Genocídio declarado
Prefeito de Salvador quer que acreditem que trabalhar agora na pandemia é seguro

Por: Redação do Diário Causa Operária

Bruno Reis, filiado ao Democratas e atual prefeito de Salvador (BA), foi vice-prefeito de Antônio Carlos Magalhães Neto, e como representante da direita que manda neste país desde a ditadura militar (o avô de ACM Neto era o “dono” do PFL, partido que emergiu da ARENA da ditadura, e foi senhor absoluto nos governos Sarney e FHC), tenta se mostrar “científico”, mas na prática age como todo direitista representante da burguesia nesta pandemia: salvar os lucros dos capitalistas a qualquer custo, inclusive matando a população mais pobre de COVID-19.

Nessa última semana, o tal prefeito começou a ensaiar justificativas para liberar as atividades econômicas, o que significa na prática jogar os trabalhadores de Salvador mais ainda no meio do Coronavírus.

Nas palavras de Bruno Reis: “Os números, tanto da rede pública como da rede privada, diminuíram muito. Houve uma redução da pressão sobre o sistema. Espero que não voltemos mais àquela situação que vivemos entre 12 e 16 de março, que foi o pior momento. Hoje, a gente pode afirmar, com convicção, que passamos pelo pior momento. O pior já passou. Não podemos dizer que não haverá outros momentos ruins, porque estamos lidando com novas cepas do vírus, mas, nesse momento, o risco de colapso passou”.

O absurdo aqui é evidente: a fala do prefeito foi noticiada em 24 de março. Segundo Bruno Reis, o pior havia ocorrido entre 12 e 16 de março. Como alguém pode dizer que o “risco de colapso passou” apenas oito dias depois do suposto fim do pior momento da pandemia? Com certeza existe um motivo para dizer isso, e ele não é científico.

A atual taxa de ocupação de leitos de UTI em Salvador é de 83%, segundo página na internet da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (http://www.saude.salvador.ba.gov.br/covid/indicadorescovid/). A aposta de Bruno Reis é que essa taxa fique em 80%, que ele considera um número seguro.

O grande problema aqui é que estamos lidando com um vírus que sofre mutações e está muito mais contagioso agora do que antes, o que torna esse tipo de “previsão” algo mais parecido com um chute mesmo.

Além disso, a cidade de Salvador tem mantido um número constante de pessoas esperando por atendimento em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e enfermarias. Só para ilustrar, no dia 24 de março, 38 pessoas esperavam regulação. Há duas semanas eram 139, sendo que 87 aguardavam vaga em UTI. Podemos com certeza afirmar que muitos dos que esperam hoje uma vaga que não é de UTI irão precisar depois, elevando a taxa de ocupação.

A grande verdade é que o prefeito de Salvador está se aproveitando do fato de que os dados divulgados pela sua prefeitura parecem revelar uma queda nas taxas de ocupação de leitos de UTI para começar a arriscar a vida da população trabalhando para os capitalistas. Essa tal “queda” nada tem de estável. Ela é aparente e não passa de uma desculpa esfarrapada.

A ideia de Bruno Reis é que as atividades sejam retomadas de forma escalonada, com dias e horários diferentes para os diferentes setores da economia. 

Isso é tudo o que a direita tem para oferecer: ou o povo morre de Covid-19 ou de fome. O que é necessário é vacinação em massa agora, além de um verdadeiro auxílio emergencial que permita que os trabalhadores que não podem trabalhar de casa possam ficar sem trabalhar e sem passar necessidades. Isso é atacar o problema de frente.

Mas a direita não consegue atacar este problema de frente porque ela é historicamente incapaz de fazê-lo. Se assim fizesse seria esquerda.*

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