Burguesia desacredita Guedes
Descrente do governo golpista e, embora tenha uma visão limitada que não vê além de soluções para salvar o capital, teme repetir o erro de 2008
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Fachada do Lehman Brothers sendo removida. Imagem: Andrew Winning/Reuters |

Interessante ver o ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, 62, ser entrevistado e
dizer, que, diferente do que aconteceu na crise de 2008, quando a burguesia salvou os
banqueiros da bancarrota e fez o país mergulhar em uma recessão, agora o dinheiro
deveria ser destinado a salvar o trabalhador da crise sanitária e econômica.

Se em 2008 o Brasil investiu nos Bancos para aumentar o acesso ao crédito da população,
errou por ter ficado muito tempo tentando salvar os banqueiros e por não ter deixado a
economia fluir.

“O Brasil tem uma experiência de lidar com a crise de 2008/2009, que produziu um fracasso
e desorganizou a economia brasileira”, afirma Hartung.

Hartung também concorda que se trata de uma crise de saúde pública com um enorme
impacto na economia e com repercussões sociais extremamente relevantes. Problema de
renda, famílias, desemprego, desocupação. Mas ele também acha que o remédio não é
ideológico, de corrente de pensamento político ou econômico. O remédio é universal. Não
tem diferença entre o que o governo chinês está fazendo, o da Alemanha, e o que nós
temos de fazer aqui. Ele acha que, para esse momento, é necessário sacar um dinheiro do
futuro, que pertence às futuras gerações , e que, embora necessário, é um dinheiro que
deixa uma dívida para as futuras gerações. E, por isso mesmo, é um dinheiro que precisa
ser alocado de uma maneira extremamente respeitosa.

Pelo menos ele entende que o gasto público precisa estruturar melhor o nosso serviço de
saúde, comprar respiradores, contratar gente, equipamentos de proteção para os
profissionais. Colocar dinheiro no Bolsa Família e proteger os trabalhadores informais. Mas
daí para a frente, enfatiza, precisa ser muito seletivo para que o governo não cobra
equívocos de aplicações financeiras de A, B, ou C. O software que a gente trabalhava era
de uma realidade. A realidade mudou, e a gente tem que trocar o software.

De fato, ele percebe que a crise explicita de uma forma dramática nossas contradições, a
desigualdade, a baixíssima mobilidade social. E que está muito claro que nós perdemos
tempo. Mas não devemos ficar parados, e muito menos transformar esse episódio em luta
política. Precisamos de uma liderança. Se eu pudesse clamar por uma coisa é baixar a
bola, conclui Hartung

O que Hartung consegue ver é que Bolsonaro não é uma liderança que dê conta de
entender o que precisa fazer, nem muito menos para implementar um plano de austeridade
quando tudo isso passar.

De qualquer forma, por ser um economista burguês, Hartung só enxerga soluções para
salvar o capital de sua agonizante situação, e não percebe que o coronavírus não fez mais
que aguçar a crise econômica que já existia, colocando em cheque o neoliberalismo que foi
a solução do capital para evitar o seu colapso.

E é exatamente isso do que precisamos. Entender que a solução hoje é socialista, sem o
que, nem mesmo as poucas medidas sugeridas por ele serão suficientes para deter a
derrocada econômica que nos abate. Sem a estatização da economia, sem acabarmos com
a péssima distribuição de renda existente com o capitalismo, não vai sobrar trabalhador
para movimentar a economia, porque esse sim, o trabalhador, é o grande motor da
economia.

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