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Reabertura econômica tende a levar a um aumento na média diária de mortes por COVID-19 no Brasil.
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Prática de esportes coletivos nas praias foi liberada em julho no Rio de Janeiro. | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Fotos Públicas.

A pandemia da COVID-19 segue deixando um rastro de mortos no país no momento em que os governadores, que chegaram a ser apresentados como “científicos” em oposição a Bolsonaro, promovem a reabertura total da economia.

É nesse contexto que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que quatro estados brasileiros podem passar por uma segunda onda de contaminação. Segundo o boletim Infogripe, os estados que podem passar por um aumento significativo de casos nos próximos meses são Rio de Janeiro, Amapá, Maranhão e Ceará.

Essa retomada do crescimento de casos e consequentemente de mortes está claramente relacionada com a reabertura total da economia, que vem ocorrendo nesses estados e é a política geral da burguesia para conter suas perdas econômicas.

No cenário nacional temos uma média superior a 1.000 mortes diárias, um verdadeiro genocídio da população brasileira. E nunca é demais lembrar que esses são apenas os números oficiais, num dos países que menos testa para COVID-19. O único país com mais mortes por COVID-19 que o Brasil até agora são os Estados Unidos, que já acumula mais de 150 mil mortos.

Um dos argumentos mais utilizados para justificar as medidas de reabertura econômica adotadas tem sido a “estabilização” dos casos. Esse argumento precisa ser compreendido concretamente. É preciso ter em conta que a estabilização significa que o número de mortes diárias está relativamente estável, ou seja, nem aumenta nem diminui.

O estado de São Paulo, governado pelo fascista “científico” João Dória, é um dos estados que atingiu a chamada “estabilidade”. O que esse termo tranquilizador não expressa é que essa estabilidade significa de fato mais de 250 mortes por dia. Com essa taxa de mortalidade, João Dória e Bruno Covas (governador e prefeito da capital, ambos do PSDB) pressionam pela retomada das aulas presenciais com o argumento da estabilização. Na última quarta-feira, na capital, Dória colocou a Polícia Militar para bloquear uma manifestação de professores que exigia principalmente o cancelamento do retorno das aulas, uma reivindicação para evitar que o número diário de mortes cresça ainda mais.

A farsa do cientificismo atribuído a políticos de fascistas como Wilson Witzel e João Dória, entre outros, fica cada vez mais evidente. Nenhum dos direitistas que encenaram uma oposição à política de reabertura econômica irrestrita de Bolsonaro apresentou nada além da quarentena (ainda assim muito limitada) como medida de combate à pandemia. E agora, no momento mais crítico, estão completamente alinhados com o ilegítimo presidente.

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