Mais de 17.000 despejados
A mineração criminosa da empresa Braskem causou uma calamidade que já foi premeditada onde mais de 4 bairros da cidade estão sob risco de desabar.
Mapa de bairros afetados
Bairros afetados pela mineração ilegal da Braskem chegam a mais de 5 | Foto: Reprodução
Mapa de bairros afetados
Bairros afetados pela mineração ilegal da Braskem chegam a mais de 5 | Foto: Reprodução

A Defesa Civil Municipal de Maceió alertou na última semana, com base nos estudos sobre a instabilidade do solo em Maceió, que novas crateras podem surgir nos bairros onde a Braskem promoveu a mineração criminosa e assassina da sal-gema.

A situação extremamente precária e de alta calamidade onde se encontram os moradores dos bairros do Pinheiro, Farol, Mutange, Bebedouro e Bom Parto vem se arrastando desde 2018, por culpa da empresa petroquímica da Braskem que realizou e continua realizando ilegalmente a mineração da Salgema nas áreas próximas da laguna Mundaú. A atividade da mineradora já desalojou mais de 17.000 pessoas e atingiu 5 bairros que se sabe até agora. 

A Braskem após sofrer pressão popular assegurou a quantia de R $81,500,00 para os moradores de áreas atingidas pela mineração, algo que é uma completa vigarice! 

A conduta criminosa da empresa privada irá causar um desastre no país maior que Brumadinho e Mariana juntos, causou o desalojamento de milhares de pessoas, fez ocorrer tremores na cidade e colocou moradores de vários bairros em uma completa calamidade. 

A Braskem, empresa que somente no ano de 2018 teve um lucro líquido de R $2,87 bilhões pagar uma mixaria dessas é vergonhoso e demonstra claramente o caráter – que é regra nas grandes empresas capitalistas – de impor seus interesses econômicos acima do bem-estar da população.

A empresa petroquímica mostra isso muito claramente desde o dia de sua instalação na cidade, quando possuía o nome de Sal-gema, tendo sido instalada em área urbana mesmo produzindo materiais de alto risco como cloro e soda cáustica.

“Tem uns dias que não passo no pinheiro, mas as imagens de lá sempre chegam até mim. Seja através de filmes da mostra sururu ou um amigo que passa pelo bairro e me manda alguma foto da minha antiga casa. O pior já aconteceu. Por mais que os bairros caiam hoje, por mais que ocupe as matérias dos principais jornais do país (quiçá do mundo), a maior tragédia se deu quando a comunidade se dissipou. As pessoas não têm ideia das dores. Já ouvi que pior que a morte é deixar seu lugar, seus amigos e nunca mais vê-los. A história que não sai da minha cabeça é de duas irmãs que também eram vizinhas, que já tem seus setenta-e-tantos-anos. Que não tem condições financeiras de bancar traslados, não tem mais a juventude de usar as redes sociais e que moram cada uma no extremo da capital. Uma está morta pra outra a partir dessa mudança, a chance de que se vejam novamente é tão remota quanto a do bairro voltar a ser o que era um dia.” 

Disse Paulo, um antigo morador do Pinheiro que faz atividades de colagem no bairro atingido pela empresa petroquímica.

Quem fez a festa, nesse sentido, foram os especuladores do mercado imobiliário, que já sabendo da indenização entregue pela Braskem, aumentaram em média 20% os preços dos imóveis para lucrar em cima do desalojamento dos moradores dos bairros afetados.

isso é uma prova clara de que não se deve confiar no gerenciamento privado das empresas, pois estas não ligam para economia do país, para população e para os desastres que as mesmas causam. O único interesse dos grandes empresários é maximizar o lucro, custe o que custar, inclusive se o custo for de 5 bairros e a vida de milhares de pessoas.

É necessário uma mobilização contra a Braskem, contra a prefeitura e o governo de Alagoas, que esconderam durante anos a ameaça do desastre (ou crime) que já era premeditado.

Não há como esperar que os burocratas judiciais tomem alguma ação em defesa da população contra a empresa petroquímica, é esperar o impossível. o setor judiciário do Estado não tem o mínimo interesse de defender ou ajudar as pessoas que perderam suas casas para a mineração criminosa, pelo contrário, a cada dia reprimem mais a população de Alagoas para o benefício dos grandes empresários e latifundiários do estado.

A população dos bairros do Pinheiro, Farol, Bom Parto, Mutange, Cambona e outros bairros deve pressionar o governo do estado e a empresa vigarista da Braskem através de uma grande mobilização para que indenizem corretamente os residentes dos bairros afetados.

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