Pandemia é pior para mulheres
Os problemas enfrentados pelas mulheres com ou sem pandemia é parte da mesma política da burguesia e da direita de ataques à população pobre e à classe trabalhadora
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Mulher gravida em ônibus durante a pandemia | Foto: Reprodução

No início desde mês de julho o periódico médico Journal of Gynecology and Obstetrics publicou um estudo sobre alguns dos efeitos do coronavírus nas mulheres gestantes e no período de pós parto, onde o mais preocupante é a morte dessas mulheres por COVID-19. O estudo apontou ainda que 77% das mortes de mulheres grávida ou no pós-parto em todo o mundo aconteceram no Brasil.

Estes números são reflexo da falta de políticas eficazes para as mulheres durante a pandemia, resultado do descaso habitual dos governos burgueses com as mulheres. O Brasil possui um dos piores cenários para a pandemia: são milhares de infectados e mortos, nenhuma medida eficiente para conter o vírus e proteger a população e como se não bastasse o comércio e as atividades sendo retomadas nos mais diversos setores para atender aos interesses capitalistas. Neste cenário não é nenhuma surpresa que a situação das mulheres seja ainda pior que o normal.

As mulheres já vêm sofrendo em diversos aspectos durante a pandemia, como o aumento da violência doméstica ou a queda da produtividade no trabalho  home office por ter que cuidar da casa e dos filhos com o isolamento forçado e desacompanhado de medidas específicas para as mulheres. Além disso sofreram ataques nos seus direitos trabalhistas relativos à gestação, que foram relativizados durante a pandemia em benefício dos patrões e com a retomada das atividades foram obrigadas a voltar a trabalhar sem assistência para os filhos.

Mesmo sem pandemia as mulheres, especialmente as mulheres pobres e trabalhadoras, já enfrentavam inúmeras dificuldades quanto a questões como ao trabalho doméstico, violência doméstica, cuidado com os filhos, direitos trabalhistas escassos e também quanto à gestação, pré-natal, parto, pós parto, etc.

As mortes de mulheres durante a gravidez e no pós parto no Brasil por conta do coronavírus se deve a verdadeira política de ataques que existe contras as mulheres por parte da burguesia que não quer despender esforços para atender os interesses da população e muito menos das mulheres que são uma camada ainda mais explorada e que sentem mais duramente os impactos das mazelas causadas pelo capitalismo.

Alguns dos fatores apontados pelos pesquisadores para as mortes são: “atendimento pré-natal de baixa qualidade, falta de recursos para cuidados críticos e de emergência, disparidades raciais no acesso aos serviços de maternidade, violência obstétrica e as barreiras adicionais colocadas pela pandemia para o acesso aos cuidados de saúde”. Todos estes fatores descritos pela pesquisa são resultado justamente da política de ataques às mulheres e que atinge sobretudo as trabalhadoras e pobres.

A maioria esmagadora das mulheres não possui nenhuma assistência digna a sua saúde nem mesmo na gravidez mas são obrigadas a enfrentar essas dificuldades uma vez que além de tudo são impedidas de abortar e criminalizadas pelo estado, sendo obrigadas a manter a gestação mesmo sem as mínimas condições para isto.

Assim, estes problemas enfrentados pelas mulheres, com ou sem pandemia, fazem parte da mesma agenda geral da burguesia e da direita de ataques à população pobre e à classe trabalhadora que também estão perdendo direitos, sendo obrigados a trabalhar expostos à pandemia e morrendo com o coronavírus graças à política neoliberal de matar o povo e salvar os capitalistas.

Portanto, é preciso que as mulheres, junto com os trabalhadores travem uma luta contra a direita e a burguesia que controla o estado, os verdadeiros inimigos do povo; para impor um governo onde suas necessidades sejam verdadeiramente atendidas.

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