Comércio Exterior
Após estímulo federal para a exportação do grão e com estoques quase zerados, o país tem agora que importar a matéria-prima da qual é o maior produtor mundial
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Trabalhadores portuários, conhecidos como amarradores de navio, fixando embarcação no cais | Foto: Portos do Paraná | Divulgação

Pela primeira vez desde 2003 o Brasil teve que importar soja para suprir suas necessidades de consumo interno. O país que é o maior produtor de grãos do mundo teve que acessar o mercado externo da commodity e acabou importando um volume significativo desta matéria-prima.

Apenas na última sexta-feira (27) 30,5 mil toneladas de soja com origem nos Estados Unidos foram atracadas no porto de Paranaguá (PR). Isso se deve ao fato de que o governo Bolsonaro simplesmente permitiu que os estoques de grãos do país fossem zerados para facilitar que latifundiários do agronegócio exportassem livremente e muito além do razoável, beneficiando-se assim do alto preço do dólar aos custos é claro do desabastecimento interno e uma ameaçada iminente da segurança alimentar dos brasileiros.

O maior comprador da soja brasileira é justamente a China, que também ostenta a marca de maior importadora global do grão, país que a família e o governo Bolsonaro vivem atacando por segundo os golpistas, serem uma nação que depende do Brasil e não o contrário.

Desde o dia 16 de outubro o Brasil suspendeu temporariamente as tarifas de importação de soja para fornecedores fora do MERCOSUL. Apenas os vizinhos Paraguai e Uruguai já forneceram 589 mil toneladas e 36,3 mil toneladas respectivamente até outubro deste ano.

No início de novembro, o Brasil chegou a alterar as normas sobre os chamados eventos transgênicos, equivalendo os conteúdos aprovados nos EUA e no Brasil sobre o tema, tudo para facilitar a vida dos fornecedores norte-americano, ou seja, do imperialismo.

Deste modo, ao importar soja descontroladamente para garantir o abastecimento interno, o governo deixou que os preços da matéria-prima utilizada na fabricação de ração animal disparassem, o que contribuiu para o aumento significativo da inflação sobre os preços dos alimentos no Brasil.

A imagem do navio Discoverer, fretado pela companhia Louis-Dreyfus, flutuando sobre o largo do porto de Paranaguá é simbólica. É a síntese do dinheiro dos brasileiros sendo entregue agora também para os capitalistas estrangeiros do agronegócio em detrimento da economia nacional e do povo.

Essa mesma embarcação da Louis-Dreyfus deve atracar definitivamente entre 7 e 15 de dezembro e passará por uma inspeção antes da descarga  das 6 mil toneladas por dia. As 30,5 mil toneladas representam o maior volume de soja com origem nos EUA já importado pelo Brasil desde o ano de 1997 no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Ao todo o país deve passar de 1 milhão de toneladas importadas em 2020, isso de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que garante ser o maior volume pelo menos desde 2008, ano de início da mais recente crise global do capitalismo.

Em tempo

A francesa Louis Dreyfus Company, envolvida na importação de soja para o Brasil, acaba de vender 45% de suas ações para o fundo soberano de Abu Dabi (ADQ). A multinacional controlada pela bilionária Margarita Louis-Dreyfus, terá um novo investidor no grupo até então familiar. A companhia foi fundada há 169 anos e é um dos monopólios do agronegócio no mundo.

Deste dinheiro da ADQ, ao menos 800 milhões de dólares serão usados para pagar o financiamento de 1 bilhão de dólares feito pela LDC, no resgate da empresa sucroalcooleira brasileira Biosev, outra empresa controlada pelo grupo através de uma holding.

Além da Biosev, a LDC atua no Brasil com a produção de café, algodão, grãos, suco, oleaginosas, arroz e açúcar, estando entre as dez maiores exportadoras do país. A LDC opera em mais de 60 unidades industriais e logísticas no Brasil e possui aproximadamente 11.000 funcionários.

O episódio deixa claro a política do governo golpista de Bolsonaro diante da pandemia. Permitir aos capitalistas nacionais venderem os estoques do mercado interno para enriquecerem fora do comum com as exportações. Em seguida,, agir para favorecer os grandes capitalistas estrangeiros, permitindo que ganhem muito dinheiro, mesmo com a crise econômica a pandemia.

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