Sujos x mal-lavados
Deputada psolista, antes dita grande militante, é exposta como oportunista após criticar a posição fisiológica de companheiros de partido.
O programa Espaço Público desta terça-feira, 18/08, recebe a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (PSB- SP) (Foto José Cruz/Agência Brasil)
Deputada Luiza Erundina. | Foto: José Cruz/Agência Brasil
O programa Espaço Público desta terça-feira, 18/08, recebe a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (PSB- SP) (Foto José Cruz/Agência Brasil)
Deputada Luiza Erundina. | Foto: José Cruz/Agência Brasil

A lua de mel entre Erundina e o PSOL parece estar em vias de terminar. A ex-prefeita de São Paulo envolveu-se em uma polêmica acerca da eleição para presidência da Câmara.

Mesmo tendo ganhado o direito de se candidatar a presidência a Câmara, Erundina, em publicação no Twitter, opôs-se fortemente a posição de alguns colegas de partido pelo apoio “tático” ao candidato do atual presidente da casa legislativa, Rodrigo Maia (DEM) e dos demais golpistas do “centrão”, Baleia Rossi (MDB-SP). Ela criticou o fisiologismo adotado pelo PSOL, que, segundo ela, estaria apoiando Baleia Rossi em troca de cargos na Mesa da Câmara.

A psolista foi fortemente criticada pela também psolista Fernanda Melchiona por ter exposto colegas de partido na rede social. A deputada gaúcha frisou que, mesmo que Luiza Erundina tenha ganho internamente o direito a candidatar-se à presidência da Câmara, isso não lhe dá direito de atacar publicamente o partido.

Tornando as coisas ainda piores, Melchiona lembrou a todos que Luiza Erundina, nos anos 90, chegou a rachar com o PT, seu partido à época, para ganhar um ministério no governo de Itamar Franco, uma aglomeração de diversos elementos para tentar impedir a vitória da esquerda, especialmente Lula e o PT na vindoura eleição de 1994.

O oportunismo pequeno-burguês

Em situações normais, não haveria necessidade e nem ponto em discutir a política interna do PSOL. Entretanto, a situação parece ter fugido do controle do partido e tornou-se pública. O bate-boca entre as duas deputadas do PSOL mostra que os egos dos quadros do partido é tão grande que não conseguem resolver seus problemas internos.

A publicação de Fernanda Melchiona é, em certo ponto, escatológica. Durante as eleições, Luiza Erundina era declarada a melhor prefeita que São Paulo já teve, uma grande militante, uma mulher de fibra e diversos outros adjetivos positivos. Agora, quando entra em contradição com os seus colegas de partido, é pintada como uma oportunista e sem moral alguma para criticar a posição fisiológica dos deputados do PSOL.

Fica óbvio que o objetivo do PSOL não é, de maneira alguma, a luta política real, mas o oportunismo sem pudor. Certo que a declaração de Melchiona sobre Erundina é verdadeira. Todavia, é impossível não ver o cinismo tão bem delineado. Quando ofendem seus interesses pessoais, os deputados da esquerda pequeno-burguesa reagem como leões.

Também é necessário deixar claro que a crítica não é a todo e qualquer militante do PSOL, mas a burocracia dos deputados que mandam e desmandam no partido. Os mesmos, que tanto criticam o fisiologismo, que tornou-se marca da burocracia do PT, fazem o mesmo. O ditado popular de “quem desdenha, compra” se faz mais real do que nunca.

A Farsa da luta pelo fora Bolsonaro

As duas posições apresentadas, lançamento de candidatura própria ou apoiar o golpista Baleia Rossi não passam de demagogia. As duas posições propõe apoiar Baleia, a diferença é no primeiro ou no segundo turno. O fato mostra que não tem nada de luta contra Bolsonaro, apenas uma negociação de cargos e comissões para beneficiar parlamentares mesquinhos e interessados apenas em se eleger novamente.

Mobilizar para derrubar Bolsonaro e todos os golpistas

Apenas a candidatura de Erundina não é o bastante para a luta contra a direita golpista, patrocinadora principal do bolsonarismo. É necessário mais do que isso. Sem a mobilização popular, junto a entidades estudantis, sindicatos e demais partidos e organizações de esquerda, as eleições dentro do parlamento, à vista da população, nada mais serão que uma briga de burocratas para ver quem manejará o chicote a estalar no lombo de todo trabalhador.

A esquerda pequeno-burguesa se inebria com o vinho das eleições. Enquanto isto, a população deixa, cada vez mais, de acreditar nestes vendedores de ilusões e no sistema como um todo. É preciso uma grande mobilização das massas e das organizações para derrotar o golpe iniciado em 2016. Sem isto, nada mudará, de fato, para o trabalhador.

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