Bruxaria com números: economistas previram que Alemanha seria campeã da Copa na Rússia

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O neoliberalismo alega apoiar-se em uma ciência: a economia. Sua política de terra arrasada contra os trabalhadores e o patrimônio nacional não seria fruto dos interesses de uma classe social determinada nem seria correspondente a uma determinada ideologia. É como se privatizar tudo e destruir os serviços públicos, os direitos trabalhistas, os salários e as aposentadorias fosse uma conclusão lógica e matemática irrefutável. Como uma conclusão científica de química ou de geologia.

Sua arma para convencer o público indefeso são números e estatísticas que quase ninguém entende. A direita esconde seu programa e sua ideologia atrás de “tecnocratas” e “especialistas” que ensinam como aplacar a fúria de seu Deus, o todo poderoso Mercado. Assim, o cidadão deve sacrificar sua própria aposentadoria no altar do Deus Mercado, enquanto o governo de Michel Temer destrói tudo, entrega o pré-sal e corta os gastos públicos.

Agora, durante a Copa do Mundo, esses mesmos economistas resolveram usar sua metodologia para dar pitacos sobre futebol. A UBS Global Wealth Management, por exemplo, divulgou uma análise dos economistas de seu gabinete chefe afirmando que a Alemanha seria a campeã da Copa da Rússia. Mais precisamente, o time comandado por Joachim Löw teria 24% de chances de chegar ao penta e ganhar o segundo título mundial consecutivo. Logo atrás viria o Brasil, com 19,8% (que isso não sirva de mau agouro).

O resultado em campo não poderia ter sido mais contrário às previsões dos gurus do Mercado. O Manschaft (o “time” alemão) perdeu para as seleções do México e da Coreia do Sul, despedindo-se da competição mais popular do mundo na lanterna de seu grupo, desmascarando a fraude dos 7×1 em 2014. A equipe que seria supostamente eficiente, disciplinada e imbatível em campo, com 24% de chances de ganhar o título, não consegue ganhar da Coreia em um jogo de futebol.

Sobre o método de seus economistas, o chefão da UBS Global Wealth Management, Mark Haefele, fez a seguinte consideração quando sua análise foi divulgada: “Não importa se estão avaliando os mercados globais ou torneios de futebol, as pessoas tendem a ser parciais em favor de seus conterrâneos. A mesma disciplina quantitativa utilizada pelo Gabinete Chefe de Investimentos mostrou-se útil e bem sucedida para enxergar além do bairrismo tanto em portfólios de investimento quanto em eventos esportivos”.

Eis o quanto vale a “ciência” dos charlatões que pretendem ditar a política nos países atrasados em favor de grandes capitalistas globais, parasitas da sociedade, invariavelmente mergulhando nações inteiras na miséria.