progressistas. | Foto: reprodução.

A crise política está cada vez mais aguda e sendo agravada pela crise econômica e sanitária causada pela pandemia de coronavírus no mundo. Essa crise está tendo como consequência grandes manifestações e convulsões sociais em diversos países do mundo.

Essas manifestações estão gerando uma enorme preocupação na burguesia mundial e buscando soluções ou tentativas de manobrar a situação para controlar e canalizar o descontentamento da população gerada pela crise para uma política de controlada pela burguesia mundial.

Um bom exemplo de convulsão social e a política da frente ampla colocada em prática é o caso do Chile. O Chile está há um grande período com grandes e radicalizadas manifestações, enfrentamento com a polícia fascista, incendiando delegacias, viaturas e uma crise que está difícil de se fechar.

O descontentamento da população com a direita e a crise econômica está levando a população chilena a tomar as ruas sem uma organização política, como um partido ou movimentos social. Diante dessa crise, a direita trabalho em conjunto com a esquerda para a frente ampla numa tentativa de controlar e acabar com as manifestações, canalizando o movimento para eleições e acordos com a direita golpista.

Uma dessas maneiras de acabar com as mobilizações foi a constituinte aprovada há dias atrás. A atual Constituição é de 1980 e uma herança do governo fascista de Augusto Pinochet com grandes ataques a população e de entrega do patrimônio nacional para as empresas imperialistas.

A crise era tamanha que a própria direita apoiou a mudança da Constituição e a convocação de uma nova constituinte para discutir os rumos da situação política. Caso a direita se colocasse contra, a situação política poderia se agravar ainda mais.

A aprovação da nova constituinte se deu em meio as manifestações que pediam a derruba do atual presidente Sebastián Piñera, do partido direitista Renovación Nacional. A esquerda, não somente a chilena, mas internacional caiu de cabeça no apoio a essa frente ampla que o resultado foi controlar controlar a crise, manter Piñera na presidência e evitar o esmagamento da direita chilena.

No caso da Bolívia a esquerda também comemorou a vitória do candidato do MAS (Movimento ao Socialismo) Luis Larce nas eleições bolivianas em meio ao golpe de Estado e sobre diversas ameaças de manobras, fraude e ataques da extrema direita. A crise na Bolívia era muito grande e se agravou com a derrubada de Evo Morales através de um golpe de Estado. Diante dessa mobilização, a esquerda capitulou e aceitou a derrubada de Morales e a convocação de novas eleições sem a candidatura de Evo Morales. Ou seja, a esquerda aceitou a proposta da direita golpista boliviana de lançar outro candidato bem mais moderado que Morales numa clara tentativa de conter a crise política.

Há inúmeros outros casos na América Latina, como o peronista Néstor Kirchner na Argentina e Manuel Lópes Obrador no México, governo da esquerda moderada e aceitar pela direita diante da crise política e mobilização social.

O caso mais recente é os EUA, onde a esquerda correu apoiar o democrata Joe Biden contra Donald Trump para conter o fascismo e a extrema direita mundial. Nada mais falso, pois Joe Biden é o candidato apoiado por Wall Street e até por setores do partido Republicano como a família Bush, pois é o candidato para conter a crescente crise política nos EUA e o crescimento das manifestações contra a violência policial e a direita norte-americana. É o candidato da guerra, dos ataques a governos nacionalistas e das políticas contra os negros e as mulheres, com aprovação de leis ainda mais repressivas contra os negros.

São alguns exemplos da política de frente ampla formada para controlar as mobilizações da população, limpando “a barra” da direita golpista e colocando os trabalhadores a reboque da burguesia para manter o regime político. Esse é o exemplo da frente ampla que a direita quer impor para o Brasil, onde a direita que deu o golpe e colocou o fascista Jair Bolsonaro no poder agora tem aparência de “civilizada” para liderar a luta contra Bolsonaro e seus ataques.

A esquerda realiza essas frentes com a direita a troco de nada, apenas para que as manifestações sejam estranguladas e não haja luta contra a direita nas ruas, mas apenas dentro das instituições.

A esquerda pequeno burguesa não entende a situação política atual e muito menos que a política de frente ampla é uma medida da burguesia golpista e direitista para tomar controle da situação política e da esquerda não somente no Brasil, mas no mundo. Não é uma política progressista e muito menos combativa e que vai derrotar a extrema direita.

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