Eleições em São Paulo
Quem vê os debates para o 2º turno em São Paulo, vê que Boulos demonstra uma “frouxidão” contra Covas, que é explicada por seu comprometimento com a política da frente ampla
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Os dois candidatos à prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) | Imagem: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Levando-se em consideração a opinião genérica que se tem sobre os dois candidatos à prefeitura de São Paulo, seria possível concluir que Guilherme Boulos, do PSOL, e Bruno Covas, do PSDB, são de campos políticos totalmente opostos. No entanto, isso não é fato. Boulos se colocou a serviço da “frente ampla”, exercendo a importante função de roubar votos do PT durante o 1º turno da eleição, com muito auxílio da imprensa capitalista, que fez ampla campanha por sua candidatura, já dando Jilmar Tatto, do Partido dos Trabalhadores, como derrotado desde o princípio de toda a campanha, chegando a colocá-lo com menos de 1% das intenções de voto em pesquisas absurdas. Nesse sentido, ele se configura verdadeiramente, como um aliado de Bruno Covas, do PSDB.

Uma evidência dessa aliança é a forma como Guilherme Boulos se portou nos debates que teve com o candidato do PSDB. Quem conhece a ficha corrida do partido e suas infindáveis gestões da capital paulista e também do governo do estado de São Paulo, sabe a imensa quantidade de ataques contra a população e de ações verdadeiramente criminosas cometidas por eles durante os últimos 30 anos ou mais.

Para citar uma questão bastante escandalosa e recente, pode-se lembrar da própria gestão de Covas e João Dória, governador do estado de São Paulo e seu companheiro de partido, durante a pandemia do coronavírus. As críticas feitas sobre essa questão por Boulos são bastante moderadas, como se tivesse havido por parte do tucanos apenas alguns pequenos erros no que diz respeito às medidas de prevenção ou de combate a essa crise sanitária. No entanto, quem assistiu ao espetáculo escabroso do desenvolvimento da Covid-19 em São Paulo, estado com o maior número de mortes pela doença na América do Sul, vê que o fato é que os “gestores” do PSDB rifaram a vida da população do estado e de sua capital diante do vírus, sem realizar realmente nenhuma medida de combate que seja contra a pandemia. Isso não foi colocado dessa forma por Boulos em nenhum momento.

Outras situações escandalosas protagonizadas pelos tucanos poderiam ser lembradas por Boulos, como o quanto se roubou a população durante a construção das linhas de metrô, o que gerou diversos atrasos na entrega de obras que seriam fundamentais para a vida do povo de São Paulo. Outro fato foi quando o então prefeito João Dória, do qual Covas era vice, ofereceu ração como alimento para os moradores de rua da cidade ou demoliu prédios na Cracolândia enquanto pessoas ainda estavam dentro. Também houve as férias tiradas por Covas na Europa, em 2019, enquanto São Paulo sofria com uma série de enchentes.

O Boulos que se vê durante os debates com Bruno Covas é um Boulos polido, educado, contido, que não tem nenhuma intenção de constranger seu adversário, que, diga-se de passagem, carrega muitos crimes contra o povo em suas costas. Quase parece que ele não tem a intenção de ganhar as eleições. É, de fato, um Boulos muito diferente do que se via no 1º turno quando atacava sem cessar os candidatos Márcio França e Celso Russomano, ambos adversários do PSDB, que colocavam em risco verdadeiro a chegada de Covas ao 2º turno. Em um debate com Russomano, acusou-o de “falar fino” com poderosos e “falar grosso” com a população, criticou-o por “puxar saco” de Bolsonaro, acusou-o de ter um escândalo de “rachadinha” e ataques com uma intensidade que não vemos ocorrer contra Covas no 2º turno.

A “frouxidão” de Guilherme Boulos contrasta muito com a postura de candidatos em outras cidades, que demonstram realmente ter a intenção de atacar seus adversários com tudo que têm. Um exemplo disso é o caso do Rio de Janeiro. Lá, a disputa é entre Marcelo Crivella (Republicanos) e Eduardo Paes (DEM). Crivella, candidato apoiado por Bolsonaro, procura sempre relembrar os diversos escândalos de corrupção nos quais Eduardo Paes se envolveu. Além disso, também lança contra ele acusações que, embora falsas, mostram que ele está disposto a fazer o que for necessário para vencer a disputa. Entre essas acusações, temos a de que Paes irá, junto com o PSOL (que o apoia), instaurar a pedofilia e a homossexualidade nas escolas.

Marília Arraes (PT), no Recife, é outro exemplo desta conduta de enfrentamento verdadeiro nos debates. Contra o seu adversário, João Campos (PSB), ela procura ligá-lo diretamente às gestões anteriores de seu partido e mostrar tudo que ela considera que foi mal feito nelas. Procurou até mover contra ele um processo, o acusando de “machismo” em uma de suas propagandas eleitorais. Ainda que se possa dizer que é questionável conduzir uma campanha dessa forma, não dá para negar que ela tem uma real intenção de desmoralizar seu adversário para arrancar votos dele e conseguir uma vitória.

Há diversas outras comparações que se poderia fazer para mostrar que Boulos, aparentemente, considera que o PSDB não é tão ruim assim. Em alguns debates, chegou a dizer que Bruno Covas era um sujeito “ponderado”, que “não foi para o extremismo bolsonarista de quem só quer atacar”. A conduta do PSOL na disputa pela capital paulista mostra a política da frente ampla, que irá, no fim das contas, sempre favorecer os verdadeiros “donos” do regime político, os partidos da direita tradicional, dentre os quais o PSDB se coloca como um dos principais.

O segundo turno das eleições deste ano gerou uma série de situações inusitadas, todas devido à chamada política da “frente ampla”. O principal objetivo dessa política é consolidar o golpe de Estado e aumentar o poder da direita tradicional, colocando a seu serviço a esquerda pequeno-burguesa, mais “domesticada” pelo regime e sem grande representação na classe operária. Um dos locais em que isso é observado de forma mais evidente é na disputa pela prefeitura de São Paulo.

Como tais situações não caem do céu, sendo antes reflexo dos interesses classistas que permeiam a disputa, evidencia-se também a necessidade da classe trabalhadora se posicionar contra as manobras da burguesia, anulando o voto em uma eleição sem valor algum para os trabalhadores, e mobilizando-se pelos seus interesses, o fora Bolsonaro, a frente única com Lula presidente e o governo operário.

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