Violência policial
A agressão foi realizada em uma região periférica de Paris
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Polícia Francesa combate coronavírus espancando a população periférica, imigrante e negra | Foto: Reprodução
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Polícia Francesa combate coronavírus espancando a população periférica, imigrante e negra | Foto: Reprodução

Mais um caso de violência da polícia francesa veio à tona no último período, desta vez, a vítima foi uma mulher brasileira grávida, que sofreu um aborto após agressões.

Débora A, de 23 anos estava grávida de 4 meses e meio, foi empurrada violentamente por uma policial que a abordou para cobrar o uso de máscara. O caso aconteceu em dezembro de 2020 em um shopping na periferia de Paris.

O jornal Libération entrevistou Débora, cujo sobrenome não foi revelado. Na entrevista Debora afirmou que é a primeira vez que fala sobre o caso já que a situação foi muito traumática e ela ainda esta em recuperação.

A moça conta que a agressão aconteceu no final da tarde de 10 de dezembro de 2020, quando foi a prima, Céline H., e uma amiga buscar a comida encomendada em um restaurante chinês do centro comercial Arc-en-Ciel. Quando elas estavam saindo do local, um policial pediu que colocassem as máscaras, o que elas afirmam ter feito.

No entanto, uma outra policial se aproximou e resolveu multá-las. Quando as jovens deixavam o shopping, de máscara e com as multas nas mãos, elas foram bruscamente abordadas novamente pela policial que alega ter ouvido insultos contra ela.

A prima Céline H., foi jogada no chão para ser algemada. Débora tentou defendê-la, mas foi empurrada. Ela contou que a policial chegou a jogá-la violentamente três vezes contra a parede, apesar de ter gritado que estava grávida. As jovens foram levadas para a delegacia onde permaneceram presas até a noite.

Após o ocorrido Debora sentiu fortes dores a barriga e no dia seguinte foi ao hospital, foi constatada uma “uma contusão lombar e metrorragia”. A brasileira recebeu uma licença médica de oito dias para realização de repouso, mas, mesmo assim no dia seguinte, com aumento das dores nova hospitalização foi feita. Debora perdeu sua bebê dia 21 de dezembro.

O advogado de Débora A., Vincent Brengarth, entrou com uma queixa “por violência tendo provocado uma mutilação ou uma enfermidade permanente por uma autoridade pública”, e uma investigação preliminar foi aberta na polícia pelo Tribunal de Pontoise, periferia de Paris.

Esse é mais um entre muitos excessos da polícia francesa, muito comuns principalmente nas abordagens de negros e imigrantes, maioria entre as vítimas de brutalidade e morte por parte do estado.

O fato de provocar a morte de um bebê nem nascido ainda é bem ilustrativo do tratamento dispensado nas periferias da França. A coisa é extremamente banal, se analisarmos o combate dado pelo governo francês direitista a pandemia do coronavírus, que foi praticamente nenhum, como em todas as partes do mundo. O imperialismo não quer gastar um níquel nos cuidados com as populações pobres contra a contaminação, o país, com uma população de quase 62 milhões de pessoas teve até agora quase 70 mil mortos, não existiu nenhum plano de contenção a doença para o povo francês, só contenção do povo mesmo. Casos de violência como o ocorrido contra Debora tem a ver com a pura barbárie estatal para reprimir qualquer descontentamento com a situação de crise que se segue.

 

 

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