Situação política
A burguesia tem várias estratégias para encara o governo Bolsonaro, e ao contrário do que acreditam alguns setores da pequena-burguesia, ainda não está decidida em tirá-lo
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Presidente golpista Jair Messias Bolsonaro | Foto: Repordução
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Presidente golpista Jair Messias Bolsonaro | Foto: Repordução

As discussões sobre um possível impeachment vem sendo cada dia mais recorrente na imprensa. Para os leigos e os facilmente emocionados a possibilidade de um impeachment já é praticamente um fato. Porém para aqueles que acompanham a política brasileira deveria ficar claro que a burguesia ainda não se decidiu sobre o tema.

O editorial do Estado de S. Paulo, de ontem, sexta-feira, 22 de janeiro de 2021, tratou – mais uma vez – da possibilidade de um impeachment. O editorial faz certas críticas ao presidente, focando sobretudo na incapacidade de Bolsonaro de estabilizar a situação política. Segundo o jornal a pandemia teria sido o momento perfeito para realizar tal feito. Como o próprio jornal aponta, a última vontade da burguesia durante a crise do coronavírus seria tirar um presidente e desestabilizar o regime político. O único cenário em que isso se torna possível é aquele em que a burguesia tem consenso sobre um candidato capaz de estabilizar a situação política, e com uma esquerda fora da área.

O próprio jornal fez um levantamento interessante; ao todo já foram enviados 61 pedidos de impeachment à Câmara, dos quais 5 foram rejeitados por questões de descumprimento de formalidade, os outros 56 estão engavetados. Desses pedidos de impeachment a esmagadora maioria ( 54) foram formulados após o início da pandemia, o que significa mais de 54 pedidos de impeachment em menos de um ano. Se restavam dúvidas sobre a eficiência dos meios institucionais esses processos deveriam servir.

Estaria a burguesia mudando de ideia? A resposta é não, a burguesia nunca viu em Bolsonaro sua primeira escolha, porém, diante dos setores decrépitos do centrão e de uma ameaça do tamanho de Lula E do seu substituo, Haddad), teve que abraçar o projeto Bolsonaro, uma escolha do baixo clero da burguesia, da pequena-burguesia histérica e dos mais atrasados politicamente da classe operária. Depois de abraçar Bolsonaro abandoná-lo no meio do caminho significa desestabilizar o regime político e pôr em risco o golpe de Estado. Tirar Bolsonaro não é uma operação impossível, porém deve ser feita com cautela e com a certeza de que em seu lugar entrará alguém que seja capaz de estabilizar o regime político, levar adiante as ambições neoliberais da burguesia imperialista e agradar pelo menos boa parte dos setores burgueses.

Com a vitória da manobra para tirar Trump nos Estados Unidos e colocar Biden, assim como o aumento da crise econômica e sanitária no Brasil, a necessidade de tentar uma manobra mais arriscada no Brasil, substituir Bolsonaro antes das próximas eleições,  aumentou. Isso significa que a burguesia já se decidiu sobre o tema? Não. Significa somente que é uma opção cada vez mais analisada, porém ainda não é a primeira estratégia. Para a burguesia ainda é melhor pressionar Bolsonaro através da imprensa e mobilizações inócuas, como os panelaços, e tentar colocá-lo na linha, uma estratégia que em certa medida funcionou algumas vezes.

É importante ressaltar também que o exército ainda não se pronunciou contra Bolsonaro. As Forças Armadas foram se espalhando gradualmente pelas instituições desde o governo Temer, agora com Bolsonaro seria impossível fazer qualquer coisa sem consultá-los antes.

Há muitas estratégias sendo consideradas pela burguesia, que não pode se dar o luxo de partir para uma decisão apressada diante da instabilidade política nacional. Por outro lado, a esquerda pequeno-burguesa observa a situação como mera protagonista. Os governadores, os parlamentares, os setores incrustados nas instituições em geral pressionam os partidos para formar-se uma Frente Ampla da esquerda com a burguesia, onda a esquerda deixaria de ser um mero observador para ser a escada na qual pisará a burguesia para derrubar Bolsonaro. Tais setores jogam para escanteio qualquer saída popular, sem entender que para a esquerda qualquer esperança nas instituições deveriam ter sido deixadas de lado após  o impeachment da Dilma.

As instituições são controladas pela burguesia que deixou bem claro que não derrubará Bolsonaro enquanto não estiver certa de que conseguirá colocar alguém em seu lugar. Não podemos acreditar que há um interesse em derrubar Bolsonaro e dar um lugar ao sol para a esquerda de maneira benevolente.

A saída é organizar a classe trabalhadora em torno da luta pelo Fora Bolsonaro, Dória e todos os golpistas e por Lula candidato. Uma reivindicação capaz de unir diversos setores e que ao passo que coloca o governo Bolsonaro contra a parede, coloca também todo os golpistas, pois estes já deixaram bem claro não tolerar nenhum tipo de conciliação com a classe trabalhadora. Essas reivindicações devem ser feitas na rua, tanto para pressionar de fato a burguesia, coisa que restringindo-se a internet e às janelas não é possível, e para colocar a extrema-direita na defensiva.

É preciso organizar Comitês de Luta, fortalecer o partido operário e fazer uma campanha nacional nas ruas. Devemos pressionar os setores as direções paralisadas da esquerda e dos sindicatos, aproveitar a campanha para retomar as greves e as ocupações.

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