Cid Gomes e o fascismo
A oligarquia dos irmãos Gomes, da cidade de Sobral, deve ser denunciada como inimiga dos trabalhadores e dos explorados do Nordeste e não como opositores do fascismo
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"Foto - Reprodução" - Ciro Gomes e seu irmão, o senador Cid Gomes, ambos do PDT |

O episódio ocorrido recentemente envolvendo o senador cearense Cid Gomes e os policiais militares grevistas do Estado do Ceará, que se encontravam amotinados em uma unidade de quartel na cidade de Sobral-CE, continua sendo objeto não só de muita polêmica, como vem despertando opiniões as mais diversas, notadamente por parte de setores da esquerda e centro-esquerda nacional, a maioria com posicionamentos completamente desorientados e descolados da realidade política e social do País.

Na ocasião, Cid Gomes investiu contra o portão do quartel onde se encontravam os policiais em greve, dirigindo uma retroescavadeira, o que motivou a reação dos amotinados. No tumulto que se criou, o senador foi alvejado com dois tiros, disparados por policiais grevistas que tentavam impedir a derrubada do portão. Cid Gomes é irmão do ex-governador do Estado do Ceará, Ciro Gomes, que também já foi prefeito da cidade de Fortaleza, Ministro de Estado no governo do ex-presidente Lula, dentre outros cargos ocupados na administração pública federal e estadual.

Ao episódio, de repercussão nacional, sucederam-se centenas de manifestações, a maioria delas com elogios e exaltação à bravura, à coragem e à determinação não somente de Cid Gomes, mas também do seu irmão, Ciro Gomes que, de acordo com os elogiadores, “enfrentaram com destemor” os policiais fascistas-bolsonaristas que desafiaram não só a autoridade do governador Camilo Santana (PT), como violaram dispositivos constitucionais que proíbem a greve de policiais.

Uma dessas manifestações de rasgados elogios à ação dos irmãos Gomes apareceu nesta semana, quando o diretor de redação da revista CartaCapital, Mino Carta, em uma live no canal YouTube, exaltou a atitude do senador Cid Gomes e do seu irmão Ciro, alcançando também o governador petista do Ceará, Camilo Santana. Mino Carta, respondendo a perguntas feitas por internautas declarou que “o gesto dos irmãos Gomes representa uma grande bravura…deles e do governador do Ceará…mas em primeiro lugar do Cid….coragem extraordinária…levou tiros….Ciro não é homem de fugir da raia….grito de liberdade….lição de como se deve resistir ao fascismo….estou (ele, Mino) muito tocado, comovido e emocionado pela atitude que o Cid tomou e como as razões dele ficaram evidentes….e a covardia bolsonarista diante de uma reação tão digna…são brasileiros que honram o Brasil…não são personagens comuns os irmãos Gomes…”

De início, é necessário esclarecer que a única posição clara, lúcida e consequente diante do episódio que desnorteou a esquerda brasileira e outros setores que emitiram opinião, foi a do Partido da Causa Operária que, não por acaso, é a única força política do País que faz uma leitura e interpreta, sob a ótica do marxismo revolucionário, os elementos e as questões da luta de classes que se colocam no cenário político nacional. Neste sentido, a ação do senador Cid Gomes ao investir contra a força militar do Estado do Ceará em greve deve ser vista não como ato de heroísmo, bravura e enfrentamento ao fascismo, mas como um gesto de pura demagogia e oportunismo eleitoral dos mais rebaixados e abjetos, que deveria merecer a condenação de toda a esquerda que luta (ou pelo menos se coloca, retoricamente, como oposição ao bolsonarismo fascista, pois o gesto do senador Cid Gomes não foi outra coisa senão uma ação caracteristicamente fascista) em defesa do direito de livre organização e manifestação de qualquer setor da sociedade, incluindo aí os policiais e militares. Muito diferente é o apoio às reivindicações salariais e por melhores condições de vida dos policiais, como faz o PSTU, que classifica os agentes repressores do Estado burguês-capitalista como “categoria de trabalhadores”.

A investida violenta e facistóide do senador Cid Gomes contra a greve dos policiais, é bom que digamos ao senhor Mino Carta e à toda a praça, em especial à esquerda centrista, institucional, não é e em momento algum pode ser vista e interpretada como ato de “bravura e coragem” dos irmãos Gomes. Ao contrário, a ação perpetrada pela oligarquia dos irmãos cearenses da cidade de Sobral, longe de representar a luta contra o fascismo, é, em si mesmo, um ato de fascismo. Ciro e Cid não são militantes antifascistas, como muitos acreditam ser, pois se assim fossem, reivindicariam a dissolução da PM, força repressiva que atua contra os trabalhadores, contra a luta dos explorados. Os Gomes nunca hesitariam em utilizar o aparato repressivo estatal para reprimir e espancar algum grevista no Estado ou na cidade deles, Sobral. É preciso uma dose muito elevada de ingenuidade (em alguns casos) ou má fé e cinismo oportunista (na maioria dos casos) para enxergar no episódio da retroescavadeira em Sobral alguma luta contra o fascismo, contra o bolsonarismo, como muitos querem fazer crer.

Sobre Ciro Gomes, representante típico de um setor da oligarquia nordestina que, por pura conveniência e oportunismo assume, em algumas situações, uma postura de político de “esquerda”, com fraseado radical, é preciso dizer que se trata de politiqueiro direitista, colaborador da direita e do bolsonarismo, que concorreu às eleições presidenciais de 2018 para dividir os votos da esquerda, para impedir a vitória da candidatura do Partido dos Trabalhadores, essa é a verdade. Ciro Gomes e seu irmão Cid, senador pelo PDT, devem ser vistos e tratados como políticos burgueses, direitistas, inimigos dos trabalhadores e da população pobre e explorada do Nordeste e do País.

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